Interpretação do poema "Ogiva"
Gabarito: letra D. O eu-lírico afirma que "Armar um poema requer lógica" e, logo depois, "Armar um poema é sempre forma / de amar o poema". Portanto, a lógica exigida para compor o poema não se opõe ao sentimento (o amor pelo poema). A alternativa D parafraseia exatamente essa não oposição.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Armar um poema requer lógica. / Uma lógica secreta"
O poema menciona lógica, mas não a equipara ao raciocínio matemático nem afirma que o efeito no leitor seja idêntico ao da matemática. A comparação com a matemática é uma extrapolação: o texto não autoriza essa aproximação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Armar um poema é sempre forma / de amar o poema / que o leitor, ao final, / amando-o também, / tentará eternamente, / e sem sucesso, / desarmar."
O amor pela poesia não é exclusivo dos poetas: o leitor também ama o poema ("amando-o também"). A alternativa restringe indevidamente o amor apenas aos poetas, o que contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os termos "armar" e "ogiva" são usados em sentido metafórico (construir o poema / a estrutura do poema). Não há crítica ao poder destrutivo da poesia; o tom é de exaltação e mistério, não de denúncia. A alternativa acrescenta uma opinião (crítica destrutiva) que não está no poema.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Armar um poema requer lógica. / Uma lógica secreta" "Armar um poema é sempre forma / de amar o poema"
O verbo "armar" é usado para a composição poética, que exige lógica (racionalidade) e ao mesmo tempo é forma de amar (sentimento). Lógica e sentimento não se excluem; a alternativa capta essa convivência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"tentará eternamente, / e sem sucesso, / desarmar"
Quem tenta desarmar o poema é o leitor, não os poetas. Os poetas são os que armam (compõem). A alternativa inverte os papéis e ainda inventa o propósito de "proteger os leitores de seus efeitos", que não aparece no poema.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a D.