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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2023

PortuguêsSintaxe
Código
vu073935
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Locutor Apresentador

Leia o texto para responder à questão. 



A imprensa nos tempos de Balzac



   Releio “Os jornalistas”, de Honoré de Balzac, ele-mesmo um escritor jornalista a apontar desvios da ética na imprensa de seu tempo. Com estilete do sarcasmo, indicou a prevalência de “lados da notícia”, a duração dos fatos nas páginas e escondimentos propositais. Beliscou a venalidade de articulistas franceses de meados do século 19. As ambições particulares se sobrepunham às carências coletivas; as impressoras se alocavam às conveniências individuais, governos, corporações ideológicas. Mostrou o jesuitismo artificial de colunistas cercados de bajuladores a aplaudi-los. Encenando imparcialidade, curvavam-se aos influentes e poderosos. Altissonantes, fingiam defender grandes causas, mormente as acenadas como modernas, libertárias.

   Sobre editores-proprietários-gerentes, Balzac foi ainda mais incisivo. Alinhavam-se ao sistema dominante cujo triunfo lhes interessava. E eram respeitados por temor. Viam na imprensa uma aplicação de capitais cujos juros lhes eram pagos em favores econômicos e autoridade. Quando unida às oposições, tinha consciência de que elas eram aferradas em tomar para si os anseios e necessidades sociais, sem que o cidadão comum lhes desse crédito.

      No estilo escrutínio da escola realista, palavras do livro se articulam para escancarar hipocrisias, falsidades. Alegando que os franceses tinham inclinação por tudo que é tedioso, caçoava duma categoria de redatores a chamá-los de “nadólogos”. Eram notários que falavam, falavam e nada diziam. Alcoviteiros da política, negociantes de frases, mostravam-se superiores, promoviam gracejos para admiração de colunistas severos. Mas estes se calavam ao ingressarem no serviço público. Lá se domesticavam a gozarem do silêncio de colegas na espera de convites e cargos.

    Irritado com os críticos de arte a não lhe darem sossego, Balzac apontou-lhes o dedo. Pintou-os como vaidosos, incultos, falaciosos que, sem talento para a arte, erguiam muralhas de censura das ideias. Para o autor, a crítica tinha apenas uma serventia: a sobrevivência dos críticos.

    Ficção e agudo exame da sociedade se mesclaram na obstinada defesa do bom jornalismo. Escreveu: “Se a imprensa não existisse, seria preciso inventá-la”. São mensagens que instigam raciocínios, convidam à reflexão. Mormente dos que buscam notícias isentas, o jornalismo amigo dos fatos.


(Romildo Sant’Anna. Diário da Região, 05.02.2023. Adaptado)

A alternativa em que a frase nominal é caracterizada por relação de subordinação entre um termo e seu complemento é:
  1. Aarticulistas franceses
  2. Bjesuitismo artificial
  3. Crespeitados por temor
  4. Dinclinação por tudo
  5. Egracejos para admiração
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — inclinação por tudo

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Identificação do Complemento Nominal em Frases Nominais

Gabarito: letra D. A questão pede a frase nominal em que há relação de subordinação entre um termo e seu complemento, ou seja, um complemento nominal. A única alternativa que apresenta essa estrutura é "inclinação por tudo" (D), pois "inclinação" é um substantivo abstrato que exige complemento regido pela preposição "por" para completar seu sentido.

Nas demais opções, temos:

  • A) articulistas franceses: substantivo + adjetivo (adjunto adnominal), não há complemento regido.

  • B) jesuitismo artificial: substantivo + adjetivo (adjunto adnominal).

  • C) respeitados por temor: particípio + adjunto adverbial de causa ("por temor" indica causa, não é complemento nominal).

  • E) gracejos para admiração: substantivo + adjunto adverbial de finalidade ("para admiração" indica finalidade).

1Complemento nominal
Substantivo abstrato + prep. exigida
Ex.: inclinação por tudo
2Adjunto adnominal
Substantivo + adjetivo
Ex.: articulistas franceses
3Adjunto adverbial
Particípio + adj. de causa
Ex.: respeitados por temor
Substantivo + adj. de finalidade
Ex.: gracejos para admiração
Frase nominal com complemento
LEVELsoulevel.com.br
Frase nominal com complemento: Complemento nominal (Substantivo abstrato + prep. exigida, Ex.: inclinação por tudo); Adjunto adnominal (Substantivo + adjetivo, Ex.: articulistas franceses); Adjunto adverbial (Particípio + adj. de causa, Ex.: respeitados por temor, Substantivo + adj. de finalidade, Ex.: gracejos para admiração)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"articulistas franceses" é formada por um substantivo ("articulistas") e um adjetivo ("franceses"); o adjetivo funciona como adjunto adnominal, caracterizando o substantivo. Não há complemento nominal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"jesuitismo artificial" segue a mesma estrutura: substantivo + adjetivo. "Artificial" é adjunto adnominal, não complemento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"respeitados por temor": "respeitados" é um particípio (forma nominal do verbo) e "por temor" é um adjunto adverbial de causa; não há complemento nominal.

Alternativa D — ✅ Correta

"inclinação por tudo": o substantivo "inclinação" exige um complemento regido pela preposição "por" (quem tem inclinação, tem inclinação por algo). Trata-se de complemento nominal, termo integrante subordinado ao nome.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"gracejos para admiração": a preposição "para" indica finalidade; "para admiração" é adjunto adverbial, não complemento nominal.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar complemento nominal, verifique se o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exige preposição para completar seu sentido — a preposição é determinada pela regência do nome.

Conclusão: Apenas a alternativa D apresenta complemento nominal. As demais contêm adjuntos adnominais ou adverbiais.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra D

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