Questão de Direito Constitucional — Advocacia — VUNESP 2023
Direito Constitucional›Advocacia
Código
vu073213
Banca
VUNESP
Órgão
Câmara de Tanabi - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Advogado
Fulano de Tal é advogado da Câmara do Município “X”. No exercício dessa função, lhe é solicitada a elaboração de parecer a respeito da constitucionalidade de uma proposição legislativa bastante popular no município e para a qual há suficiente apoio entre os parlamentares para a aprovação. Nesse cenário, o presidente da Câmara solicita a Fulano que o parecer seja favorável à constitucionalidade da lei, sob pena de não ser possível a sua aprovação. Com base nesta situação hipotética, é correto afirmar que, segundo o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):
Ao advogado tem por missão perseguir os interesses do seu cliente, que, no caso hipotético é a Câmara Municipal, motivo pelo qual Fulano de Tal deve atender à solicitação do presidente da Câmara.
BFulano de Tal tem total liberdade para decidir qual a opinião que será defendida em seu parecer, pois a independência técnica do advogado assegura que ele desenvolva o trabalho conforme as suas próprias convicções pessoais e moralidade.
Ccaso Fulano de Tal descumpra a solicitação que lhe foi apresentada pelo presidente da Câmara, poderá responder pelos prejuízos decorrentes de sua ação.
Dos advogados apenas respondem por suas opiniões técnicas quando atuem com dolo dirigido à finalidade de lesar terceiro, não sendo, portanto, relevante qual a opinião técnica que Fulano de Tal sustentará em seu parecer.
EFulano de Tal deve desenvolver o seu trabalho com independência, sem nenhum receio de desagradar a qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade.
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GabaritoE — Fulano de Tal deve desenvolver o seu trabalho com independência, sem nenhum receio de desagradar a qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade.
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Independência do Advogado (Estatuto da OAB)
Gabarito: letra E. O advogado deve exercer seu trabalho com independência técnica, sem se subordinar a autoridades ou clientes, e não pode ser coagido a emitir parecer contrário à sua convicção jurídica. Esse princípio está consagrado no art. 2º, §3º, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) e no art. 133 da Constituição Federal, que assegura a inviolabilidade do advogado por seus atos e manifestações no exercício da profissão.
A situação hipotética descreve uma pressão do presidente da Câmara para que o advogado emita parecer favorável, sob pena de inviabilizar a aprovação da lei. Nesse contexto, a independência profissional deve prevalecer sobre qualquer interesse político ou hierárquico.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o advogado deve perseguir os interesses do cliente (Câmara Municipal) e, portanto, atender à solicitação. Erro: confunde o dever de lealdade com subordinação. O advogado público, embora represente o ente público, não é subordinado às vontades do presidente ou dos parlamentares; sua obrigação é emitir parecer técnico imparcial, com base na lei e na ética, e não simplesmente acatar ordens que contrariem sua convicção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que Fulano tem "total liberdade" para decidir a opinião, pautando-se por convicções pessoais e moralidade. Erro: a independência é técnica, não absoluta. O advogado não pode agir segundo convicções pessoais arbitrárias, mas sim dentro dos limites da lei, da moral e da ética profissional. A liberdade é para exercer o juízo técnico, e não para impor opiniões pessoais desvinculadas do ordenamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que, se descumprir a solicitação, Fulano poderá responder por prejuízos. Erro: o descumprimento de uma ordem ilegal ou antiética não gera responsabilidade. O advogado que age de acordo com a lei e a ética não responde civilmente por não atender a pressão política. A responsabilidade surge apenas por atos dolosos ou culposos que causem dano, e não pelo exercício regular da independência técnica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os advogados apenas respondem por opiniões técnicas quando atuem com dolo dirigido a lesar terceiro. Erro: a inviolabilidade protege opiniões, mas não exclui responsabilidade por dolo ou culpa. O advogado responde por danos causados com dolo ou culpa, nos termos do art. 32 da Lei 8.906/94. A inviolabilidade não é absoluta a ponto de isentá-lo de responsabilidade por atos ilícitos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que Fulano deve desenvolver o trabalho com independência, sem receio de desagradar autoridade ou incorrer em impopularidade. Correta: reflete o princípio da independência profissional. O art. 2º, §3º, do Estatuto da OAB estabelece que "no exercício da profissão, o advogado é independente e não se subordina a qualquer autoridade, nem a seus clientes". Essa independência é essencial para a função de assessoramento jurídico, garantindo que o parecer reflita a análise técnica, e não pressões externas.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando aparecer pressão política sobre advogado público, lembre-se do princípio da independência técnica, que prevalece sobre interesses político-partidários. A banca costuma explorar a confusão entre lealdade ao cliente e subordinação hierárquica.