Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu078548
Banca
VUNESP
Órgão
SAME de Francisco Morato - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
SAME - SP - Médico - Programa de Saúde da Família - 20 Horas/40Horas
Bebê de 4 semanas de idade retorna para uma consulta de rotina. A mãe relata que o bebê tem estado agitado na última semana, chorando, puxando as pernas para cima, com eliminação frequente de gases intestinais.Constitui uma afirmação correta sobre a cólica infantil:
Aa cólica geralmente está presente por muito tempo e desaparece por volta dos 7-8 meses.
Bos sintomas geralmente são piores nas primeiras horas da manhã.
Ccomeça na 2ª – 3ª semanas de vida e desaparece aos 3-4 meses.
Dcausa orgânica é identificada em cerca de 25% dos casos.
Eé mais comum em bebes do sexo masculino do que feminino.
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GabaritoC — começa na 2ª – 3ª semanas de vida e desaparece aos 3-4 meses.
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Cólica do lactente: definição e evolução temporal
Gabarito: letra C. A cólica do lactente é um diagnóstico clínico, de caráter benigno e autolimitado, que tipicamente se inicia na 2ª–3ª semana de vida e desaparece espontaneamente por volta dos 3–4 meses de idade — exatamente o que afirma a alternativa C. As demais alternativas erram ao alongar o tempo de duração, inverter o período do dia de piora, superestimar a frequência de causa orgânica ou afirmar predomínio por sexo, pontos sem respaldo na literatura pediátrica.
A cólica do lactente é definida como episódios de choro intenso e inconsolável, com duração superior a três horas por dia, por mais de três dias na semana, por pelo menos três semanas, em um lactente saudável e bem nutrido. É um fenômeno fisiológico e transitório, relacionado à imaturidade do sistema digestivo e à adaptação do intestino à alimentação — não a uma doença. O quadro clássico descrito no enunciado — bebê agitado, chorando, puxando as pernas para cima e com eliminação frequente de gases — é a apresentação típica que leva os pais à consulta.
A evolução temporal é a característica mais marcante e mais cobrada em provas: o início ocorre nas primeiras semanas de vida, com pico de intensidade por volta das 6–8 semanas, e resolução espontânea entre o 3º e o 4º mês. Essa janela etária reflete o amadurecimento progressivo do trato gastrointestinal e do sistema nervoso do lactente. É importante que o pediatra tranquilize os pais quanto à benignidade do quadro, esclarecendo que não há doença subjacente na maioria dos casos e que não são necessários exames complementares.
A distinção crucial que a banca explora é entre a cólica fisiológica e a alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) não IgE-mediada. Na cólica simples, o lactente é saudável, ganha peso adequadamente e não apresenta outros sintomas; na APLV, além da cólica, há manifestações associadas como regurgitações frequentes, diarreia, sangue nas fezes, dermatite ou falha de crescimento. A dieta materna isenta de leite de vaca só está indicada quando há suspeita clínica de alergia alimentar, e o diagnóstico exige o teste de desencadeamento — retorno do leite de vaca na dieta materna após duas semanas de exclusão, com reaparecimento dos sintomas. A ausência desse procedimento mantém muitas mães em dieta restritiva desnecessariamente.
A pegadinha central desta questão é a inversão temporal: a banca oferece alternativas que prolongam a duração da cólica (7–8 meses) ou que deslocam o pico de sintomas para outro período do dia. O candidato que memoriza apenas que "a cólica melhora com o tempo" pode cair na alternativa A, sem atentar para a janela específica de 3–4 meses. Guarde o par início precoce (2ª–3ª semana) × resolução precoce (3–4 meses): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
2ª–3ª semanaInício dos sintomas
6–8 semanasPico de intensidade
3–4 mesesResolução espontânea
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a cólica "geralmente está presente por muito tempo e desaparece por volta dos 7-8 meses". O erro está na duração: a cólica do lactente é um fenômeno transitório e autolimitado, que desaparece espontaneamente por volta dos 3–4 meses de vida, não aos 7–8 meses. Prolongar o quadro até essa idade contraria a evolução natural descrita na literatura pediátrica. Aos 7–8 meses, o choro excessivo deve levantar suspeita de outras causas (dentição, infecções, problemas comportamentais), não de cólica do lactente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os sintomas "geralmente são piores nas primeiras horas da manhã". Na verdade, o padrão clássico da cólica do lactente é o oposto: os episódios de choro e agitação tendem a se concentrar no final da tarde e início da noite, frequentemente após as mamadas. Esse padrão vespertino/noturno é tão característico que integra a própria definição clínica do quadro. A alternativa inverte o período do dia, uma armadilha clássica de troca de termo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a cólica "começa na 2ª–3ª semanas de vida e desaparece aos 3-4 meses". Esta é a descrição fiel da evolução temporal da cólica do lactente: início precoce nas primeiras semanas de vida, pico de intensidade por volta de 6–8 semanas e resolução espontânea entre o 3º e o 4º mês. O enunciado apresenta um bebê de 4 semanas com o quadro clássico — exatamente na janela etária em que a cólica costuma se manifestar. A alternativa espelha com precisão o curso natural e autolimitado da condição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "causa orgânica é identificada em cerca de 25% dos casos". O erro está na superestimativa: na grande maioria dos casos, a cólica do lactente é idiopática, ou seja, não se identifica nenhuma causa orgânica subjacente. O lactente é saudável, ganha peso adequadamente e o exame físico é normal. A investigação de causas orgânicas (como alergia alimentar, refluxo gastroesofágico ou intolerância à lactose) só se justifica quando há sinais de alarme associados — sangue nas fezes, vômitos biliosos, distensão abdominal importante, febre ou falha de crescimento. O percentual de 25% não corresponde a nenhuma estatística consolidada na literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a cólica "é mais comum em bebês do sexo masculino do que feminino". Não há evidência científica consistente que demonstre predomínio significativo por sexo na cólica do lactente. A condição afeta igualmente meninos e meninas, e a literatura não sustenta essa diferença. A alternativa apela a um estereótipo sem respaldo — a banca explora a tendência do candidato a aceitar generalizações sem fundamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a evolução temporal e o período do dia de piora. Na alternativa A, prolonga a duração para 7–8 meses; na B, desloca o pico para a manhã. O candidato que decora apenas "a cólica melhora com o tempo" cai na A; o que não fixa o padrão vespertino cai na B. Grave o par: início 2ª–3ª semana, pico 6–8 semanas, resolução 3–4 meses, piora no fim da tarde/noite. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cólica do lactente, monte mentalmente a linha do tempo: início precoce (2ª–3ª semana) → pico (6–8 semanas) → resolução (3–4 meses). E lembre-se do critério de exclusão: só se investiga causa orgânica (como APLV) quando há sinais de alarme — cólica isolada em lactente saudável é fisiológica e não exige dieta materna restritiva.