Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos
Código
vu078607
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português
No Currículo Paulista – Ensino Médio, a habilidade EM13LP04 tem como fundamento “Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.” No texto de Machado de Assis, uma passagem em que o narrador recorre ao diálogo intertextual com o fito de justificar e enaltecer o seu relato é:
ADe pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
BMoisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
C... foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe...
DAlgum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.
E“Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável...”
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GabaritoB — Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
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Intertextualidade em Machado de Assis
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que apresenta uma referência explícita a outro texto (o Pentateuco, de Moisés) com a finalidade de justificar e enaltecer o próprio relato. O narrador estabelece um diálogo intertextual ao comparar sua obra com o livro bíblico, argumentando que a diferença na posição da narrativa da morte é "radical" – isso serve para dar consistência ao seu posicionamento, exatamente como descrito na habilidade EM13LP04.
SE LIGUE NESSA!
Como o texto-base não está disponível, a análise baseia-se exclusivamente nas alternativas e no conceito de intertextualidade. A resposta é sustentada pela definição de intertextualidade: referência a outro texto para fortalecer o próprio discurso.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Não há referência a outro texto. A passagem descreve a reação de uma senhora diante da suposta morte do narrador. É uma cena descritiva, sem diálogo intertextual. Erro: fora_do_escopo – não configura intertextualidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A passagem menciona Moisés e o Pentateuco, estabelecendo uma comparação explícita. O narrador usa essa referência para justificar a estrutura de seu relato ("diferença radical") e enaltecê-lo, pois coloca sua própria obra em paralelo com um texto canônico. Isso atende perfeitamente ao fundamento da habilidade EM13LP04.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora faça referência a Shakespeare ("undiscovered country de Hamlet"), a citação não tem o propósito de justificar ou enaltecer o relato; ela apenas ilustra a atitude do narrador ao se encaminhar para a morte. O foco não é sustentar um posicionamento ou dar consistência a explicações, mas sim descrever uma disposição pessoal. Erro: troca_conceito – confunde intertextualidade ilustrativa com intertextualidade argumentativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Refere-se à dúvida do narrador sobre a ordem da narrativa. Não há citação ou paráfrase de outro texto; é uma reflexão metalinguística interna. Erro: fora_do_escopo – ausência de intertextualidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O trecho apresenta um discurso direto ("Vós, que o conhecestes..."), mas não há referência a outro texto específico (não é citação ou paráfrase de obra alheia). É uma fala genérica, sem diálogo intertextual. Erro: fora_do_escopo – não se caracteriza como intertextualidade.