Comparação da língua a um elástico – interpretação do poema
Gabarito: D. O eu-lírico afirma que a língua, embora gasta pelo uso, não pode mais ser trocada e se tornou mais forte, contrariando a ideia comum de que coisas gastas devem ser substituídas. Essa leitura é sustentada diretamente pelos versos finais: “Um elástico que já não se pode / mais trocar, de tão gasto; / nem se arrebenta mais, de tão forte.”
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o desgaste se deve ao “mau uso” e a expressões que fogem à gramática clássica. O poema, porém, não emite juízo negativo; descreve o processo como natural: “se foi amaciando, foi-se tornando romântica, incorporando os termos nativos”. Não há menção a “mau uso” ou “retorcer”. Erro: extrapolação (fora_do_escopo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Atribui ao texto a defesa de “ações políticas” e “substituição de uma língua por outra”, o que jamais aparece no poema. A imagem do elástico espichado pelo mundo é metafórica, não política. Erro: extrapolação (fora_do_escopo).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o eu-lírico “ironiza concepções de língua como algo sólido” e “reconhece a possibilidade de desaparecimento”. O poema não contém ironia explícita e, ao contrário, afirma que a língua “não se arrebenta mais, de tão forte” – ou seja, torna-se resistente, não desaparece. Erro: generalização indevida (contradiz o texto).
Alternativa D — ✅ Correta ↔ GABARITO
A alternativa capta a ideia central dos dois últimos tercetos: o elástico está tão gasto que não se pode trocar, mas ao mesmo tempo ficou forte. O texto contraria a expectativa de que o desgaste leva à fragilidade; ao contrário, a língua se fortalece com as transformações. Verso comprobatório: “Um elástico que já não se pode / mais trocar, de tão gasto; / nem se arrebenta mais, de tão forte.”
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a língua “se mantém sempre ligada a seu lugar de origem”, mas o poema encerra com “que nunca volta ao ponto de partida” – exatamente o oposto. Não há contradição, e sim afirmação de mudança irreversível. Erro: contradiz o texto.