Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu078539
Banca
VUNESP
Órgão
SAME de Francisco Morato - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
SAME - SP - Médico - Programa de Saúde da Família - 20 Horas/40Horas
Durante um exame de puericultura para uma criança do sexo masculino de 3 anos de idade, você tem dificuldade para palpar ambos os testículos. O pai afirma que, às vezes, o testículo esquerdo pode ser visto após um banho morno, mas nunca sentiram ou viram o testículo direito.Se não for tratado, qual dos seguintes é um risco de criptorquidia?
ABaixa estatura.
BCâncer de testículo.
CEpididimite.
DHidrocele.
EHipogonadismo.
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GabaritoB — Câncer de testículo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Criptorquidia: riscos da não correção
Gabarito: letra B. A criptorquidia não tratada aumenta significativamente o risco de câncer de testículo — o testículo que permanece fora da bolsa escrotal fica exposto a temperatura mais elevada, o que favorece a degeneração maligna. Esse é o risco mais grave e mais diretamente associado à condição, conforme a literatura pediátrica.
A criptorquidia é a falha na migração de um ou ambos os testículos da cavidade abdominal para a bolsa escrotal, podendo o testículo ficar retido em qualquer ponto do trajeto normal (canal inguinal, região intra-abdominal etc.). No caso descrito, o testículo direito nunca foi visto nem palpado — o que sugere criptorquidia verdadeira, possivelmente de localização mais alta. O testículo esquerdo, que "às vezes" aparece após banho morno, pode ser um testículo retrátil (devido ao reflexo cremastérico exacerbado) ou uma criptorquidia mais baixa. A distinção é importante: o testículo retrátil costuma adquirir posição permanente no escroto nos primeiros anos de vida, enquanto a criptorquidia verdadeira não desce espontaneamente após os 3 meses de idade e pode exigir tratamento hormonal ou cirúrgico (orquidopexia).
O principal mecanismo do dano é a temperatura: o testículo criptorquídico fica exposto a temperatura mais elevada que a escrotal, o que prejudica a espermatogênese e aumenta o risco de transformação maligna. Estudos mostram que o risco de câncer testicular em testículos criptorquídicos é 5 a 10 vezes maior que em testículos eutópicos (alguns autores citam até 20 vezes mais chance). Além disso, a lesão tubular progressiva — que começa a ser identificada histologicamente a partir dos 2 anos — compromete a fertilidade futura. Por isso, a recomendação atual é a orquidopexia precoce, idealmente entre 6 e 12 meses de vida, tanto para reduzir o risco de malignização quanto para preservar a função testicular.
As demais alternativas não são complicações típicas da criptorquidia não tratada: baixa estatura não tem relação direta; epididimite e hidrocele são condições que podem coexistir, mas não são consequências da criptorquidia; e hipogonadismo, embora possa ocorrer em casos de disgenesia testicular grave, não é a complicação mais característica nem a mais temida da criptorquidia isolada. O risco que define a urgência do tratamento é exatamente o câncer de testículo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as complicações da criptorquidia e outras condições escrotais. O candidato pode ser tentado a marcar "hidrocele" ou "epididimite" por serem termos urológicos familiares, mas a hidrocele é uma causa de aumento escrotal (não consequência da criptorquidia) e a epididimite é um processo inflamatório infeccioso, sem relação causal. O risco que a literatura destaca como principal complicação da criptorquidia não tratada é o câncer testicular — e é isso que a questão cobra.
Criptorquidia não tratada: Principal risco (Câncer de testículo (5-10x maior)); Outros danos (Infertilidade (lesão tubular progressiva)); Não são complicações típicas (Baixa estatura, Epididimite, Hidrocele, Hipogonadismo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Baixa estatura não é complicação da criptorquidia. A criptorquidia isolada não interfere no eixo do crescimento; a baixa estatura está associada a outras endocrinopatias (deficiência de GH, hipotireoidismo etc.), não à falha de descida testicular.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Câncer de testículo é a complicação mais grave e mais diretamente associada à criptorquidia não tratada. O testículo retido em temperatura elevada sofre degeneração maligna com risco 5 a 10 vezes maior que o testículo eutópico. A orquidopexia precoce (idealmente aos 6 meses) reduz esse risco e facilita o diagnóstico precoce por palpação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Epididimite é uma inflamação/infecção do epidídimo, geralmente de origem bacteriana ou viral, sem relação causal com a criptorquidia. Embora a criptorquidia possa cursar com anomalias do epidídimo (em um terço dos casos), isso não predispõe a epididimite como complicação clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Hidrocele é o acúmulo de líquido na túnica vaginal, comum em recém-nascidos e que costuma reabsorver espontaneamente nos primeiros meses. Não é consequência da criptorquidia; ao contrário, a hidrocele pode coexistir com testículo palpável no escroto, mas não é um risco da não correção da criptorquidia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Hipogonadismo (deficiência de testosterona) não é complicação típica da criptorquidia isolada. A criptorquidia afeta principalmente a espermatogênese (células germinativas e de Sertoli), mas a produção de testosterona pelas células de Leydig costuma ser preservada. O hipogonadismo está mais associado a síndromes genéticas (Klinefelter, Kallmann) ou a disgenesia testicular grave, não à criptorquidia simples.
Gabarito: letra B — o risco de criptorquidia não tratada é o câncer de testículo.