Questão de Raciocínio Lógico — Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos — VUNESP 2023
Raciocínio Lógico›Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos
Código
vu078491
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de São Paulo - SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Posturas Municipal
Um grupo de seis pessoas passou por uma bateria de testes para verificação se eram ou não eram qualificadas para exercer determinada função em uma empresa. Algumas informações sobre os resultados dos testes são dadas a seguir e expressas da seguinte forma: ‘é’, que significará ser qualificada ou qualificado ou na forma ‘não é’ que significará não ser qualificada ou não ser qualificado.Considere que as seguintes afirmações são verdadeiras:I. Se André é, então Bruna é.II. Cleusa é ou Davi é.III. Ou Elton é ou Fabiana não é.IV. Bruna não é.V. Cleusa não é.VI. Fabiana é.A partir dessas informações é logicamente verdadeiro afirmar que:
ASe Elton é, então Cleusa é.
BBruna não é e Davi não é.
CSe Fabiana é, então André é.
DDavi não é ou André é.
EAndré não é ou Elton não é.
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GabaritoE — André não é ou Elton não é.
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Lógica proposicional: dedução de valores-verdade
Gabarito: letra E. A partir das afirmações verdadeiras, deduzimos que André não é qualificado (¬A) e Elton não é qualificado (¬E) são ambos falsos? Na verdade, ¬A é verdadeiro e ¬E é falso, mas a disjunção ¬A ∨ ¬E é verdadeira porque ¬A é verdadeiro. As demais alternativas resultam em falsidade diante da única atribuição consistente.
Vamos denotar as proposições:
A: André é qualificado
B: Bruna é qualificada
C: Cleusa é qualificada
D: Davi é qualificado
E: Elton é qualificado
F: Fabiana é qualificada
Afirmações verdadeiras: I. A → B II. C ∨ D (inclusivo; se exclusivo, mesmo resultado) III. E ∨ ¬F (inclusivo; se exclusivo, E ↔ F, que com F=V leva a E=V) IV. ¬B V. ¬C VI. F
Passo a passo:
De IV: B = F
De V: C = F
De VI: F = V
II: C ∨ D → F ∨ D → D = V (para II ser V)
I: A → B → A → F → A = F (para I ser V)
III: E ∨ ¬F → E ∨ F → E ∨ V → já é V, logo E pode ser V ou F? Mas E precisa ser V para III ser V? Na verdade, E ∨ V é sempre V, independente de E. Contudo, considere a interpretação exclusiva: se III for exclusivo (E XOR ¬F), com F=V, ¬F=F, então E XOR F → E = V. Sob inclusivo, E pode ser F também, mas alternativa E exige ¬A ∨ ¬E: ¬A é V (A=F), logo disjunção é V mesmo se ¬E for F. Então E=F também satisfaz? Verifiquemos: se E=F, então ¬E=V, e ¬A ∨ ¬E = V ∨ V = V. Mas testemos outras alternativas: A) E→C: se E=F, então F→C = V (pois antecedente F). Então A seria V? Não, porque C é F, então condicional F→F = V. Portanto A também seria verdadeira se E=F? Isso criaria duas alternativas verdadeiras, o que não é permitido. Precisamos verificar se E pode ser F. Com III como inclusivo: E ∨ ¬F = E ∨ F = E ∨ V = V, sempre V, então E pode ser F. Mas então a atribuição completa seria: A=F, B=F, C=F, D=V, E=F, F=V. Testemos as alternativas:
A) E→C: F→F = V → verdadeira. B) ¬B ∧ ¬D: V ∧ F = F C) F→A: V→F = F D) ¬D ∨ A: F ∨ F = F E) ¬A ∨ ¬E: V ∨ V = V → também verdadeira. Assim, teríamos duas alternativas verdadeiras (A e E), o que não é possível. Portanto, devemos rejeitar a possibilidade de E=F. Assim, a interpretação exclusiva de III é necessária para que E seja forçado a V. De fato, no contexto da questão, "ou...ou" em português frequentemente denota exclusão. Adotando III como exclusivo: (E ∧ ¬F) ∨ (¬E ∧ F). Com F=V, ¬F=F, então (E ∧ F) ∨ (¬E ∧ F) = (E ∧ V) ∨ (¬E ∧ V) = (E) ∨ (¬E) = V (tautologia). Isso não força E. A forma correta do exclusivo é: (E ∧ ¬F) ∨ (¬E ∧ F). Com F=V, ¬F=F, então (E ∧ F) ∨ (¬E ∧ V) = (E ∧ F) ∨ (¬E). Isso equivale a (E ∧ V) ∨ ¬E = E ∨ ¬E = V. Também tautologia. Na verdade, o exclusivo entre E e ¬F é sempre verdadeiro porque ¬F é o oposto de F? Se F=V, ¬F=F, então o exclusivo E XOR F é equivalente a E (pois F é constante). Portanto, para que o exclusivo seja verdadeiro, E deve ser V. Correto: E XOR ¬F = (E ∧ ¬(¬F)) ∨ (¬E ∧ ¬F) = (E ∧ F) ∨ (¬E ∧ ¬F). Com F=V, (E ∧ V) ∨ (¬E ∧ F) = E ∨ F. Isso dá V independente de E. Espere, erro: (¬E ∧ ¬F) com ¬F = F resulta em F, então fica E ∨ F = V. Portanto, o exclusivo com ¬F não força E. Precisamos refazer: a proposição "Ou Elton é ou Fabiana não é" é ambígua, mas a interpretação lógica padrão em muitas bancas é que "ou...ou" é uma disjunção exclusiva entre duas proposições: E e ¬F. O valor verdade de "E XOR ¬F" é (E ∨ ¬F) ∧ ¬(E ∧ ¬F). Simplificando: (E ∨ ¬F) ∧ (¬E ∨ F). Com F=V, ¬F=F, então: (E ∨ F) ∧ (¬E ∨ V) = (V) ∧ (V) = V, novamente tautologia. Na verdade, com F=V, a proposição é verdadeira independentemente de E. Portanto, é impossível determinar E a partir de III exclusivo. Isso sugere que a interpretação inclusiva (E ∨ ¬F) também dá tautologia com F=V. Ou seja, com F=V, III é verdadeiro qualquer que seja E. Portanto, o valor de E não é fixado por III. Precisamos de outra restrição. Notemos que a alternativa E é verdadeira tanto para E=V quanto para E=F? Com A=F, B=F, C=F, D=V, F=V:
Se E=V: ¬A ∨ ¬E = V ∨ F = V.
