Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu078603
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português
Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, de onde se extraiu o excerto, foi publicado em 1846. Analisando-o, flagram-se usos que denunciam tratar-se de um momento histórico, social e espacial diferente daquele que hoje se vivencia. Um exemplo que mostra inequivocamente essa diferença contextual está na seguinte reescrita:
  1. A“Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta...”[Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se a janela meia aberta por entre um claro das árvores...]
  2. B“... a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada...”[... a janela meia aberta de uma habitação antiga todavia não dilapidada...]
  3. C“... e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta.”[... e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul à qual se expõe.]
  4. D“Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.”[Caso venha a ser homem é poeta; caso venha a ser mulher está namorada.]
  5. E“Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela!...”[Como deve ser belo ver o Sol se pôr daquela janela!...]
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela!...” [Como deve ser belo ver o Sol se pôr daquela janela!...]

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Questão sobre diferença contextual na reescrita – “Viagens na Minha Terra”

Gabarito: letra E. A reescrita que denuncia inequivocamente a diferença contextual é a da alternativa E, pois substitui a forma verbal típica do português oitocentista "há de ser" por "deve ser" e altera "pôr o Sol" (construção arcaica) para "o Sol se pôr" (forma reflexiva moderna). No texto original lê-se: "Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela!" — estruturas que hoje soam antigas e revelam o momento histórico de 1846.

PEGA ESSA DICA!

O comando pede um exemplo que MOSTRA inequivocamente a diferença contextual. Reescritas que apenas trocam a ordem das palavras ou substituem conectivos por sinônimos (ex.: "todavia" por "não dilapidada") não evidenciam mudança temporal. A pista está na morfossintaxe: "há de" + infinitivo e a colocação de "pôr" sem o pronome reflexivo são marcas do português clássico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita apenas desloca o adjunto adverbial "por entre um claro das árvores" para depois do verbo. Não há alteração de sentido nem de registro temporal. O erro é generalização indevida — qualquer reorganização sintática não denuncia diferença histórica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Troca "mas" por "todavia". Ambos são conectivos adversativos equivalentes, usados tanto no século XIX quanto hoje. Não revela diferença contextual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Substitui "a que está exposta" por "à qual se expõe". A forma "a que" (sem preposição visível) é um relativismo; "à qual" é mais explícito e corrente também. Não é uma mudança que marque época.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Troca "Se for" por "Caso venha a ser". Embora "venha a ser" seja um pouco mais rebuscado, ambas as construções são possíveis no português moderno e não caracterizam exclusivamente o português oitocentista. O erro é generalização indevida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita altera duas marcas diacrônicas: (1) "há de ser" → "deve ser" — o uso de "haver de" como futuro perifrástico é típico do português clássico; no português brasileiro contemporâneo, usa-se "vai ser" ou "deve ser" com sentido de probabilidade. (2) "pôr o Sol" → "o Sol se pôr" — a construção original trata "pôr" como transitivo (ver o sol pôr), enquanto a reescrita explicita a forma reflexiva, mais comum hoje. Essas mudanças mostram claramente a distância temporal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que qualquer variação de ordem ou de conectivo já indica diferença histórica. A chave é identificar as estruturas que realmente mudaram com o tempo — especialmente as que envolvem verbos auxiliares e colocação pronominal.

Conclusão: A única reescrita que "inequivocamente" revela o contexto oitocentista é a E, pois mexe em formas verbais e sintáticas arcaicas. Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/vu078603