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Questão de Direito Penal — Crimes contra a incolumidade pública — VUNESP 2023

Direito PenalCrimes contra a incolumidade pública
Código
vu077322
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Piracicaba - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Procurador Jurídico
Com relação aos crimes contra a incolumidade pública, é correto afirmar que
  1. Ao crime de incêndio, na modalidade culposa, é crime de menor potencial ofensivo, de competência dos Juizados Especiais Criminais, estando sujeito à transação penal, nos termos da Lei nº 9.099/95.
  2. Bno crime de epidemia, o sujeito tem a intenção de ofender o corpo social, e não de atingir uma pessoa individualmente considerada. Se a intenção for atingir uma pessoa em determinado, causando-lhe a morte, então o sujeito responderá pelo crime de epidemia, com a causa de aumento, prevista no artigo 267, § 1º , do Código Penal.
  3. Cpara a configuração dos crimes de envenenamento de água potável e corrupção ou poluição de água potável, é necessário que o sujeito tenha a intenção de atingir alguém em específico com sua ação.
  4. Do delito de omissão de notificação de doença constitui-se em lei penal em branco, e admite tentativa.
  5. Eo crime de fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica é próprio dos farmacêuticos.
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GabaritoA — o crime de incêndio, na modalidade culposa, é crime de menor potencial ofensivo, de competência dos Juizados Especiais Criminais, estando sujeito à transação penal, nos termos da Lei nº 9.099/95.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crimes contra a incolumidade pública

Gabarito: letra A. O crime de incêndio na modalidade culposa tem pena máxima de 2 anos, enquadrando-se como infração de menor potencial ofensivo (Lei 9.099/95, art. 61), sendo competência dos Juizados Especiais Criminais e admitindo transação penal. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de tipificação.

A banca testa o conhecimento sobre a classificação das infrações penais de menor potencial ofensivo e a distinção entre crimes de perigo comum e crimes contra a vida.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Lei 9.099/95 considera infrações de menor potencial ofensivo as contravenções e os crimes com pena máxima não superior a 2 anos. O incêndio culposo (art. 250, §2º do CP) tem pena de detenção de 6 meses a 2 anos, portanto se submete aos Juizados Especiais Criminais e admite transação penal. Não há óbice legal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A epidemia (art. 267 do CP) é crime de perigo comum, em que o agente visa criar um risco à coletividade. Se a intenção é matar uma pessoa determinada, o crime será de homicídio, não de epidemia. O §1º do art. 267 aumenta a pena em dobro se da epidemia resulta morte, mas não se aplica quando a morte é o objetivo específico do agente. A alternativa inverte o entendimento.

Art. 267, §1CP

Art. 267 — Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos: Pena - reclusão, de dez a quinze anos.

§ 1º — Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao aplicar a majorante do §1º como se fosse aplicável quando o agente tem intenção de matar alguém. Na verdade, se o agente quer matar pessoa determinada, responde por homicídio; a majorante só incide se a morte decorre da epidemia, independentemente da intenção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os crimes de envenenamento de água potável (art. 270) e corrupção ou poluição de água potável são crimes de perigo comum, que tutelam a incolumidade pública. Não exigem dolo específico de atingir pessoa determinada; basta o dolo de criar perigo para número indeterminado de pessoas. A alternativa exige uma intenção individualizada que não é necessária para a consumação.

Art. 270CP

Art. 270 — Envenenar água potável, de uso comum ou particular, ou substância alimentícia ou medicinal destinada a consumo: Pena - reclusão, de dez a quinze anos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O crime de omissão de notificação de doença (art. 268) é um crime omissivo próprio, de mera conduta. Lei penal em branco? Sim, pois depende de complementação por ato do poder público. Porém, não admite tentativa, pois a conduta omissiva é instantânea: ou o agente notifica no prazo, ou pratica o crime consumado. A tentativa é incompatível com crimes omissivos próprios.

Art. 268CP

Art. 268 — Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O crime de fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica (art. 280 do CP) é crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, não apenas por farmacêuticos. A alternativa restringe indevidamente o sujeito ativo.

Conclusão: Apenas a alternativa A está correta.

MNEMÔNICO
CCHOUP (Quem nunca tomou cchoup na faculdade?)
CContravenções (art. 4º da LCP)CCulposos (imprudência, imperícia e negligência)HHabituais (arts. 229, 230, 284)OOmissivos próprios (art. 135 CP)UUnissubsistentes (injúria verbal)PPreterdolosos (dolo+culpa, art. 129 §3º CP)
Crimes que não admitem tentativa

Gabarito: letra A.

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