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Questão de Português — Orações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas... — VUNESP 2022

PortuguêsOrações coordenadas sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas...
Código
vu072336
Banca
VUNESP
Órgão
PRUDENCO
Ano
2022
Nível
Médio
Leia o texto, para responder à questão.


        A notícia veio de supetão: iam meter-me na escola. Não me defendi, não mostrei as razões que me fervilhavam na cabeça, a mágoa que me inchava o coração. Inútil qualquer resistência.

        Trouxeram-me a roupa branca nova. Tentaram calçar-me os borzeguins* amarelos: os pés tinham crescido e não houve meio de reduzi-los. Machucaram-me, comprimiram-me os ossos. E, com a roupa nova, o gorro de palha, folhas de almaço numa caixa, penas, lápis, uma brochura de capa amarela, saí de casa, tão perturbado que não vi para onde me levavam. Nem tinha a curiosidade de informar-me: estava certo que seria entregue a um professor barbado e severo.

        Mas só mais tarde notei que estava numa sala pequena. Avizinharam-me de uma senhora baixinha e de cabelos brancos. Fileiras de alunos se perdiam num aglomerado confuso. As minhas mãos frias não acertavam com os objetos guardados na caixa; a voz da mulher sussurrava docemente.

        Dias depois, vi chegar um rapazinho seguro por dois homens. Resistia, mordia, debatia-se, agarrava-se à porta, feroz. Entrou aos arrancos, e se conseguia soltar-se, tentava ganhar a rua. Foi difícil subjugar o bicho brabo, sentá-lo, imobilizá-lo. Examinei-o com espanto, desprezo e inveja. Não me seria possível espernear, berrar daquele jeito, exibir força, utilizar os dentes, espumante e selvagem. Na civilização e na fraqueza, ia para onde me impeliam, muito dócil, muito leve.


* Borzeguim: espécie de bota ou botim fechado à frente por cadarço.

(Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979. Excerto adaptado)
Considere a seguinte passagem do texto:Nem tinha a curiosidade de informar-me: estava certo que seria entregue a um professor barbado e severo.Considerando-se que, no contexto, os dois-pontos (:) introduzem uma explicação, essa relação de sentido permanece preservada com a substituição deles pela conjunção destacada em:
  1. ANem tinha a curiosidade de informar-me, pois estava certo que seria entregue...
  2. BNem tinha a curiosidade de informar-me, se estava certo que seria entregue..
  3. CNem tinha a curiosidade de informar-me, quando estava certo que seria entregue...
  4. DNem tinha a curiosidade de informar-me, entretanto estava certo que seria entregue...
  5. ENem tinha a curiosidade de informar-me, enquanto estava certo que seria entregue...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Nem tinha a curiosidade de informar-me, pois estava certo que seria entregue...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da substituição dos dois-pontos por conjunção

Gabarito: letra A. A única alternativa que preserva a relação de explicação estabelecida pelos dois-pontos é a A, que emprega a conjunção explicativa "pois".

No trecho:

"Nem tinha a curiosidade de informar-me: estava certo que seria entregue a um professor barbado e severo."

Os dois-pontos indicam que a oração seguinte explica o motivo de o narrador não ter curiosidade: ele já estava certo do que aconteceria. Portanto, a relação é de causa/explicação.

Relação de explicação (dois-pontos)
  • 1Conjunções explicativas
    • Pois (gabarito)
    • Porque
    • Que (explicativo)
  • 2Conjunções que NÃO preservam
    • Se (condicional)
    • Quando (temporal)
    • Enquanto (temporal/proporcional)
    • Entretanto (adversativa)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conjunção "pois" (no sentido explicativo, equivalendo a "porque") mantém a mesma relação: "Nem tinha a curiosidade de informar-me, pois estava certo..." – a oração introduzida explica a anterior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Se" é conjunção condicional, indicando hipótese. Substituir os dois-pontos por "se" altera o sentido para "caso estivesse certo", o que não corresponde à explicação original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Quando" é conjunção temporal, indicando momento. A frase "quando estava certo que seria entregue" passa ideia de tempo, não de explicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Entretanto" é conjunção adversativa, que marca oposição. Inseri-la criaria um contraste inexistente: a certeza não se opõe à falta de curiosidade; ao contrário, é a causa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Enquanto" é conjunção temporal ou proporcional, indicando simultaneidade ou duração. Não há no trecho ideia de tempo concomitante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato reconhece o valor semântico dos dois-pontos (explicação) e o relaciona corretamente à conjunção adequada. A armadilha está em confundir explicação com outras relações, como condição (B), tempo (C, E) ou oposição (D).

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