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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2023

MedicinaNeurologia
Código
vu076712
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Pindamonhangaba - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico Ambulatorial em Clínicas Básicas e Especialidades - Neuropediatra
Paciente do sexo masculino, 3 anos, iniciou aos 12 meses com crises epilépticas. Inicialmente eram crises febris prolongadas e, após o segundo aniversário, passou a ter crises também sem febre e os eventos se tornaram muito frequentes, com crises mioclônicas e ausências atípicas, muitas vezes desencadeadas por calor. Nesse período, foi observada também regressão do desenvolvimento neurológico. A ressonância de crânio é normal e o eletroencefalograma mostra desorganização da atividade de base e atividade epileptiforme multifocal. Esse fenótipo é geralmente relacionado ao gene
  1. ASCN1A.
  2. BMECP2.
  3. CTSC1.
  4. DARX.
  5. ESYNGAP1.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — SCN1A.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Dravet: fenótipo clínico e genética

Gabarito: letra A. O quadro descrito — crises febris prolongadas no primeiro ano de vida, evolução para epilepsia refratária com crises mioclônicas e ausências atípicas, regressão do neurodesenvolvimento, EEG com atividade epileptiforme multifocal e RM normal — é o fenótipo clássico da síndrome de Dravet, causada em 70–80% dos casos por mutações no gene SCN1A, que codifica a subunidade alfa-1 do canal de sódio controlado por voltagem.

A síndrome de Dravet (anteriormente denominada epilepsia mioclônica grave do lactente) é uma encefalopatia epiléptica e do desenvolvimento de causa genética. O reconhecimento precoce é crucial porque o tratamento difere: fármacos bloqueadores dos canais de sódio (lamotrigina, fenitoína, carbamazepina) podem piorar as crises, enquanto valproato, topiramato, levetiracetam e benzodiazepínicos são mais eficazes. A história típica começa com uma crise tônico-clônica febril prolongada (frequentemente após doença febril ou vacinação) em uma criança com desenvolvimento prévio normal, seguida de crises afebris recorrentes, incluindo estado de mal epiléptico, e deterioração cognitiva e motora progressiva. O EEG pode mostrar padrões focais e generalizados, e a ressonância magnética costuma ser normal, como no caso.

A distinção entre as síndromes epilépticas genéticas é um dos pontos mais cobrados em neurologia pediátrica. A síndrome de Dravet se destaca por três características: (1) início no primeiro ano de vida com crise febril prolongada; (2) epilepsia refratária com múltiplos tipos de crises (mioclônicas, ausências atípicas, hemiclônicas, tônico-clônicas); (3) regressão do neurodesenvolvimento após o início das crises. O gene SCN1A é o principal responsável, e a confirmação genética é importante para orientar o tratamento e o aconselhamento genético.

A pegadinha da banca está em associar o fenótipo descrito a outras condições genéticas com apresentações distintas. Por exemplo, a síndrome de Rett (MECP2) afeta predominantemente meninas e cursa com regressão do desenvolvimento, mas não tem crises febris prolongadas como característica inicial; a esclerose tuberosa (TSC1) apresenta lesões cutâneas e hamartomas em múltiplos órgãos; o gene ARX está associado a malformações cerebrais e epilepsia com deficiência intelectual, mas não ao padrão específico de crises febris prolongadas; e o SYNGAP1 causa deficiência intelectual com epilepsia, mas o fenótipo é diferente.

Guarde o critério decisivo: crise febril prolongada no primeiro ano + epilepsia refratária com múltiplos tipos de crises + regressão do desenvolvimento + EEG multifocal + RM normal = síndrome de Dravet (SCN1A). É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Síndrome de Dravet
  • 1Fenótipo clássico
    • Crise febril prolongada no 1º ano
    • Epilepsia refratária (mioclônicas, ausências atípicas)
    • Regressão do neurodesenvolvimento
    • EEG multifocal + RM normal
  • 2Genética
    • SCN1A (70–80%)
    • Canal de sódio voltagem-dependente
  • 3Tratamento
    • Evitar bloqueadores de canal de sódio
    • Valproato, topiramato, levetiracetam, BZD
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta. O gene SCN1A codifica a subunidade alfa-1 do canal de sódio controlado por voltagem, e mutações nesse gene são responsáveis por 70–80% dos casos de síndrome de Dravet. O fenótipo descrito no enunciado — crises febris prolongadas no primeiro ano, evolução para epilepsia refratária com crises mioclônicas e ausências atípicas, regressão do neurodesenvolvimento, EEG com atividade epileptiforme multifocal e RM normal — é a apresentação clássica dessa síndrome. O reconhecimento é fundamental porque o tratamento com bloqueadores de canais de sódio pode piorar as crises, enquanto outros fármacos são mais eficazes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta. O gene MECP2 está associado à síndrome de Rett, que afeta predominantemente meninas e cursa com regressão do desenvolvimento, perda de habilidades manuais e da fala, mas não apresenta crises febris prolongadas como característica inicial. O fenótipo descrito no enunciado é de síndrome de Dravet, não de Rett.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta. O gene TSC1 está associado à esclerose tuberosa, uma síndrome neurocutânea caracterizada por hamartomas em múltiplos órgãos, lesões cutâneas (manchas hipocrômicas, angiofibromas), epilepsia e deficiência intelectual. O quadro descrito não apresenta as manifestações cutâneas e viscerais típicas da esclerose tuberosa, e a RM normal não é compatível com os hamartomas corticais e subependimários característicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta. O gene ARX está associado a malformações cerebrais (como lissencefalia e agenesia do corpo caloso) e epilepsia com deficiência intelectual, mas não ao padrão específico de crises febris prolongadas no primeiro ano de vida seguido de epilepsia refratária com múltiplos tipos de crises. O fenótipo descrito é de síndrome de Dravet.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta. O gene SYNGAP1 está associado a deficiência intelectual com epilepsia, mas o fenótipo é diferente: geralmente cursa com atraso do desenvolvimento desde o início, crises de ausência e mioclônicas, mas não apresenta crises febris prolongadas como característica inicial nem a evolução típica da síndrome de Dravet. O quadro descrito é de síndrome de Dravet.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as síndromes epilépticas genéticas, foque no padrão de início e nas características associadas. A síndrome de Dravet é a única que combina crise febril prolongada no primeiro ano, epilepsia refratária com múltiplos tipos de crises e regressão do desenvolvimento. Memorize os genes principais: SCN1A (Dravet), MECP2 (Rett), TSC1/TSC2 (esclerose tuberosa), ARX (malformações), SYNGAP1 (deficiência intelectual com epilepsia).

Gabarito: letra A

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