Uso da vírgula e elementos linguísticos em tira
Gabarito: letra A. A única alternativa correta é a que afirma que “não sei escrever” pode ser reescrito como “não tenho domínio da escrita”, pois ambas expressam a mesma ideia de falta de habilidade com a escrita. As demais alternativas contêm erros de análise: confundem vocativo com expressão explicativa, atribuem valor de ação simultânea ao imperativo, usam colocação pronominal inadequada ou trocam indevidamente o conectivo.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão “não sei escrever” significa que o falante não possui a capacidade/domínio da escrita. A reescrita “não tenho domínio da escrita” é uma paráfrase fiel, mantendo o sentido de incompetência técnica. Não há alteração semântica ou gramatical que invalide a troca.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em “Querido filho, deixe um queijo...”, a vírgula separa o vocativo “Querido filho” do restante da frase. Vocativo é um chamamento, não uma expressão explicativa. Expressão explicativa (ex.: “isto é”, “por exemplo”) esclarece um termo anterior, o que não ocorre aqui. A banca tenta confundir o candidato rotulando o vocativo como explicativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O verbo “deixe” está no imperativo, indicando um pedido ou ordem. A ação de deixar o queijo é futura em relação ao ato da fala, não simultânea. O pretérito imperfeito ou presente do indicativo marcariam simultaneidade, mas o imperativo projeta a ação para depois da comunicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reescrita “Me esqueci que não sei escrever” apresenta um problema de regência e colocação. Na norma culta, quando o verbo “esquecer” é usado como pronominal (“esquecer-se”), exige a preposição “de” antes da oração subordinada: “Esqueci-me de que não sei escrever”. A forma sem “de” é coloquial e não é considerada correta em contextos formais. Além disso, a próclise “me esqueci” é aceita na fala, mas em início de frase a ênclise é preferível. A alternativa não oferece uma reescrita gramaticalmente adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No último quadro, o termo “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (se o verbo for transitivo direto) ou objetiva indireta (se o verbo for pronominal com preposição). Como o contexto sugere “esqueci que não sei escrever”, o verbo “esquecer” rege complemento sem preposição (esqueci algo). Substituir “que” por “de que” alteraria a regência, exigindo que o verbo fosse pronominal (“esqueci-me de que”). A troca não é possível sem modificar a estrutura do verbo.
Gabarito: letra A