Questão de Estatística — Cálculo de Probabilidades — VUNESP 2023
- Código
- vu073588
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- DPE-SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Agente de Defensoria - Estatístico
- Afrequentista.
- Baxiomática.
- Cclássica.
- Dsubjetiva.
- Ebayesiana.
GabaritoA — frequentista.
Gabarito: letra A. A situação descrita — jogar uma moeda 1.000 vezes e anotar as frequências de cara e coroa para estimar as probabilidades — é o exemplo típico da abordagem frequentista (ou de frequência relativa), em que a probabilidade é aproximada pela razão entre o número de ocorrências do evento e o número total de repetições do experimento. Essa é a definição empírica de probabilidade, baseada na lei dos grandes números: quanto mais repetições, mais a frequência relativa se aproxima da probabilidade teórica.
A questão cobra a distinção entre as principais interpretações de probabilidade. Vamos a elas:
Frequentista (ou frequência relativa): a probabilidade é estimada a partir da observação repetida do fenômeno. É exatamente o que o enunciado descreve: lançar a moeda 1.000 vezes e contar os resultados. A fórmula é .
Clássica (ou teórica): a probabilidade é calculada a priori, supondo resultados igualmente prováveis. Para uma moeda honesta, seria , sem necessidade de lançamentos. A pegadinha aqui é que o enunciado não pergunta qual é a probabilidade teórica, mas sim qual abordagem está sendo usada ao lançar a moeda muitas vezes.
Subjetiva: baseada em opinião pessoal, conhecimento ou crença, sem experimentação.
Axiomática: é a formalização matemática de Kolmogorov, que define probabilidade por meio de axiomas (não negatividade, normalização e aditividade). Não é uma abordagem empírica.
Bayesiana: atualiza probabilidades a partir de informações prévias (prioris) e dados observados, usando o Teorema de Bayes. Embora também use dados, a essência é a combinação com crenças anteriores, o que não ocorre no enunciado.
A banca explora a confusão entre frequentista e clássica: o candidato pode pensar que, por ser uma moeda, a resposta seria "clássica". Mas o texto deixa claro que a probabilidade é verificada por meio de 1.000 lançamentos — ou seja, é uma estimativa empírica, não um cálculo teórico.
A abordagem frequentista define probabilidade como o limite da frequência relativa quando o número de repetições tende ao infinito. No caso, a moeda foi lançada 1.000 vezes e as frequências de cara e coroa foram anotadas para estimar as probabilidades. Isso é exatamente a aplicação da frequência relativa, conforme a lei dos grandes números.
A abordagem axiomática é a formalização matemática de probabilidade proposta por Kolmogorov, baseada em três axiomas: (1) a probabilidade de qualquer evento é um número não negativo; (2) a probabilidade do espaço amostral é 1; (3) para eventos mutuamente exclusivos, a probabilidade da união é a soma das probabilidades. Não envolve experimentação empírica, portanto não se aplica ao caso.
A abordagem clássica calcula a probabilidade a priori, supondo resultados igualmente prováveis. Para uma moeda honesta, seria , sem necessidade de lançamentos. O enunciado, porém, descreve a verificação empírica por meio de 1.000 lançamentos, o que caracteriza a abordagem frequentista, não a clássica. A pegadinha está em associar "moeda" automaticamente à abordagem clássica.
A probabilidade subjetiva é baseada em opinião, experiência ou crença pessoal, sem experimentação sistemática. No enunciado, há coleta de dados empíricos (1.000 lançamentos), o que afasta a subjetividade.
A abordagem bayesiana combina uma distribuição a priori (crença inicial) com a verossimilhança dos dados observados, atualizando a probabilidade por meio do Teorema de Bayes. Embora utilize dados, o enunciado não menciona nenhuma crença prévia nem atualização bayesiana — apenas a frequência observada. Portanto, não é bayesiana.
A banca tenta induzir o candidato a marcar "clássica" por associar moeda a resultados igualmente prováveis. Mas o enunciado diz explicitamente que a moeda foi lançada 1.000 vezes para verificar a probabilidade — isso é frequência relativa, não cálculo teórico. Fique atento: se o problema fala em repetir o experimento muitas vezes e contar resultados, a abordagem é frequentista.
Para diferenciar na prova, pergunte-se: "a probabilidade foi calculada antes (clássica) ou depois de observar os dados (frequentista)?" Se houver experimentação repetida, é frequentista. Se houver crença prévia atualizada por dados, é bayesiana. Se for opinião pura, é subjetiva. Se for definição por axiomas, é axiomática.
Gabarito: letra A.
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