Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2023
- Código
- vu077633
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Prefeitura de Sorocaba - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Fisioterapeuta I
- AMonoplegia.
- BHemiplegia.
- CParaplegia.
- DTetraplegia.
- EDiplegia.
GabaritoE — Diplegia.
Gabarito: letra E. O caso descrito — acometimento simétrico de membros, podendo ser braquial (membros superiores) ou crural (membros inferiores) — corresponde à diplegia, que se define justamente pela paralisia de partes simétricas do corpo, em contraste com a paraplegia, que atinge ambos os membros inferiores, e com a tetraplegia, que acomete os quatro membros. A distinção central está na simetria e na distribuição dos membros afetados, critério que a alternativa E espelha com precisão.
A classificação das paralisias conforme a topografia é um pilar da semiologia neurológica e da propedêutica médica. O termo "plegia" (do grego plēgē, golpe) designa paralisia completa, enquanto "paresia" indica fraqueza parcial. Os prefixos indicam a extensão e a localização do acometimento: mono (um membro), hemi (metade do corpo), para (ambos os membros inferiores, ou, menos comumente, ambos os superiores), tetra (quatro membros) e di (partes simétricas, geralmente ambos os membros de um mesmo segmento, como os dois braços ou as duas pernas).
A diplegia é um termo mais específico e frequentemente confundido com a paraplegia. Na paraplegia, há paralisia de ambos os membros inferiores, tipicamente por lesão medular torácica ou lombar. Na diplegia, o acometimento é simétrico, mas pode envolver tanto os membros superiores (diplegia braquial) quanto os inferiores (diplegia crural), ou ainda os quatro membros com predomínio simétrico — como ocorre na paralisia cerebral, em que a diplegia espástica é a forma mais comum, com maior comprometimento dos membros inferiores. O enunciado explicita essa possibilidade ao mencionar "podendo ser braquial ou crural", o que afasta a paraplegia (restrita aos membros inferiores) e a tetraplegia (que exige acometimento dos quatro membros, sem a ênfase na simetria segmentar).
Na prática clínica, o raciocínio diante de uma fraqueza muscular aguda bilateral segue um fluxo: primeiro, confirma-se a fraqueza ao exame físico (escala MRC); depois, verifica-se se há sinais de neurônio motor superior ou inferior; em seguida, define-se o nível de acometimento — tetraplegia sugere lesão cervical, paraplegia sugere lesão toracolombar, e a diplegia, por sua vez, aponta para um padrão simétrico que pode ter origem cerebral (como na paralisia cerebral) ou medular. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que memoriza apenas os termos mais comuns (paraplegia e tetraplegia) pode não perceber que a simetria segmentar é a chave da questão.
A pegadinha desta questão está na palavra "simétricos": a paraplegia (letra C) acomete ambos os membros inferiores, mas não é descrita como "braquial ou crural" — ela é sempre crural. A diplegia, por outro lado, é o termo que abrange a possibilidade de acometimento simétrico tanto de membros superiores quanto inferiores, sendo o único que se encaixa perfeitamente na descrição do enunciado. Guarde essa distinção: paraplegia = membros inferiores; diplegia = partes simétricas (braquial ou crural). É exatamente nesse critério que as alternativas se separam.
Termo | Definição | Membros acometidos | Exemplo típico |
|---|---|---|---|
Monoplegia | Paralisia de um único membro | 1 membro | Lesão de nervo periférico |
Hemiplegia | Paralisia de metade do corpo | Membro superior e inferior do mesmo lado | AVC |
Paraplegia | Paralisia de ambos os membros inferiores | 2 membros inferiores (sempre crural) | Lesão medular toracolombar |
Tetraplegia | Paralisia dos quatro membros | 4 membros | Lesão medular cervical alta |
Diplegia | Paralisia de partes simétricas | Braquial (2 superiores) ou crural (2 inferiores) | Paralisia cerebral |
A monoplegia é a paralisia de um único membro (do grego monos, um). O enunciado descreve acometimento simétrico, ou seja, de ambos os lados, o que exclui a monoplegia. A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato confunde o número de membros afetados.
A hemiplegia é a paralisia de metade do corpo (do grego hemi, metade), envolvendo membro superior e inferior do mesmo lado, geralmente por lesão cerebral contralateral (como um AVC). O enunciado fala em membros simétricos, não em um lado do corpo, o que torna a hemiplegia incorreta.
A paraplegia é a paralisia de ambos os membros inferiores (do grego para, ao lado), tipicamente por lesão medular toracolombar. Embora envolva dois membros, ela é sempre crural — nunca braquial. O enunciado, ao mencionar "podendo ser braquial ou crural", amplia o espectro para além da paraplegia, que é restrita aos membros inferiores. Essa é a alternativa que mais se aproxima da correta, mas falha justamente por não admitir a forma braquial.
A tetraplegia é a paralisia de quatro membros (do grego tetra, quatro), geralmente por lesão medular cervical alta. O enunciado não menciona o acometimento dos quatro membros, mas sim de "membros simétricos", que podem ser apenas os superiores (braquial) ou apenas os inferiores (crural). A tetraplegia exige o envolvimento de ambos os membros superiores e inferiores, o que não está descrito.
A diplegia é a paralisia de partes simétricas do corpo, podendo ser braquial (ambos os membros superiores) ou crural (ambos os membros inferiores). O termo "di" (do grego dis, duas vezes) indica a simetria, e é exatamente isso que o enunciado descreve: "membros simétricos são acometidos, podendo ser braquial ou crural". A diplegia é o termo técnico que abrange ambas as possibilidades, sendo a classificação correta para o caso.
A regra de ouro para a prova: ao descrever paralisia de membros simétricos, pense em diplegia; ao descrever paralisia de ambos os membros inferiores, pense em paraplegia; ao descrever paralisia de um lado do corpo, pense em hemiplegia. A simetria segmentar é o critério que distingue a diplegia das demais.
Gabarito: letra E
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