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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu078617
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português
A literatura indígena brasileira contemporânea é uma expressão vinculada ao lugar de fala (Dalcastagnè, 2012) do sujeito indígena que reivindica, cada vez mais, protagonismo para articular em nome de suas ancestralidades, sem mediações alheias a eles. O lugar de fala indígena é a sua ancestralidade. Matos (2011), refletindo sobre a enunciação literária indígena e o lugar de onde partem os textos criativos indígenas, argumenta que a autoidentificação e a autodenominação étnicas sob a forma de ‘nós’, ‘os humanos’, os ‘verdadeiros humanos’, é uma constante para vários povos indígenas (araweté, yaminawa, waiapi, etc.). Estas alcunhas autorreferenciais são, conforme Viveiros de Castro (1996 apud Matos, 2011), pronomes cosmológicos, e não nomes próprios. “Eles servem para marcar o lugar de onde se fala, o nós do grupo” (Matos, 2011, p. 33). Na literatura indígena brasileira, os escritores e escritoras empenham-se em esclarecer que a cultura indígena é formada por diferentes grupos que possuem tradições e práticas diversas entre si. Reiteram que não são um monólito homogêneo e fenotípico que justifica o rótulo de índios do Brasil. Seus lugares de fala são suas ancestralidades e pertenças étnicas, uma vez que são munduruku, potiguara, guarani, sateré-mawé, dessana, kambeba, entre outros. Desse modo, a leitura das obras desses autores de etnias diferentes coopera para o conhecimento de diferentes lugares de fala cuja expressão se anuncia a partir da própria alteridade. Diferentes projetos literários, nesse sentido, encontram-se dentro desse sistema, anunciando diferentes mensagens elaboradas criativamente a partir de matérias ancestrais, históricas, estéticas, políticas etc.(Julie Dorrico, “Vozes da literatura indígena brasileira contemporânea: do registro etnográfico à criação literária”. Em: DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando (Orgs.). Literatura indígena brasileira contemporânea: criação, crítica e recepção [recurso eletrônico]. Em: https://www.editorafi.org/438indigena. Adaptado)A habilidade EF69AR34 do Currículo Paulista – Ensino Fundamental diz respeito a “Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.”Nesse sentido, as considerações de Dorrico articulam-se aos pressupostos do Currículo na medida em que
  1. Areconhecem a literatura indígena como conteúdo relevante do patrimônio cultural brasileiro, ainda que os escritores se tenham mantido apegados a vozes alheias para a construção dos discursos de seus povos, o que fatalmente implica em silenciamento de suas vozes.
  2. Bcolocam a literatura indígena como o caminho natural para ampliar a cultura do país, reconhecendo os lugares de fala daqueles que foram, por anos, silenciados, e que somente a democratização do conhecimento de autores e obras indígenas pode mudar esse cenário.
  3. Csituam a literatura indígena a partir da fala dos representantes desses povos, de modo autêntico, no resgate de sua ancestralidade, o que permite entender que o protagonismo da fala indígena consiste numa forma de fortalecimento da identidade e de resistência.
  4. Dasseveram a literatura indígena como uma forma legítima de valorização da cultura nacional e do protagonismo das minorias, o que permite entender que a educação linguística deve acolher, quando possível, exemplos de alguns lugares de fala dos povos originários.
  5. Eapontam a literatura indígena como um modo natural de se conhecer a essência dos povos e, em decorrência disso, do país, o que permite entender que as falas indígenas se articulam às falas de outros povos para buscar reconhecimento e protagonismo nacional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — situam a literatura indígena a partir da fala dos representantes desses povos, de modo autêntico, no resgate de sua ancestralidade, o que permite entender que o protagonismo da fala indígena consiste numa forma de fortalecimento da identidade e de resistência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Habilidade EF69AR34 e literatura indígena — análise das alternativas

Gabarito: letra C. A única alternativa que sintetiza fielmente as considerações de Dorrico — a literatura indígena contemporânea parte do lugar de fala autêntico dos indígenas, ancorado na ancestralidade, e essa expressão fortalece identidade e resistência — sem acrescentar ou contradizer o texto.

A questão cobra a articulação entre o texto de Julie Dorrico e a habilidade do Currículo Paulista. O texto de Dorrico destaca que a literatura indígena contemporânea é uma expressão vinculada ao lugar de fala do sujeito indígena, que a ancestralidade é esse lugar, e que os escritores se empenham em mostrar a diversidade cultural, não sendo um monólito. A habilidade EF69AR34 pede analisar e valorizar o patrimônio cultural, incluindo matrizes indígenas. A alternativa correta deve refletir esses pontos sem distorções.


Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os escritores se mantiveram apegados a vozes alheias e que isso fatalmente implica silenciamento. O texto diz exatamente o oposto: "sem mediações alheias a eles". A alternativa contradiz o texto e, portanto, está errada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a literatura indígena é o caminho natural para ampliar a cultura e que somente a democratização do conhecimento pode mudar o cenário. O texto não usa o termo "caminho natural" nem afirma que essa é a única via ("somente"). Há extrapolação (generalização indevida) e acréscimo de informação não prevista.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia corretamente o texto: "a partir da fala dos representantes desses povos, de modo autêntico, no resgate de sua ancestralidade" (texto: "lugar de fala indígena é a sua ancestralidade"); e conclui que o protagonismo da fala indígena consiste numa forma de fortalecimento da identidade e de resistência — ideia implícita no texto ao afirmar que os indígenas reivindicam protagonismo e que a leitura coopera para o conhecimento de diferentes lugares de fala. Tudo sustentado pelo trecho inicial: "A literatura indígena brasileira contemporânea é uma expressão vinculada ao lugar de fala... do sujeito indígena que reivindica... protagonismo para articular em nome de suas ancestralidades".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Introduz uma condição ausente no texto: "quando possível". O texto não diz que a educação linguística deve acolher apenas quando possível. Também usa "minorias" (termo que não aparece no texto, embora possa ser associado, mas a alternativa sugere uma limitação. Restringe e acrescenta ideias estranhas ao texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as falas indígenas se articulam às falas de outros povos para buscar reconhecimento e protagonismo nacional. O texto não menciona essa articulação; foca na fala indígena a partir de sua própria alteridade. Extrapola ao sugerir um diálogo com outros povos, que não está no texto.


Gabarito: letra C.

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