Questão de Português — Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. — VUNESP 2023
Português›Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
Código
vu074356
Banca
VUNESP
Órgão
PC-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Investigador de Polícia
Um dos recursos de que se vale o eu lírico para produzir efeitos de sentido poéticos consiste em
Adeclinar de seu ofício de poeta, ao se identificar com a dificuldade de Baudelaire de criar antíteses.
Btratar a poesia como projeto de contestação da linguagem, por meio do emprego de termos em desuso na língua.
Cexpressar sua subjetividade por meio de referências à dificuldade do ofício de ser poeta, de modo a dar-lhe ares de importância.
Dapresentar recriações, tais como a conjugação de substantivos, as quais ele chama de delírios verbais.
Epropor ao leitor uma releitura do conceito de poesia, empregando verbos e adjetivos fora de contexto.
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GabaritoD — apresentar recriações, tais como a conjugação de substantivos, as quais ele chama de delírios verbais.
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Recursos poéticos em Manoel de Barros
Gabarito: letra D. O eu lírico vale-se de recriações linguísticas — como transformar substantivos em verbos (ex.: "a sensatez me absurda") — que ele mesmo chama de “delírios verbais”. Esse expediente é explicitamente nomeado no poema: “Os delírios verbais me terapeutam”. A alternativa D capta exatamente esse recurso: apresentar recriações, como a conjugação de substantivos, denominadas delírios verbais.
O poema inteiro é um exemplo de função poética: a mensagem é construída de forma criativa, com neologismos, inversões e associações inesperadas. O eu lírico não declina do ofício (como sugere A), nem emprega termos em desuso para contestar a linguagem (B), nem busca dar ares de importância à dificuldade de ser poeta (C), nem propõe uma releitura ampla do conceito de poesia (E). O foco está no próprio ato de criar novas formas linguísticas.
NÃO CAIA NESSA!
Cuidado com generalizações. As alternativas A, B, C e E tocam em aspectos periféricos (dificuldade do poeta, contestação, subjetividade, releitura) que até estão presentes no texto, mas não são o recurso central que a questão pede. A chave é identificar que o texto nomeia o recurso usado: "delírios verbais".
Alternativa
Descrição do Recurso
Relação com o Texto
Função da Linguagem Predominante
Correção
A
Declinar do ofício de poeta ao se identificar com a dificuldade de Baudelaire
O eu lírico se identifica, mas não declina do ofício; ele continua fazendo poesia
Poética (criação)
❌ Incorreta
B
Contestar a linguagem com termos em desuso
Não há arcaísmos; há neologismos e usos incomuns, mas não termos desusados
Metalinguística (reflexão sobre a linguagem)
❌ Incorreta
C
Expressar subjetividade para dar ares de importância à dificuldade do ofício
O texto trata a dificuldade como fato, sem tom de engrandecimento
Emotiva (expressão do eu)
❌ Incorreta
D
Apresentar recriações (conjugação de substantivos) chamadas de “delírios verbais”
O poema nomeia explicitamente o recurso: “Os delírios verbais me terapeutam”
Poética (criação de novas formas linguísticas)
✅ Correta
E
Propor releitura do conceito de poesia com verbos e adjetivos fora de contexto
O foco não é uma releitura ampla, mas a criação de neologismos e associações inesperadas
Metalinguística / Poética
❌ Incorreta
Alternativa A — ❌ Incorreta
O eu lírico identifica-se com a dificuldade de Baudelaire em criar antíteses, mas isso não significa que decline do ofício de poeta. Pelo contrário, ele está fazendo poesia ao mencionar essa referência. A alternativa extrapola: atribui uma renúncia que não ocorre.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há evidência de que o poema use termos em desuso (arcaísmos). Palavras como "inconexo", "absurda" (verbo) ou "terapeutam" são neologismos ou usos incomuns, mas não necessariamente desusados. Além disso, o recurso principal não é "contestar a linguagem", e sim recriá-la ludicamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O eu lírico expressa subjetividade e fala da dificuldade do ofício, mas não para “dar-lhe ares de importância” — isso é um juízo externo. O texto trata a dificuldade como fato, sem tom de engrandecimento. A alternativa confunde tema com recurso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Perfeita. O poema diz: “Os delírios verbais me terapeutam”. E de fato o eu lírico conjuga substantivos como verbos (ex.: “a sensatez me absurda” — “absurda” não é verbo padrão; é uma criação a partir do substantivo “absurdo”). Essas recriações são o recurso poético por excelência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Propor ao leitor uma releitura do conceito de poesia” é vago e não se sustenta como recurso específico. O texto não está definindo poesia, mas praticando-a com invenções linguísticas. A alternativa tangencia o tema.
Conclusão: A única alternativa que identifica o recurso concreto e nomeado no texto é a letra D. As demais ou extrapolam, ou confundem tema com recurso, ou introduzem juízos alheios ao poema.