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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu074428
Banca
VUNESP
Órgão
PM-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Soldado
O chá, os fantasmas, os ventos encanados

        Nasci no tempo dos ventos encanados, quando, para evitar compromissos, a gente dizia estar com enxaqueca, palavra horrível mas desculpa distinta. Ter enxaqueca não era para todos, mas só para essas senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado. Quando eu via aquilo, ficava a pensar sozinho comigo (menino, naquele tempo, não dava opinião) por que é que elas não usavam, para cúmulo da elegância, um laçarote azul no dedo...

        Também se falava misteriosamente em “moléstias de senhoras” nos anúncios farmacêuticos que eu lia. Era decerto uma coisa privativa das senhoras, como as enxaquecas, pois as criadas, essas, não tinham tempo para isso. Mas, em compensação, me assustavam deliciosamente com histórias de assombração. Nunca me apareceu nenhuma.

        Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicar-me com este nem com o outro mundo. A não ser através d’O tico-tico e da poesia de Camões, do qual até hoje me assombra este verso único: “Que o menor mal de tudo seja a morte!”

        Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo.

(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013. Adaptado)
Para o narrador, a verdadeira poesia permite-lhe
  1. Acompreender sua pequeneza ante Camões.
  2. Binteragir com este e com o outro mundo.
  3. Centender as moléstias de senhoras.
  4. Devitar as histórias de suas criadas.
  5. Eser tão elegante como as senhoras.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — interagir com este e com o outro mundo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A verdadeira poesia como meio de comunicação

Gabarito: letra B. O narrador afirma, no último parágrafo, que "a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo". Logo, a alternativa B é a que corresponde exatamente a essa ideia.

A questão pede o que a verdadeira poesia permite ao narrador, conforme o texto — trata-se de compreensão explícita (recorrência). A resposta está literalmente no final.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto menciona Camões e um verso que assombra o narrador, mas não diz que a poesia o faz "compreender sua pequeneza". Essa é uma extrapolação: o texto não sustenta essa conclusão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo."

A passagem autoriza integralmente a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O narrador trata das "moléstias de senhoras" como algo misterioso e que não compreendia. A poesia não é relacionada a entender essas moléstias; está fora do escopo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As histórias de assombração são contadas pelas criadas, mas o narrador diz que nunca lhe apareceu nenhuma. A poesia não serve para "evitar" essas histórias — nem há essa relação no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A elegância das senhoras é retratada com ironia (dedo mindinho espichado). A poesia não proporciona elegância; o texto não associa esses elementos.

Conclusão: A única alternativa amparada pelo texto é a B.

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