Se E=F: ¬A ∨ ¬E = V ∨ V = V.
Sempre V. Mas a alternativa A (E→C) seria:
Se E=V: V→F = F.
Se E=F: F→F = V.
Para evitar duas alternativas verdadeiras, E deve ser V. Mas como garantir? Na verdade, a questão pede "é logicamente verdadeiro afirmar que" – ou seja, a conclusão deve ser uma consequência lógica das premissas. A alternativa E é verdadeira em todos os modelos que satisfazem as premissas? Verifiquemos se existe um modelo com E=F que satisfaça todas as premissas. Já vimos que sim, desde que III seja interpretado de forma que permita E=F. Com E=F, III: inclusivo E∨¬F = F∨F = F, o que seria falso. Portanto, com E=F, III seria falso se for inclusivo. Mas com F=V, ¬F=F, então E∨¬F = F∨F = F. Para que III seja verdadeiro, E deve ser V. Idem para exclusivo: (E∧¬F) ∨ (¬E∧F) = (E∧F) ∨ (¬E∧V) = (F) ∨ (¬E) = ¬E. Para ser verdadeiro, ¬E deve ser V, ou seja, E=F. Agora temos uma contradição! Na interpretação inclusiva, III exige E=V; na exclusiva, III exige E=F. Qual é a correta? Reescrevendo a frase: "Ou Elton é ou Fabiana não é." Em lógica, o "ou...ou" clássico é exclusivo. Mas a frase em português pode ser ambígua. Em muitos concursos, usa-se o "ou" inclusivo, e o "ou...ou" exclusivo é explicitamente indicado como "ou...ou...mas não ambos". Como não há indicação, a banca VUNESP costuma usar "ou" como inclusivo em suas questões. Portanto, adotamos III como E ∨ ¬F. Com F=V, E∨F = V, então III é verdadeiro independente de E? Não: E∨F é sempre V, pois F é V. Logo, III é tautologicamente verdadeiro, e não impõe restrição sobre E. Então E pode ser V ou F. Testemos as alternativas quando E=F: A: E→C = F→F = V → verdadeira. B: ¬B∧¬D = V∧F = F C: F→A = V→F = F D: ¬D∨A = F∨F = F E: ¬A∨¬E = V∨V = V → verdadeira. Duas alternativas verdadeiras. Portanto, a conclusão não é única. Contudo, o gabarito oficial é E, indicando que a banca considera que E deve ser V. Isso ocorre porque a maioria das bancas interpreta "ou...ou" como exclusivo, e adota a tabela verdade que força E=V. Mas como mostramos, com exclusivo, E deve ser F para que a proposição seja verdadeira? Vamos recalcular cuidadosamente o exclusivo: A fórmula do exclusivo XOR é (p ∨ q) ∧ ¬(p ∧ q). Para p=E, q=¬F. Com F=V, ¬F=F. Então p=E, q=F. XOR(E,F) = (E ∨ F) ∧ ¬(E ∧ F) = (E ∨ V) ∧ ¬(E ∧ V) = V ∧ ¬(E) = ¬E. Para que XOR seja V, ¬E deve ser V, ou seja, E=F. Então exclusivo exige E=F. Isso faria com que as alternativas A e E fossem verdadeiras novamente? Se E=F, A é V, E é V. Então continua. Portanto, é inconsistente. Provavelmente a interpretação correta é que "ou...ou" é usado como disjunção exclusiva entre E e "Fabiana não é", mas com a ressalva que Fabiana é (F=V), então a proposição reduz a "ou Elton é ou não"? Na verdade, a banca pode considerar que "Fabiana não é" é a negação de F, então a proposição é "E XOR ¬F". Já vimos que isso equivale a ¬E, forçando E=F. Mas então alternativas A e E seriam ambas verdadeiras. Isso não é possível. Concluímos que a única saída é que a banca considera III como implicação material? Não. Voltemos ao enunciado: "III. Ou Elton é ou Fabiana não é." Muitas vezes, em lógica de argumentação, esse tipo de frase é tratado como disjunção inclusiva simples (∨). E como F é verdade, a disjunção é verdadeira independente de E, logo E é livre. Aí temos múltiplos modelos. Mas o gabarito é E, então a banca deve ter assumido que E é V. Talvez tenham usado a equivalência lógica de que "ou Elton é ou Fabiana não é" é o mesmo que "se Fabiana é, então Elton é" (F → E). De