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Questão de Português — Intertextualidade — VUNESP 2023

PortuguêsIntertextualidade
Código
vu073117
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Santa Bárbara D'Oeste - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Biblioteconomista

Leia o texto para responder a questão.


    Uma analogia frequentemente usada para falar de divulgação científica descreve o cientista como um ser enclausurado em uma torre de marfim isolada do resto da sociedade. A metáfora costuma ser a deixa para defender que ele tem o dever de descer da torre ou construir pontes para compartilhar o conhecimento produzido na academia com o cidadão comum. Essa história sempre me pareceu estranha por retratar a pesquisa acadêmica como uma torre de marfim: uma estrutura sólida, robusta e imaculada.

    É óbvio que cientistas sabem algumas coisas com um grau muito alto de certeza. Computadores, celulares e bombas atômicas estão aí para provar o sucesso acachapante das leis da física em fazer previsões sobre a realidade. Da mesma forma, ninguém discutiria no meio médico que antibióticos são capazes de matar bactérias, ou que a insulina salvou a vida de milhões de diabéticos.

    Ao mesmo tempo, porém, quase um século de estudos sobre nutrição não conseguiu responder a questões básicas, como saber se é melhor basear uma dieta em carboidratos ou lipídeos. Décadas de investimento na neurobiologia dos transtornos mentais tiveram um impacto raso na saúde mental das populações. E os bilhões de dólares investidos em pesquisa básica sobre Alzheimer que se converteram em praticamente nada de útil na clínica? Em algumas áreas da ciência, ao menos, a tal torre de marfim está mais para um castelo de cartas.

    Os defensores da ciência serão rápidos em argumentar que o fracasso desses campos não se traduz necessariamente em uma mácula no currículo da pesquisa acadêmica. Alguns problemas são simplesmente difíceis, e é perfeitamente possível que, a qualquer momento, essas décadas de investimento em pesquisa comecem a trazer seu retorno para a sociedade.

    Minha impressão é de que a pesquisa acadêmica tem muitos pontos a serem melhorados – e minha intenção, mais do que a propagandear, é me debruçar sobre suas mazelas. Que ninguém pense, porém, que estou descendo da torre de marfim para fazê-lo. Pelo contrário, sempre estive falando ao rés do chão: se há alguma torre nessa história, meu intuito é ajudar a construí-la.


(Olavo Amaral. Torres de marfim, castelos de cartas e telhados de vidro. www.nexojornal.com.br, 23.08.2022. Adaptado)

Os exemplos apresentados no campo da nutrição, da neurobiologia e das pesquisas sobre o Alzheimer (3o parágrafo) servem no texto para
  1. Acorroborar o que se afirmou no parágrafo anterior.
  2. Breforçar o argumento de que a analogia se sustenta.
  3. Cenfatizar a fragilidade do que se considera inabalável
  4. Deximir a ciência de falhas e atrasos em seus resultados.
  5. Ecriar a ilusão de que a ciência cumpriu o seu papel.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — enfatizar a fragilidade do que se considera inabalável

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função dos exemplos no texto — fragilidade da torre de marfim

Gabarito: letra C. Os exemplos do 3º parágrafo (nutrição, neurobiologia, Alzheimer) servem para enfatizar a fragilidade do que se considera inabalável — ou seja, mostram que a metáfora da torre de marfim sólida não se sustenta em algumas áreas. A prova está na conclusão do próprio parágrafo:

"Em algumas áreas da ciência, ao menos, a tal torre de marfim está mais para um castelo de cartas."

O texto primeiro apresenta o sucesso da ciência (2º parágrafo) e depois, com o conectivo "Ao mesmo tempo, porém", introduz as falhas, para relativizar a ideia de uma estrutura robusta e imaculada. As alternativas A, B, D e E ou contradizem o texto ou extrapolam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os exemplos "corroboram o que se afirmou no parágrafo anterior". O parágrafo anterior (2º) fala de sucessos (física, medicina). Os exemplos do 3º são fracassos — logo, contradizem, não corroboram. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Reforçar o argumento de que a analogia se sustenta." A analogia inicial é a torre de marfim sólida. Os exemplos mostram que ela é "castelo de cartas" em algumas áreas — portanto, enfraquecem a analogia, não a reforçam. Erro: generalização indevida (inverte a direção do argumento).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como dito, o texto usa os exemplos para mostrar que, apesar dos sucessos, há áreas em que a ciência não correspondeu à expectativa, fragilizando a imagem da torre inabalável. O próprio texto diz: "a tal torre de marfim está mais para um castelo de cartas". Correta por sustentação literal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Eximir a ciência de falhas e atrasos." Os exemplos expõem falhas e atrasos ("não conseguiu responder a questões básicas", "impacto raso", "praticamente nada de útil"). Logo, não eximem; pelo contrário, apontam-nas. Erro: contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Criar a ilusão de que a ciência cumpriu o seu papel." Os exemplos mostram que em certas áreas não cumpriu o papel esperado (ausência de resultados práticos). É o oposto da ilusão de cumprimento. Erro: contradiz o texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar exemplos em um texto, sempre identifique a relação lógica com a ideia anterior (oposição, causa, conclusão, etc.). O conectivo "porém" no início do 3º parágrafo é a chave para perceber a oposição ao 2º parágrafo.

Gabarito: letra C.

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