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Questão de Português — Crase — VUNESP 2022

PortuguêsCrase
Código
vu071949
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
V - - Bibliotecário
Leia um trecho da entrevista com o compositor João Pacífico para responder a questão.

        Em Campinas, eu arranjei um emprego na Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Fui um alto funcionário da Companhia, um alto funcionário de categoria: eu era ajudante de lava-prato. Magine, ocê, um cara limpava o prato e eu lavava. E assim foi.

        Foi minha felicidade, porque um dia o cozinheiro disse: “João, sabe quem está viajando, viaja sempre conosco? É o doutor Guilherme de Almeida1 ”. (Ele era inteligente o cozinheiro, falava “conosco”.) Eu não sabia, pensei que fosse um diretor de futebol ou coisa assim. “João, faz um versinho daqueles que você faz de vez em quando, quando o trem dá um descanso pra gente, e eu levo pra ele.” Eu fiz uns versinhos e entregaram a ele. “Leva a ele o meu cartão e fala pra me procurar na Cruzeiro do Sul2 ”, foi o recado do doutor Guilherme.

        Aí, eu fui, vesti meu terninho branco, bonito, calça curta. Eu de branco e estava um frio, aquela garoa fria de São Paulo, tremia que nem cabra (não sei se cabra treme, acho que treme).

        Cheguei na Cruzeiro do Sul, desce um elevador com um senhor de chapéu bonito e sobretudo Bataclan tudo pintadinho e luvas pretas. Olhava para ele e eu todo de branco, e ele todo enfaixado. Moço (acho que foi por isso que ele me protegeu, porque o chamei de “moço”), eu queria ir na Cruzeiro do Sul. “É no sétimo andar. Espera um pouco, você não é aquele menino do trem?” Eu sou. “Eu que dei o cartão para você vir aqui. Vamos subir.”

        Aí eu subi aquele trenzão, o elevador rápido. Eu gostei, gostei – avião não tinha voado, mas eu voei naquele trem. Chegou lá em cima, ele chamou o Paraguassu3 e disse: “Aqui tem um rapaz que escreve umas coisas bem brasileiras”.

(A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes – vol. 1
João Carlos Botezelli e Arley Pereira. SESC São Paulo. Adaptado)


1Guilherme de Almeida: poeta, jornalista, tradutor, crítico de cinema.
2Cruzeiro do Sul: emissora de rádio em São Paulo.
3Paraguassu: cantor e compositor brasileiro, cujo nome verdadeiro era Roque Ricciardi.
O sinal indicativo de crase está corretamente empregado no trecho reescrito da alternativa:
  1. A“eu era ajudante de lava-prato”: eu me dedicava à lavar pratos.
  2. B"viaja sempre conosco?”: viaja à toda hora conosco?
  3. C“pensei que fosse um diretor de futebol”: pensei que se referisse à uma pessoa famosa.
  4. D“Cheguei na Cruzeiro do Sul”: Dirigi-me à rádio Cruzeiro do Sul.
  5. E“Eu que dei o cartão para você”: Eu que dei o cartão à você.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Cheguei na Cruzeiro do Sul”: Dirigi-me à rádio Cruzeiro do Sul.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em reescritas: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino

Gabarito: letra D. A única reescrita em que o acento grave é obrigatório é "Dirigi-me à rádio Cruzeiro do Sul", pois o verbo dirigir-se exige a preposição a e o substantivo feminino rádio admite o artigo a — fusão que gera a crase. As demais alternativas ou usam crase antes de verbo (proibido), ou antes de pronome pessoal do caso reto (proibido), ou em locução adverbial de tempo sem artigo (proibido).

A questão pede que você avalie o emprego da crase em trechos reescritos a partir do texto. A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o "a" de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, o teste clássico é: troque a palavra feminina por uma masculina — se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Aplicando esse teste a cada alternativa, apenas a letra D passa.

Critério

A (lavar)

B (toda hora)

C (uma pessoa)

D (rádio)

E (você)

Antes de verbo?

✅ Sim → proibido

❌ Não

❌ Não

❌ Não

❌ Não

Palavra admite artigo definido?

❌ Verbo não admite

❌ Locução sem artigo

❌ "Uma" é indefinido

✅ "A rádio"

❌ Pronome não admite

Preposição exigida + artigo = crase?

✅ "ao" no teste

Resultado

❌ Incorreta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

Correta

❌ Incorreta

Alternativa A — ❌ Incorreta

"eu me dedicava à lavar pratos"

Aqui a crase está antes de verbo ("lavar"). A regra é clara: não há crase antes de verbo, pois o verbo não admite artigo feminino. O correto seria "dedicava-se a lavar pratos" (sem acento). A alternativa contradiz a regra de proibição da crase antes de verbos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"viaja à toda hora conosco?"

A expressão "toda hora" é uma locução adverbial de tempo que não admite artigo definido — dizemos "a toda hora", não "à toda hora". A crase é proibida quando a palavra feminina está em sentido genérico, sem artigo. O correto é "viaja a toda hora". A alternativa generaliza indevidamente o uso da crase em locuções adverbiais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"pensei que se referisse à uma pessoa famosa"

Aqui há um erro duplo: primeiro, não se usa crase antes do artigo indefinido "uma" (a crase exige artigo definido "a"); segundo, o verbo referir-se rege a preposição a, mas o complemento "uma pessoa" não admite o artigo definido, então fica "referisse a uma pessoa". A alternativa troca o artigo definido pelo indefinido, o que inviabiliza a crase.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Dirigi-me à rádio Cruzeiro do Sul"

O verbo dirigir-se exige a preposição a (quem se dirige, dirige-se a algum lugar). O substantivo "rádio" é feminino e, no contexto, está determinado pelo artigo a (a rádio Cruzeiro do Sul). Temos preposição a + artigo a = à. O teste da troca por palavra masculina confirma: "Dirigi-me ao estúdio" — aparece "ao", logo há crase. A alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Eu que dei o cartão à você"

Não há crase antes de pronome pessoal do caso reto ("você"), pois esses pronomes não admitem artigo. O correto é "dei o cartão a você". A alternativa contradiz a regra de proibição da crase antes de pronomes de tratamento/pessoais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura reescritas com regências diferentes. A letra D é a única em que o verbo pede preposição e o substantivo admite artigo — as demais erram por usar crase antes de verbo, pronome ou palavra sem artigo.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer só "o" ou nada, não há. Isso elimina rapidamente as alternativas A, B, C e E.

Gabarito: letra D

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