Questão de Português — Pronomes relativos — VUNESP 2023
Português›Pronomes relativos
Código
vu075347
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Palmas - TO
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Guarda Metropolitano
A rota dos falsários
O primeiro derrame de dinheiro falso no Brasil, em grande
escala, teve como ponto central de distribuição o Rio Grande
do Sul. Isso aconteceu em meados do século XIX. No dia 10
de agosto de 1843, o Ministro da Fazenda Joaquim Francisco
Viana determinou, em ofício reservado, ao presidente do Rio
Grande do Sul, Barão de Caxias, que estabelecesse séria
vigilância sobre as cargas e os passageiros dos navios procedentes de Portugal.
Segundo informações seguras, lá estavam fabricando
dinheiro falso brasileiro em volumes assustadores. E esse
dinheiro estava sendo trazido para o Brasil pelos navios que
atracavam no porto de Rio Grande, evitando assim os rigores da alfândega do Rio de Janeiro.
Diante da delicada situação, as autoridades rio-grandenses trataram de montar um rigoroso esquema de vigilância.
Apesar dos esforços e da dedicação dos agentes fiscais,
nada se descobria nas cargas nem nos passageiros. Por
ordem oficial, os volumes eram abertos a bordo dos navios,
antes mesmo de serem descarregados. E os passageiros,
por sua vez, eram também revistados a bordo, minuciosamente.
Enquanto isso, o dinheiro falso continuava chegando ao
Rio Grande do Sul e daí se espalhando para o resto do Brasil.
Até então os fiscais concentravam as revistas somente nas
cargas sólidas, mas quando resolveram revistar também as
cargas líquidas tiveram uma tremenda surpresa. O dinheiro
falso estava chegando ao porto de Rio Grande dentro de
barris de vinho, acondicionado em latas vedadas com resina
e bem fixadas no fundo dos barris, para evitar que fossem
percebidas quando os barris eram sacudidos.
Apesar de ter sido descoberta a trapaça, os nomes dos
trapaceiros foram mantidos em sigilo, possivelmente para
preservar a imagem de alguns figurões da época. Aliás, um
procedimento ainda em voga nos dias de hoje.
(Eloy Terra, 550 anos: crônicas pitorescas da história do Brasil. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o enunciado está reescrito, nos colchetes, empregando pronomes para substituir o trecho destacado, de acordo com a norma-padrão.
A... quando resolveram revistar também as cargas líquidas... [revistar-lhes]
B... os fiscais concentravam as revistas somente nas cargas sólidas. [concentravam elas]
C... lá estavam fabricando dinheiro falso brasileiro [fabricando-o]
D... evitando assim os rigores da alfândega [evitando-nos]
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GabaritoC — ... lá estavam fabricando dinheiro falso brasileiro [fabricando-o]
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Substituição por pronome oblíquo átono — norma-padrão
Gabarito: C. A única reescritura que respeita a norma-padrão de uso dos pronomes oblíquos átonos é a alternativa C, pois "o" substitui corretamente o objeto direto "dinheiro falso brasileiro" no trecho "lá estavam fabricando dinheiro falso brasileiro".
O comando exige que o trecho destacado seja substituído por um pronome conforme a norma-padrão. Isso envolve:
Saber usar os pronomes oblíquos átonos: o, a, os, as (objeto direto) e lhe, lhes (objeto indireto).
Conhecer as alterações fonéticas: após verbos terminados em R, S, Z, o pronome assume as formas lo, la, los, las; após som nasal (M, ÃO, ÕE), assume no, na, nos, nas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Trecho: "... quando resolveram revistar também as cargas líquidas..." → [revistar-lhes]
"...quando resolveram revistar também as cargas líquidas..." (texto)
"Revistar" é verbo transitivo direto — "as cargas líquidas" é objeto direto. O pronome adequado seria as (ou revistá-las, por terminação em R). "Lhes" é pronome de objeto indireto (equivale a "a elas"), incorreto aqui. Erro: troca de pronome de objeto direto por indireto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Trecho: "... os fiscais concentravam as revistas somente nas cargas sólidas." → [concentravam elas]
"...os fiscais concentravam as revistas somente nas cargas sólidas" (texto)
"Elas" é pronome pessoal do caso reto, não pode ser usado como complemento verbal. O correto seria concentravam-nas (objeto direto, após verbo terminado em M). Erro: uso de pronome reto em função de objeto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Trecho: "... lá estavam fabricando dinheiro falso brasileiro" → [fabricando-o]
"Dinheiro falso brasileiro" é objeto direto, masculino singular. O pronome o substitui corretamente, e o verbo no gerúndio não exige alteração fonética ("fabricando-o" mantém a forma). Opção plenamente de acordo com a norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Trecho: "... evitando assim os rigores da alfândega" → [evitando-nos]
"...evitando assim os rigores da alfândega" (texto)
"Os rigores" é objeto direto, masculino plural. O pronome deveria ser os (ou evitando-os). "Nos" é pronome de primeira pessoa do plural ("a nós"), completamente fora do contexto. Erro: pronome de pessoa inadequado (1ª pessoa x 3ª pessoa).
PEGA ESSA DICA!
Antes de escolher, identifique a função sintática do termo a ser substituído: se é objeto direto, use o/as (com alterações); se é indireto, use lhe/lhes. Nunca use pronomes retos como complemento.