fato, E ∨ ¬F é equivalente a F → E. Com F=V, F→E exige E=V. Então III (como E∨¬F) exige E=V. Assim, a banca trata o "ou" como inclusivo e a presença de F=V força E=V para que a disjunção seja verdadeira? Mas novamente, E∨V é sempre V, não força. No entanto, se considerarmos que a disjunção inclusiva deve ser verdadeira, e sabemos que ¬F é F, então E ∨ F = V sempre, não força E. A única maneira de forçar E é se a disjunção for uma conjunção? Não. Acho que a confusão surge porque a banca pode ter entendido III como "ou Elton é, ou Fabiana não é, e não ambos" (exclusivo). Já calculamos que exclusivo com F=V dá ¬E, ou seja, E=F. Isso daria alternativa E falso. Então não. A solução mais plausível é que a banca considerou III como E ∨ ¬F e, ao combinar com as demais proposições, usou também a premissa I (A→B) e II (C∨D) e IV (¬B), V (¬C), VI (F) para deduzir que A=F, B=F, C=F, D=V, F=V. Então sobrou E livre. Mas a questão pede uma afirmação que seja logicamente verdadeira, ou seja, que seja consequência necessária das premissas. A única que é verdadeira em todos os modelos que satisfazem as premissas? Vamos listar todos os modelos possíveis. Com as premissas: I: A→B II: C∨D III: E∨¬F (interpretação inclusiva) IV: ¬B V: ¬C VI: F De IV: B=F; V: C=F; VI: F=V. Então I: A→F ⇒ A=F. II: F∨D ⇒ D=V. III: E∨F (pois ¬F=F) ⇒ E∨V = V (tautologia). Portanto, E pode ser V ou F. Assim, há dois modelos: M1: A=F, B=F, C=F, D=V, E=V, F=V; M2: A=F, B=F, C=F, D=V, E=F, F=V. Em M1, as alternativas: A: E→C = V→F = F B: ¬B∧¬D = V∧F = F C: F→A = V→F = F D: ¬D∨A = F∨F = F E: ¬A∨¬E = V∨F = V Em M2: A: F→F = V B: V∧F = F C: V→F = F D: F∨F = F E: V∨V = V Portanto, a única alternativa que é verdadeira em ambos os modelos é a alternativa E. De fato, ¬A∨¬E: em M1 (¬A=V, ¬E=F) => V; em M2 (¬A=V, ¬E=V) => V. Logo, E é consequência lógica. As demais alternativas são falsas em pelo menos um modelo (A é falsa em M1, C falsa em ambos? C é falsa em ambos, mas verifiquemos: em M1, C=F; em M2, C=F? Na verdade, F→A: F→F = V em M2, então C é verdadeira em M2? Recalcule: C: F→A. Em M2, F=V, A=F => V→F = F. Então C é falsa em M2 também. Portanto, C é falsa em ambos. A: E→C: em M1 V→F = F; em M2 F→F = V. Então A é verdadeira apenas em M2. Logo, não é consequência lógica. A alternativa E, porém, é verdadeira em todo modelo. Portanto, a resposta é letra E.
Assim, a chave está em perceber que E pode assumir qualquer valor, mas a disjunção ¬A∨¬E é sempre verdadeira porque ¬A é verdadeiro (A é falso). Dessa forma, independentemente de E, a expressão é verdadeira.
Alternativa A — ❌ Incorreta
E → C: se Elton é (V), Cleusa é (F) resulta em falso no modelo onde E=V. Logo, não é logicamente verdadeira.
Alternativa B — ❌ Incorreta
¬B ∧ ¬D: Bruna não é (V) e Davi não é (F) resulta em falso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
F → A: Fabiana é (V) e André é (F) resulta em falso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
¬D ∨ A: Davi não é (F) ou André é (F) resulta em falso.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
¬A ∨ ¬E: André não é (V) ou Elton não é (?) – como ¬A é V, a disjunção é verdadeira independentemente de ¬E. Portanto, é uma verdade lógica.
PEGA ESSA DICA!
Em problemas de lógica com várias proposições, deduza primeiro os valores fixos (a partir de proposições simples verdadeiras) e depois teste as alternativas. Quando uma variável fica livre, a alternativa que contiver uma disjunção com um termo já conhecido verdadeiro será sempre verdadeira.