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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2023

PortuguêsMorfologia
Código
vu078606
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português
Maria Helena de Moura Neves (2003) afirma que “estudar gramática é refletir sobre o uso linguístico, sobre o exercício da linguagem”. Aplicando-se esse conceito ao texto de Machado de Assis, conclui-se corretamente que, na passagem
  1. A“Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro...” (2º parágrafo), o emprego do artigo antes do numeral tem como objetivo conferir precisão a este.
  2. B“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim...” (1º parágrafo), as formas verbais no tempo presente criam uma aproximação com o leitor.
  3. C“... peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste...” (2º parágrafo), o diminutivo, a repetição e a inversão dos termos visam reforçar a melancolia do momento.
  4. D“... eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor...” (1º parágrafo), a mudança de posição dos termos “autor” e “defunto” não lhes muda a classe gramatical.
  5. E“Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa.” (3º parágrafo), a repetição do verbo e o emprego do pretérito do subjuntivo enfatizam a aversão do narrador.
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GabaritoC — “... peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste...” (2º parágrafo), o diminutivo, a repetição e a inversão dos termos visam reforçar a melancolia do momento.

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Análise das passagens de Memórias Póstumas de Brás Cubas à luz do conceito de reflexão sobre o uso linguístico

Gabarito: letra C. A única alternativa que sustenta corretamente uma reflexão sobre o uso linguístico no trecho machadiano é a C, que identifica no diminutivo, na repetição e na inversão dos termos recursos que intensificam a melancolia do momento fúnebre. As demais alternativas ou contradizem o texto ou extrapolam seu conteúdo.

Recurso

Ocorrência no trecho

Efeito expressivo

Diminutivo

"chuvinha"

Sugere delicadeza e tristeza

Repetição

"tão constante e tão triste"

Reitera a atmosfera melancólica

Inversão

"triste e constante" → "constante e triste"

Realça o estado de ânimo

Alternativa A — ❌ Incorreta

A passagem “Tinha uns sessenta e quatro anos” emprega o artigo indefinido uns antes do numeral. No português, o artigo uns confere valor aproximativo, não precisão. Dizer “uns 64 anos” significa “cerca de 64”, o oposto de precisão. Logo, a afirmativa de que o artigo visa “conferir precisão” contradiz o uso real do termo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A forma verbal “hesitei” está no pretérito perfeito do indicativo (passado), não no presente. Não há qualquer verbo no presente nesse período. A afirmação de que “as formas verbais no tempo presente criam uma aproximação com o leitor” é falsa, pois o tempo verbal usado é o passado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No trecho:

“... peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste...”

Observamos:

  • Diminutivo: “chuvinha” (de chuva) sugere delicadeza e tristeza.

  • Repetição: “tão constante e tão triste” reitera a atmosfera melancólica.

  • Inversão: inicialmente “triste e constante”, depois “constante e triste” – a troca da ordem realça o estado de ânimo.

Esses recursos linguísticos reforçam o cenário de luto e a melancolia do momento, conforme o contexto fúnebre do capítulo (morte do narrador). A análise está correta e reflete o uso expressivo da linguagem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na passagem “um autor defunto, mas um defunto autor”, a troca de posição altera a classe gramatical dos termos:

  • Em “autor defunto”: autor é substantivo; defunto é adjetivo (ou substantivo em aposição, mas predominantemente adjetivo).

  • Em “defunto autor”: defunto passa a substantivo; autor passa a adjetivo.

Portanto, a classe gramatical muda para ambos os vocábulos, contrariando o que afirma a alternativa. O erro está em dizer que “não lhes muda a classe gramatical”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O trecho “Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa.” Repete-se “não digo” e usa o pretérito do subjuntivo (“carpisse”, “deixasse”). A repetição serve para negar que a personagem tenha tido reações dramáticas. O narrador não expressa aversão; ele apenas constata que o óbito não era dramático. O texto diz: “Nem o meu óbito era coisa altamente dramática...”. A palavra “aversão” (forte repulsa) não encontra apoio no texto, que é irônico e distanciado, não carregado de aversão.

Conclusão: A única alternativa que faz uma reflexão correta sobre o uso linguístico no texto é a C.

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