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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2023

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu078536
Banca
VUNESP
Órgão
SAME de Francisco Morato - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
SAME - SP - Médico - Programa de Saúde da Família - 20 Horas/40Horas
Mulher de 44 anos com hipertensão arterial controlada com lisinopril apresenta náuseas e vômitos intensos. Ela relata ter meses de dor ocasional no quadrante superior direito, geralmente depois de comer fora de casa, que desaparece em algumas horas. Nas últimas 24 horas, seus sintomas foram mais intensos e ela não consegue comer ou beber sem vomitar. A dor é significativa, irradia- -se para as costas, e melhora quando ela se inclina para a frente. Na avaliação laboratorial, amilase e alanina aminotransferase estão elevadas.Considerando a principal hipótese diagnóstica, a conduta para evitar problemas recorrentes após o desaparecimento dos sintomas agudos é
  1. Acontraindicar o uso de bebida alcoólica.
  2. Bprescrever medicação para diminuir o nível de triglicerídeos.
  3. Ctrocar o lisinopril por atenolol.
  4. Dremover a vesícula biliar da paciente.
  5. Eusar inibidor da bomba de prótons continuamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — remover a vesícula biliar da paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colecistite aguda e colelitíase: conduta definitiva

Gabarito: letra D. A paciente apresenta quadro clássico de colecistite aguda — dor em quadrante superior direito com irradiação para as costas, piora após refeições gordurosas, náuseas e vômitos, melhora ao se inclinar para a frente (sinal de Murphy) e elevação de amilase e ALT. A conduta para evitar problemas recorrentes após a resolução do episódio agudo é a colecistectomia (remoção da vesícula biliar), pois a vesícula calculosa é a causa de base e continuará a produzir crises se não for removida.

A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, quase sempre desencadeada pela obstrução do ducto cístico por um cálculo (colelitíase). Essa obstrução leva ao acúmulo de bile, aumento da pressão intraluminal, distensão da parede vesicular e, eventualmente, isquemia e necrose. O quadro clássico é dor em hipocôndrio direito que pode irradiar para o ombro direito ou dorso, associada a náuseas e vômitos, frequentemente desencadeada por refeições gordurosas. O sinal de Murphy (interrupção da inspiração durante a palpação do QSD) é o achado mais sensível e específico. A elevação de amilase pode ocorrer por passagem de cálculo ou inflamação adjacente ao pâncreas, e a ALT elevada sugere algum grau de obstrução biliar ou passagem de cálculo pelo colédoco.

O tratamento da colecistite aguda é inicialmente de suporte — jejum, hidratação, analgesia e antibióticos — seguido de colecistectomia. A colecistectomia pode ser realizada precocemente (nas primeiras 72 horas) ou tardiamente (após 6 semanas), mas a tendência atual é pela cirurgia precoce, que reduz o tempo de internação e as complicações. A remoção da vesícula é a única forma de eliminar definitivamente o foco de cálculos e prevenir novas crises de colecistite, colangite ou pancreatite biliar. As alternativas A, B, C e E tratam de fatores de risco ou condições associadas, mas não resolvem a causa anatômica — a vesícula calculosa permanece e o risco de recorrência é alto.

A distinção crucial aqui é entre o tratamento do episódio agudo (sintomático e de suporte) e a prevenção de recorrência (cirurgia). Enquanto a abstinência alcoólica, o controle de triglicerídeos e o uso de IBP podem ser medidas adjuvantes em outros contextos, nenhuma delas remove o cálculo ou a vesícula doente. A troca de lisinopril por atenolol é irrelevante para o quadro biliar — o lisinopril não é causa de colecistite. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode focar nos sintomas gastrointestinais e nas medicações, esquecendo que a conduta definitiva para colelitíase sintomática é cirúrgica.

Guarde o princípio: colelitíase sintomática e colecistite aguda são indicações de colecistectomia. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Obstrução do ducto cístico por cálculo
  2. 2Distensão e inflamação da vesícula
  3. 3Suporte: jejum, hidratação, analgesia, ATB
  4. 4Colecistectomia (precoce ou tardia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Contraindicar o uso de bebida alcoólica é uma medida geral de saúde, mas não é a conduta definitiva para colecistite aguda. O álcool é um fator de risco para pancreatite, não para colelitíase — os principais fatores de risco para cálculo biliar são obesidade, sexo feminino, idade, uso de estrogênios e perda rápida de peso. A abstinência alcoólica não remove a vesícula calculosa e não previne novas crises de colecistite.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Prescrever medicação para diminuir triglicerídeos trata uma dislipidemia, que não é a causa do quadro. A hipertrigliceridemia é fator de risco para pancreatite aguda, mas a paciente tem colecistite aguda por colelitíase. O controle de triglicerídeos não interfere na vesícula biliar calculosa e não previne recorrência de colecistite.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Trocar o lisinopril por atenolol é uma troca de anti-hipertensivo sem indicação clínica. O lisinopril (IECA) não é causa de colecistite nem de colelitíase, e o atenolol (betabloqueador) não tem qualquer papel no tratamento da doença biliar. A hipertensão da paciente está controlada com lisinopril, e não há motivo para alterar a medicação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Remover a vesícula biliar (colecistectomia) é a conduta definitiva para colecistite aguda por colelitíase. A vesícula calculosa é a fonte dos cálculos que obstruem o ducto cístico e causam as crises. Após a resolução do episódio agudo, a colecistectomia elimina o risco de recorrência de colecistite, colangite e pancreatite biliar. É a única alternativa que trata a causa anatômica da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Usar inibidor da bomba de prótons (IBP) continuamente trata sintomas de doença ulcerosa ou refluxo gastroesofágico, não colecistite. O IBP reduz a secreção ácida gástrica, mas não tem efeito sobre a vesícula biliar ou os cálculos. Não previne novas crises de colecistite e não é a conduta indicada para colelitíase sintomática.

Gabarito: letra D — a colecistectomia é a conduta definitiva para prevenir recorrência de colecistite aguda por colelitíase.

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