Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos
Código
vu078619
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - Português
Leia o poema de Manuel Bandeira.Neologismo Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. Intransitivo: Teadoro, Teodora. (Manuel Bandeira, As cidades e as musas) Antonio Candido afirma que “um certo número de escritores se aplica a mostrar como somos diferentes da Europa e como, por isso, devemos ver e exprimir diversamente as coisas. Em todos eles encontramos latente o sentimento de que a expressão livre, principalmente na poesia, é a grande possibilidade que tem para manifestar-se com autenticidade um país de contrastes, onde tudo se misturas e as formas regulares não correspondem à realidade.” Tal afirmação, em relação ao poema de Manual Bandeira, é
Acoerente, porque o eu lírico expressa, de fato, a motivação criadora que, para além do neologismo criado, manifesta-se na própria estrutura do poema, que vem caracterizar uma reação dos poetas modernistas em relação às formas fixas das escolas literárias anteriores.
Brelativa, porque, de um lado, há evidente preocupação com a liberdade criadora, que se manifesta em uma organização textual onde se encontram versos brancos e livres; de outro, há uma seleção lexical e uma idealização do amor que aproxima o poema dos ultrarromânticos.
Cprocedente, porque a forma de organização do poema tem uma clara intenção de rompimento com as formas fixas de expressão que caracterizaram a literatura romântica e a parnasiana, retomando, sem dúvida, o padrão da literatura clássica, sobretudo a árcade.
Dcontroversa, porque o eu lírico, ainda que manifeste sua intenção de inovar no campo linguístico, mantém uma organização de texto literário bastante próxima daquela que a literatura modernista condena, a saber, a escola parnasiana, conhecida por seu rigor estético.
Einaplicável, porque se manifesta de forma inconteste no poema o rigor na organização dos versos, seja em relação à métrica, seja em relação às rimas, o que distancia essa produção da busca pela liberdade criativa que caracterizou o movimento modernista a partir de 1922.
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GabaritoA — coerente, porque o eu lírico expressa, de fato, a motivação criadora que, para além do neologismo criado, manifesta-se na própria estrutura do poema, que vem caracterizar uma reação dos poetas modernistas em relação às formas fixas das escolas literárias anteriores.
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Interpretação do poema "Neologismo" e a afirmação de Antonio Candido
Gabarito: letra A. A afirmação de Candido é coerente com o poema, pois o eu lírico demonstra liberdade criativa ao inventar um neologismo e estruturar o poema em versos livres, o que reflete a busca de autenticidade e ruptura com as formas fixas, conforme descrito por Candido. A passagem do poema “Mas invento palavras / Que traduzem a ternura mais funda” e a criação do verbo “teadorar” exemplificam essa inovação. O próprio formato do poema, sem métrica ou rima fixas, reforça a reação modernista contra escolas literárias anteriores.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é coerente porque captura exatamente a relação: o poema demonstra a motivação criadora (neologismo) e a estrutura livre (versos brancos e livres) que caracterizam a reação modernista às formas fixas. Candido fala de “expressão livre” e “autenticidade”, o que se vê no poema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o poema tem “idealização do amor que aproxima o poema dos ultrarromânticos”. O poema não mostra idealização; ele apenas cria um verbo para expressar ternura. Não há elementos ultrarromânticos, como exaltação exagerada ou sofrimento amoroso. Além disso, a liberdade criativa é predominante, não “relativa”. Erro: extrapolação – atribui ao poema característica que ele não possui.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o poema retoma “o padrão da literatura clássica, sobretudo a árcade”. O poema é claramente modernista, com versos livres e linguagem coloquial, oposto ao classicismo/arcadismo (métrica rígida, pastoralismo). Erro: contradiz o texto – inverte a intenção modernista.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o poema “mantém organização próxima do parnasianismo” (rigor estético). O poema é livre, sem rimas ou métrica. Não há qualquer rigor parnasiano. Erro: contradiz o texto – o poema rompe com o parnasianismo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que há “rigor na organização dos versos, seja em relação à métrica, seja em relação às rimas”. O poema não tem métrica fixa (versos com diferentes sílabas) nem rimas regulares. Erro: contradiz o texto – a afirmação é o oposto do que o poema apresenta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato atribuindo ao poema características de escolas anteriores (ultrarromantismo, arcadismo, parnasianismo) quando, na verdade, ele é um exemplo de liberdade modernista. A chave é reconhecer que o poema usa versos livres (sem métrica ou rima fixa) e cria um neologismo, marcas do modernismo.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar poemas, observe a métrica, rimas, e vocabulário. Versos brancos e livres indicam modernismo. Neologismos também são típicos do movimento.