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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu072295
Banca
VUNESP
Órgão
Docas - PB
Ano
2022
Nível
Superior
Leia o texto para responder a questão.

        Você sabe que os anos estão passando quando não identifica mais quem são as pessoas que a maioria da população admira. Há um sem-número de ídolos populares que, se entrassem num elevador comigo, eu não faria ideia de quem seriam, enquanto, para seus fãs, compartilhar com eles os poucos segundos entre o térreo e o décimo andar ressignificaria a vida. Muitos artistas estão neste exato instante quebrando recordes, fazendo lives acompanhadas por milhões de seguidores, e, ao ouvir seus nomes pela primeira vez, eu talvez os confundisse com algum ex-colega de faculdade.
        Parece absurdo que alguém nunca tenha escutado a respeito da cantora Anitta, por exemplo, mas, há pouco tempo, um advogado me perguntou quem era. Fiquei chocada. Questiono-me se é possível jamais ter ouvido falar de Anitta. Foi aí que me dei conta de que eu estava caindo na armadilha comum de achar que, se alguém ignora a existência de uma celebridade, não passa de um esnobe.
        Antigamente, as capas de revista consagravam carreiras. A televisão era o eletrodoméstico mais importante da casa. Todo mundo conhecia o rei do iê iê iê, o galã da novela, a miss de cetro e coroa. Eram intocáveis, distantes, quase sobrenaturais — pois raros.
        Hoje você grava um vídeo caseiro, posta na internet, cai nas graças de uns, viraliza e dentro de um ano pode estar morando numa mansão, e quem vai dizer que o valor passou ao largo? Quase sempre o êxito vem do talento artístico, mas pode vir também do faro para tendências, para criar conteúdo motivacional, para fazer dinheiro nas redes.
        Nós, os sobreviventes da era analógica, não conseguimos acompanhar tanta novidade circulando pelo palco digital. Eu já me perdoei por não conseguir estar informada sobre tudo e sobre todos, mesmo trabalhando num veículo de comunicação. De que planeta eu vim?
        De outro século e deste aqui, vim lá de trás e de hoje cedo, administro como posso o meu passado e este presente intenso, me espanto com a oferta atordoante de eventos e existências, tantas que nem todas são por mim assimiladas. Não é esnobismo, não; é esse tempo agora, voraz.

(Martha Medeiros. Tanto tudo. https://oglobo.globo.com, 14.11.2021. Adaptado)
No trecho “Eu já me perdoei por não conseguir estar informada sobre tudo e sobre todos, mesmo trabalhando num veículo de comunicação” (5º parágrafo), observa-se ideia de
  1. Aoposição.
  2. Bconclusão.
  3. Cconsequência.
  4. Dconcessão.
  5. Eproporção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — concessão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação Semântica no Trecho – Gabarito: Letra D

Gabarito: letra D (concessão). No trecho “Eu já me perdoei por não conseguir estar informada sobre tudo e sobre todos, mesmo trabalhando num veículo de comunicação”, a palavra “mesmo” exerce função de conjunção concessiva, equivalente a “embora” ou “apesar de”. A oração que introduz (“trabalhando num veículo de comunicação”) expressa um fato que seria esperado para impedir a dificuldade de se informar, mas não a impede, caracterizando a relação de concessão.

PEGA ESSA DICA!

Concessão é a relação em que se admite um fato contrário à expectativa, mas sem invalidar a afirmação principal. O conectivo “mesmo” (antes de gerúndio) é um marcador típico dessa ideia.

Análise do Trecho no Texto

“Eu já me perdoei por não conseguir estar informada sobre tudo e sobre todos, mesmo trabalhando num veículo de comunicação

A autora afirma que se perdoa por não estar informada — e acrescenta uma ressalva: trabalha num veículo de comunicação. Esperar-se-ia que esse trabalho garantisse informação total, mas ele não evita a lacuna. Essa quebra de expectativa é a essência da concessão.

Alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta (oposição)

A oposição é uma relação de contraste direto entre duas ideias (ex.: “mas”, “porém”). No trecho, o “mesmo” não opõe uma ideia à outra; ele admite uma circunstância contrária sem negar a primeira. A diferença é sutil: na oposição, as ideias se excluem parcialmente; na concessão, a primeira prevalece apesar da segunda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca sabe que muitos alunos confundem concessão com oposição. A oposição clássica seria algo como: “Eu me perdoo, mas trabalho num veículo de comunicação” — o que mudaria o sentido. No texto, o “mesmo” tem valor concessivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta (conclusão)

Conclusão é a ideia de que um fato é resultado lógico de outro (ex.: “portanto”, “logo”). O trecho não apresenta nenhum encadeamento conclusivo. A autora apenas justifica seu perdão com uma ressalva.

Alternativa C — ❌ Incorreta (consequência)

Consequência é o efeito de uma causa (ex.: “tanto que”, “de modo que”). Aqui, “trabalhar num veículo de comunicação” não é consequência de “não estar informada”; é uma condição que deveria dificultar, mas não impede. Falta relação causal-efeito.

Alternativa D — ✅ Correta (concessão) ⟵ GABARITO

Conforme explicado, o “mesmo” instaura uma concessão: admite-se a circunstância adversa (trabalhar em comunicação) como algo que não invalida a afirmação principal (não conseguir se informar). É a leitura exata do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta (proporção)

Proporção expressa ideia de aumento ou diminuição simultânea (ex.: “quanto mais... mais”, “à medida que”). O trecho não contém nenhum elemento de proporcionalidade.

Resumo

Alternativa

Relação pretendida

Presente no trecho?

A

Oposição

❌ (é concessão)

B

Conclusão

C

Consequência

D

Concessão

E

Proporção

Gabarito: letra D.

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