Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu078545
Banca
VUNESP
Órgão
SAME de Francisco Morato - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
SAME - SP - Médico - Programa de Saúde da Família - 20 Horas/40Horas
Paciente de 32 anos de idade apresenta queixa de mau cheiro após as relações sexuais. Relata corrimento vaginal fino, branco-acinzentado e nega prurido ou dor na região vaginal. Qual dos seguintes achados, mais provavelmente, indica vaginose bacteriana?
ACultura vaginal com predominância de lactobacilos.
BGram com diplococos gram-negativos.
CMais de 20% de “clue cells” (células-pista) em secreção vaginal.
DPH vaginal < 4,5.
ETeste das aminas (Whiff) negativo.
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GabaritoC — Mais de 20% de “clue cells” (células-pista) em secreção vaginal.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vaginose bacteriana: diagnóstico pelos critérios de Amsel
Gabarito: letra C. A presença de mais de 20% de "clue cells" (células-pista) em secreção vaginal é um dos critérios diagnósticos de vaginose bacteriana (VB), conforme os critérios de Amsel. A VB é caracterizada pela substituição da flora vaginal normal (lactobacilos) por bactérias anaeróbicas, como Gardnerella vaginalis, levando a corrimento fino, branco-acinzentado e odor fétido, especialmente após relações sexuais.
A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal com odor fétido em mulheres em idade reprodutiva. A fisiopatologia envolve a perda dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio, que mantêm o pH vaginal ácido (normalmente < 4,5). Sem eles, há crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas, como Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae, Mobiluncus spp., entre outras. Essas bactérias produzem enzimas que degradam peptídeos em aminas voláteis (putrescina e cadaverina), responsáveis pelo odor de peixe, que se intensifica após o coito e a menstruação, pois o sêmen e o sangue alcalinizam o meio vaginal.
O diagnóstico clínico é feito pelos critérios de Amsel, que exigem a presença de pelo menos três dos quatro critérios a seguir:
Corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, aderido às paredes vaginais;
pH vaginal > 4,5;
Presença de "clue cells" (células-guia) no exame a fresco;
Teste de Whiff positivo (odor de aminas após adição de KOH a 10%).
O padrão-ouro para o diagnóstico é a coloração de Gram com o escore de Nugent, que quantifica a proporção de lactobacilos e bactérias patogênicas. Um escore de 7 ou mais é diagnóstico de VB. A cultura vaginal não tem papel no diagnóstico, pois Gardnerella pode estar presente na flora normal.
A alternativa C é a correta porque a presença de "clue cells" é um dos critérios de Amsel. As demais alternativas apresentam achados que são contrários ou não específicos da VB.
Critério de Amsel
Achado na VB
Alternativa
Corrimento
Homogêneo, branco-acinzentado
—
pH vaginal
> 4,5
D (traz < 4,5)
Clue cells
> 20%
C (gabarito)
Teste de Whiff
Positivo
E (traz negativo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A cultura vaginal com predominância de lactobacilos indica flora vaginal normal, não vaginose bacteriana. Na VB, há redução dos lactobacilos e predomínio de bactérias anaeróbicas. Além disso, a cultura não é recomendada para o diagnóstico de VB.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diplococos gram-negativos são característicos de Neisseria gonorrhoeae, agente da gonorreia, e não da vaginose bacteriana. Na VB, o Gram mostra cocobacilos e bacilos gram-variáveis ou gram-negativos, com ausência de lactobacilos, mas o achado específico são as "clue cells".
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de "clue cells" (células-pista) em secreção vaginal é um dos critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana. Essas células são células epiteliais vaginais cobertas por bactérias aderidas, conferindo aspecto granular e bordas irregulares. O achado de mais de 20% de "clue cells" é considerado significativo e indica VB.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O pH vaginal < 4,5 é normal. Na vaginose bacteriana, o pH vaginal é > 4,5, devido à redução dos lactobacilos e ao crescimento de bactérias anaeróbicas. Portanto, pH < 4,5 fala contra o diagnóstico de VB.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste das aminas (Whiff) negativo é um achado contra o diagnóstico de vaginose bacteriana. Na VB, o teste é positivo, pois a adição de KOH a 10% libera aminas voláteis, produzindo odor de peixe. Um teste negativo sugere outra causa de corrimento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão dos achados: na VB, o pH é > 4,5 e o teste de Whiff é positivo. As alternativas D e E apresentam os valores opostos, tentando confundir o candidato que não domina os critérios de Amsel. Lembre-se: na VB, tudo que é "baixo" (pH, lactobacilos) está reduzido, e tudo que é "alto" (pH, aminas, clue cells) está aumentado.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de Amsel, use o mnemônico "CHAT": Corrimento homogêneo, pH > 4,5, Aminas (Whiff positivo) e Teste de clue cells. São necessários pelo menos 3 dos 4 critérios. Na prova, desconfie de alternativas que tragam valores normais (pH < 4,5, teste de aminas negativo) como se fossem diagnósticos.