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Questão de Português — Regência — VUNESP 2023

PortuguêsRegência
Código
vu074342
Banca
VUNESP
Órgão
PC-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Investigador de Polícia
A fuga da autoridade adulta

       Eu estava falando em uma conferência em Nova Iorque durante o verão de 2016 quando descobri o termo “adultar”. Tomava um drinque em um bar quando vi um jovem na casa dos 30 usando uma camiseta que dizia “Chega de adultar por hoje”. Depois, entrevistei uma mulher cuja camiseta transmitia uma mensagem simples: “Adultar é cruel!”.
       Caso você não esteja familiarizado com a palavra, adaptada do inglês “adulting”, adultar é definido como “a prática de se comportar do modo característico de um adulto responsável, especialmente na realização de tarefas mundanas, mas necessárias”. A palavra é usada para transmitir uma conotação negativa em relação às responsabilidades associadas à vida adulta. E sugere que, dada a oportunidade, qualquer mulher ou homem sensato na casa dos 30 preferiria não adultar, e evitar o papel de um adulto.
          A tendência de retratar a vida adulta como uma conquista excepcionalmente difícil que precisa ser ensinada coexiste com uma sensação palpável de desencanto com o status de adulto. Em tudo além do nome a vida adulta se tornou desestabilizada, a ponto de ter se tornado alvo de escárnio e, para muitos, uma identidade indesejada. Não surpreende que adultar seja uma atividade que muitos indivíduos biologicamente maduros só estejam preparados para desempenhar em tempo parcial.
         O corolário da idealização do adultamento em regime parcial é o desmantelamento da autoridade adulta. O impacto corrosivo da perda da autoridade adulta no desenvolvimento dos jovens foi uma grande preocupação para a filósofa política Hannah Arendt. Escrevendo nos anos 1950, Arendt chamou atenção para o “colapso gradual da única forma de autoridade” que existiu em “todas as sociedades conhecidas historicamente: a autoridade dos pais sobre filhos, dos professores sobre os alunos e, em geral, dos mais velhos sobre os mais novos”. Setenta anos depois, a desautorização da vida adulta se tornou amplamente celebrada na cultura popular ocidental. Em vez de se preocupar com as consequências da erosão da autoridade adulta, esse desenvolvimento é visto como positivo por partes da mídia, que acreditam que pessoas crescidas têm muito pouco a ensinar às crianças.

(Frank Furedi, revistaoeste.com. 24.07.2020. Adaptado)
Assinale a alternativa que, de acordo com a norma-padrão de regência, dá sequência ao enunciado:Qualquer homem ou mulher
  1. Aconsentiria de permanecer adolescente, sem deveres aos quais assumir.
  2. Baspiraria a não adultar para evitar obrigações a que se prender.
  3. Cpreferiria não adultar do que assumir deveres nos quais todos estão sujeitos.
  4. Dassistiria feliz o fim da autoridade da qual nunca depositou confiança.
  5. Evisaria menos deveres e obrigações dos quais se preocupar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — aspiraria a não adultar para evitar obrigações a que se prender.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal – Norma-padrão

Gabarito: letra B. A alternativa B respeita integralmente as regências exigidas pela norma-padrão: o verbo "aspirar" rege preposição "a" ("aspiraria a não adultar") e o verbo "prender-se" também rege "a" ("obrigações a que se prender"). As demais alternativas apresentam desvios de regência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa o conhecimento das regências dos verbos mais comuns em concursos: "consentir" (rege "em", não "de"), "preferir" (rege "a", não "do que"), "assistir" (no sentido de presenciar, rege "a"), "visar" (no sentido de objetivar, rege "a"), e "preocupar-se" (rege "com"). Fique atento às preposições corretas.

PEGA ESSA DICA!

Decore as regências dos verbos que mais aparecem em provas: aspirar (a), assistir (a), visar (a), preferir (a), consentir (em), etc. O pronome relativo deve portar a preposição exigida pelo verbo da oração subordinada.

Regência (norma-padrão)
  • 1Verbos frequentes
    • Aspirar (desejar) → a
    • Assistir (presenciar) → a
    • Visar (objetivar) → a
    • Preferir → a (nunca "do que")
    • Consentir → em
    • Preocupar-se → com
    • Depostar → em
  • 2Pronome relativo
    • Deve portar a preposição do verbo
    • Ex.: "obrigações a que se prender"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O verbo "consentir" rege a preposição em (consentir em algo), não "de". Assim, "consentiria de permanecer" é inadequado. Além disso, "sem deveres aos quais assumir": o verbo "assumir" é transitivo direto, não exige preposição; o correto seria "deveres que assumir".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aspiraria a não adultar": o verbo "aspirar" (no sentido de desejar) exige preposição "a" — uso correto. "Obrigações a que se prender": o verbo "prender-se" rege a preposição "a", e o pronome relativo "que" está corretamente introduzido por ela. Construção perfeita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A forma padrão do verbo "preferir" é preferir algo a algo (com preposição "a"), e não "preferir... do que". A construção "preferiria não adultar do que assumir" é rejeitada pela norma culta. O correto seria "preferiria não adultar a assumir".

Alternativa D — ❌ Incorreta

O verbo "assistir" no sentido de "presenciar" rege a preposição a (assistir a algo). "Assistiria feliz o fim" está sem a preposição, portanto errado. Já "autoridade da qual nunca depositou confiança": o verbo "depositar" rege a preposição em (depositar confiança em alguém); o correto seria "na qual" ou "em que".

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo "visar" no sentido de "objetivar" exige preposição a (visar a algo). "Visaria menos deveres" está sem a preposição. Além disso, "dos quais se preocupar": o verbo "preocupar-se" rege a preposição com (preocupar-se com algo); o correto seria "com os quais".

Conclusão: Apenas a alternativa B respeita a regência padrão. Gabarito: letra B.

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