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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2022

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu072211
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Matão - SP
Ano
2022
Nível
Superior
Leia o texto para responder a questão.

Fumaça proibicionista

        Especialistas apontam várias razões de saúde para conter a disseminação de cigarros eletrônicos. Cabem, no entanto, dúvidas sobre a eficácia e objeções quanto ao fundamento da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de manter a proibição baixada em 2009.
        Há indícios convincentes de que os dispositivos funcionem como porta de entrada para o hábito de fumar. Podem, assim, originar ou manter a dependência química. Levantamento da Fiocruz indicou que jovens usuários de cigarros eletrônicos têm risco maior de se tornarem tabagistas na idade adulta. Segundo a Associação Médica Brasileira, cerca de 80 aerossóis neles produzidos contêm substâncias tóxicas. Pior, algumas delas são potencialmente cancerígenas.
        Apesar disso e da proibição ora reiterada pela agência federal, os produtos se encontram à venda em toda parte pelo Brasil. Entram no país por meio de contrabando. As danosas engenhocas se tornaram populares entre adolescentes. Além de simbolizar status social, carregam como atrativo a adição de sabores de fruta ou refrescantes ao líquido vaporizado.
        Em mais de uma década de proibição no território nacional, autoridades se mostraram impotentes em coibir a comercialização. A proibição, apenas, não terá o condão de produzir tal resultado. Informar e desestimular o consumo pode ser mais produtivo que tentar erradicá-lo. Com álcool e outras drogas, o proibicionismo já se comprovou ineficaz e de alto custo social.
        A solução racional é regulamentar o uso adulto, dado que não cabe ao Estado determinar o que indivíduos autônomos decidem sobre o próprio corpo. Mas há que prover meios para a fiscalização de normas rigorosas quanto a teores e vendas, além de campanhas educativas sobre malefícios à saúde.

(Editorial. Folha de S. Paulo. 08.07.2022. Adaptado) 
No Editorial, a vedação da Anvisa ao cigarro eletrônico é questionada sob o argumento de que
  1. Aa posição de especialistas contraria a afirmação do órgão de que o consumo do produto esteja se alastrando entre os jovens.
  2. Ba proibição poderia reverter a queda histórica do consumo de tabaco e aumentar a incidência de alguns problemas de saúde.
  3. Co consumo do produto tem sido uma opção ao hábito de fumar, evitando-se o desenvolvimento da dependência química.
  4. Do cigarro comum, que carrega grande variedade de substâncias tóxicas, é que deveria ter o comércio vedado pelo órgão.
  5. Ea mera proibição, sem uma fiscalização rigorosa, tem se mostrado ineficiente para coibir a comercialização do produto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a mera proibição, sem uma fiscalização rigorosa, tem se mostrado ineficiente para coibir a comercialização do produto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ineficácia da proibição sem fiscalização

Gabarito: letra E. O editorial questiona a vedação da Anvisa ao cigarro eletrônico sob o argumento de que a mera proibição, sem uma fiscalização rigorosa, tem se mostrado ineficiente para coibir a comercialização do produto. Essa é a tese central do texto, ancorada na passagem:

"Em mais de uma década de proibição no território nacional, autoridades se mostraram impotentes em coibir a comercialização. A proibição, apenas, não terá o condão de produzir tal resultado."

O texto reconhece os riscos à saúde, mas defende que a proibição isolada não resolve — é preciso regulamentar o uso adulto e prover meios para a fiscalização de normas rigorosas, como se lê no último parágrafo. A alternativa E é a única que capta exatamente esse raciocínio.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O editorial afirma que os especialistas apontam razões de saúde para conter os cigarros eletrônicos, e que há indícios de que funcionam como porta de entrada para o tabagismo. Não há nenhuma afirmação de que a posição dos especialistas contrarie a Anvisa quanto à disseminação entre jovens. Pelo contrário, o texto diz que os produtos "se tornaram populares entre adolescentes".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapola. O texto não menciona "queda histórica do consumo de tabaco" nem afirma que a proibição poderia reverter essa queda ou aumentar problemas de saúde. Essa é uma informação externa, inventada pela banca. O editorial apenas compara com álcool e outras drogas, dizendo que o proibicionismo "já se comprovou ineficaz e de alto custo social" — nada sobre reversão de queda histórica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O editorial afirma exatamente o oposto: os cigarros eletrônicos podem "originar ou manter a dependência química" e servem como porta de entrada para o hábito de fumar. A alternativa diz que o consumo evita a dependência, o que é o inverso do que está escrito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: foge ao tema. O texto não compara o cigarro comum com o eletrônico para defender a proibição do primeiro. A menção a substâncias tóxicas refere-se aos aerossóis dos cigarros eletrônicos, não ao cigarro comum. A alternativa introduz uma discussão que o editorial não aborda.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O editorial argumenta que a proibição, sozinha, não funciona. A passagem decisiva é:

"A proibição, apenas, não terá o condão de produzir tal resultado. Informar e desestimular o consumo pode ser mais produtivo que tentar erradicá-lo."

E conclui propondo "prover meios para a fiscalização de normas rigorosas quanto a teores e vendas". Ou seja, a crítica é exatamente a ineficiência da proibição sem fiscalização rigorosa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de o candidato se prender aos riscos à saúde (mencionados no início) e esquecer a tese central, que é a crítica à ineficácia da proibição. As distratoras A, C e D contradizem o texto; B extrapola com um fato externo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e desconfie de alternativas que tragam informações que você sabe serem verdadeiras, mas que não estão no texto — isso é extrapolação.

Gabarito: letra E.

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