V - - Assistente Técnico Administrativo I (Área de Atuação: Gestão de Pessoas)
Leia o texto para responder à questão.
Adultos incapazes de se orientar
Professores de uma escola de elite me contaram algo espantoso. Perguntaram aos alunos o que aconteceria se caminhassem sempre em frente, pela calçada diante da escola, sem
atravessar a rua. Pouquíssimos deles sabiam que voltariam à
frente do colégio. Como sempre se deslocavam pela cidade de
carro, não sabiam que a calçada de um quarteirão forma um
quadrado, e que, se você segui-la, volta ao mesmo lugar.
O ser humano nasce com enorme capacidade de se
orientar no ambiente em que vive. Prova disso é que indígenas, em florestas tropicais densas, são capazes de caminhar
dias de uma aldeia a outra sem se perder. Mas isso depende
de treino e prática, como mostra claramente o exemplo dos
alunos dessa escola.
A novidade é que os cientistas conseguiram demonstrar
que adultos têm diferentes capacidades de orientação dependendo de onde passaram a infância. Qual seria a capacidade de alguém que cresceu no campo? E como ela se
compara com a de quem cresceu em cidades organizadas ou
em cidades que parecem um labirinto?
Para conseguir medir objetivamente a capacidade de
orientação de milhares de adultos que cresceram em diferentes ambientes, os cientistas usaram o jogo de computador
Sea Hero Quest (SHQ), desenvolvido para pacientes com
Alzheimer. O jogador tem de se orientar em um labirinto de
canais ou ruas para sair de um ponto e chegar a outro. Em
cada nível, o desafio fica mais complexo, e já foi demonstrado que o sucesso nesse jogo mede muito bem a capacidade
de orientação de pessoas saudáveis no mundo real.
Os cientistas usaram dados de 3,9 milhões de jogadores
de SHQ e pediram para eles preencherem um questionário
sobre onde passaram a infância. Analisaram-se os mapas
das cidades em que os 397.162 exitosos no desafio haviam
crescido. Constatou-se que o sucesso no jogo é maior quanto
maior é a complexidade do ambiente onde a pessoa cresceu.
Quem teve poucos desafios na infância tem menos vantagens no jogo e menor capacidade de se orientar. É uma
lição importante: nas cidades de baixa complexidade, privamos crianças de desenvolverem a capacidade de orientação.
Mas tudo bem, existe o Waze para sanar essa deficiência
educacional...
(Fernando Reinach. https://ciencia.estadao.com.br.
Publicado em 26.08.2022. Adaptado)
Considere os trechos do texto.
• Como sempre se deslocavam pela cidade de carro... (1° parágrafo)
• Mas isso depende de treino e prática... (2° parágrafo)
Os termos destacados nos trechos do texto apresentam, correta e respectivamente, relação de:
ACausa, como em: Os voos foram cancelados, pois se aproximava forte tempestade.Ressalva, como em: Prepararam o solo de modo que agora podem fazer o plantio.
BCausa, como em: As pessoas retiraram senhas, visto que delas precisavam para serem atendidas.Ressalva, como em: Revelou o segredo, todavia omitiu sua participação.
CExplicação, como em: Não o procure agora porque será má ideia.Consequência, como em: Houve tantas ameaças que reforçaram a segurança do embaixador.
DComparação, como em: Saiu-se melhor do que esperava na entrevista.Concessão, como em: Faça a entrega do produto, ainda que fora do prazo.
EComparação, como em: Assim como seu irmão, ele também gosta de surfar.Concessão, como em: Caso haja lucro, abriremos novas unidades na cidade.
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GabaritoB — Causa, como em: As pessoas retiraram senhas, visto que delas precisavam para serem atendidas.
Ressalva, como em: Revelou o segredo, todavia omitiu sua participação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Relações semânticas: causa e ressalva nos conectivos
Gabarito: letra B. No primeiro trecho, "Como sempre se deslocavam pela cidade de carro" estabelece uma relação de causa (o deslocamento de carro é o motivo de não saberem que a calçada forma um quadrado). No segundo, "Mas isso depende de treino e prática" introduz uma ressalva (concessão): o "mas" contrapõe a ideia de que a capacidade de orientação é inata, admitindo uma restrição. A alternativa B é a única que apresenta, respectivamente, causa e ressalva, com exemplos equivalentes.
A chave da questão
O comando pede que você identifique a relação semântica expressa pelos termos destacados. No primeiro trecho, "Como" é uma conjunção causal — introduz a causa do que se afirma na oração principal. No segundo, "Mas" é uma conjunção adversativa que, no contexto, expressa ressalva (também chamada de concessão): admite-se uma objeção, mas mantém-se a ideia principal. Veja como isso aparece no texto:
"Como sempre se deslocavam pela cidade de carro, não sabiam que a calçada de um quarteirão forma um quadrado"
Aqui, "como" = "porque", "já que": o fato de andarem de carro é a causa de não saberem. Já em:
"O ser humano nasce com enorme capacidade de se orientar... Mas isso depende de treino e prática"
O "mas" introduz uma ressalva: a capacidade inata existe, porém está condicionada ao treino. É uma relação de concessão/oposição — o que a banca chama de "ressalva".
Relações semânticas: Causa (Conectivos: como, porque, visto que, pois, Responde a "por quê?"); Ressalva (concessão) (Conectivos: mas, porém, todavia, contudo, ainda que, Admite objeção, mantém a ideia); Consequência (Conectivos: de modo que, que (com intensificador), Responde a "o que acontece?"); Explicação (Conectivo: porque (justificativa)); Comparação (Conectivos: do que, assim como); Condição (Conectivo: caso, se)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O primeiro exemplo está correto ("pois" é causal), mas o segundo não: "de modo que" expressa consequência, não ressalva. A frase "Prepararam o solo de modo que agora podem fazer o plantio" indica um efeito, não uma objeção. A banca troca o conectivo de ressalva por um de consequência.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O primeiro exemplo, "visto que", é uma conjunção causal clássica — equivale a "porque", "já que". O segundo, "todavia", é uma conjunção adversativa que expressa ressalva (concessão): "Revelou o segredo, todavia omitiu sua participação" — há uma oposição entre revelar e omitir. Perfeito paralelo com os trechos do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O primeiro exemplo, "porque", pode ser causal ou explicativo, mas no contexto "Não o procure agora porque será má ideia" a relação é de explicação (justifica-se uma recomendação), não de causa. O segundo, "que" em "Houve tantas ameaças que reforçaram a segurança" expressa consequência, não ressalva. A banca inverte as relações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O primeiro exemplo, "do que", expressa comparação — não é causa. O segundo, "ainda que", é uma conjunção concessiva (equivale a "embora"), que se aproxima de ressalva, mas o primeiro termo já invalida a alternativa. A banca mistura relações diferentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O primeiro exemplo, "Assim como", expressa comparação — não é causa. O segundo, "Caso haja lucro", expressa condição (se houver lucro), não ressalva. A banca troca concessão por condição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre causa e explicação (ambas podem usar "porque") e entre ressalva/concessão e consequência. No texto, "como" é claramente causal; "mas" é adversativo — não caia na tentação de ler "como" como comparação.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar a relação, pergunte: "o conectivo responde a 'por quê?' (causa) ou a 'o quê acontece?' (consequência)?" E para ressalva, procure oposição: "mas", "porém", "todavia", "contudo", "no entanto".