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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu079697
Banca
VUNESP
Órgão
TJM-SP
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Escrevente Técnico Judiciário
Contrato de Namoro

    Diferentemente do que muitos pensam, a Lei no 9.278, que regulamenta a união estável, não possui nenhuma regra que determine morar na mesma residência ou mesmo um prazo mínimo de convivência para enquadrar uma relação amorosa como união estável.
    Segundo o Código Civil, para que uma relação seja considerada união estável, é preciso que seja duradoura, pública, contínua e com objetivo de constituir família.
    Em razão da existência de casais que decidiram morar juntos, porém mantendo uma relação de namoro, é evidente que a Justiça enfrenta dificuldades em diferenciar namoro de união estável.
     Portanto, embora o namoro seja duradouro, público, dotado de intimidades, isso não resulta que as partes vivam como se casadas fossem, ainda que dividam o mesmo teto. Por mais sólido que seja um namoro, o casal pode não querer constituir família.
    Assim, visando estancar as obrigações jurídicas derivadas do término do relacionamento, muitos escolhem formular um Contrato de Namoro, que poderá ser feito no cartório, com duas testemunhas, e apresentar tanto cláusulas comuns como outras adicionadas pelo casal.
    Nas cláusulas comuns, os contratantes farão a declaração de que possuem um namoro, sem qualquer tipo de vínculo matrimonial; a declaração de independência econômica, ou seja, de que são autônomos financeiramente; e a declaração de que, em eventual dissolução do namoro, o outro não terá direito à pensão alimentícia nem direito de sucessão e herança. Por fim, os contratantes devem atestar que não têm interesse em ter filhos juntos e, em caso de gravidez, que não haverá conversão do namoro em união estável, todavia os direitos da criança serão resguardados.
      O respectivo contrato resulta das constantes mudanças nas relações da sociedade, e o Direito tem por finalidade regular essas relações, reformulando leis, pois é essencial trazer segurança jurídica para os indivíduos.

(Samira de Mendonça Tanus Madeira. https://www.estadao.com.br/politica/ blog-do-fausto-macedo/para-que-serve-um-contrato-de-namoro-e-quaissao-os-reflexos-juridicos/?utm_source=estadao:mail&utm_medium=link Texto publicado em 04.07.2023. Adaptado)
As duas frases elaboradas a partir do texto apresentam o sinal indicativo de crase corretamente empregado em:
  1. AA gravidez não levará o namoro à se converter em união estável. / Para pessoas que estão juntas há tempos, um contrato pode oferecer segurança legal à elas.
  2. BA Lei no 9.278 não atribui à todas as relações amorosas o caráter de união estável. / Há namorados que se dedicam à viver juntos, mas sem laços matrimoniais.
  3. CA gravidez não levará a união duradoura entre namorados à condição de união estável. / O Contrato de Namoro pode dar legalidade à uma relação amorosa.
  4. DÉ possível adicionar novas cláusulas àquelas já estipuladas por lei. / As testemunhas devem declarar que os contratantes levam o compromisso à sério.
  5. EA Justiça não pode agir completamente à revelia dos interesses dos contratantes. / O casal pode impor exigências pessoais às cláusulas de um contrato.
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GabaritoE — A Justiça não pode agir completamente à revelia dos interesses dos contratantes. / O casal pode impor exigências pessoais às cláusulas de um contrato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego da Crase em Frases do Texto

Gabarito: letra E. Ambas as frases em E empregam a crase corretamente: “à revelia” (locução adverbial feminina que exige crase) e “às cláusulas” (preposição “a” + artigo “as” do substantivo feminino plural). As demais alternativas apresentam pelo menos um erro na aplicação do acento grave, contrariando regras básicas de crase.

Análise das Alternativas


Alternativa

1ª Frase (crase)

2ª Frase (crase)

Resultado

A

❌ “à se converter” (antes de verbo)

❌ “à elas” (antes de pronome pessoal)

Incorreta

B

❌ “à todas as relações” (termo interposto)

❌ “à viver” (antes de verbo)

Incorreta

C

✅ “à condição” (correta)

❌ “à uma” (antes de artigo indefinido)

Incorreta

D

✅ “àquelas” (correta)

❌ “à sério” (palavra masculina)

Incorreta

E

✅ “à revelia” (locução adverbial feminina)

✅ “às cláusulas” (prep. + artigo plural)

Correta (Gabarito)

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • “à se converter”: crase antes de verbo (infinitivo) é proibida. O correto é “a se converter”.

  • “à elas”: crase antes de pronome pessoal (“elas”) é proibida. O correto é “a elas”.

Ambas as ocorrências estão erradas.


Alternativa B — ❌ Incorreta

  • “à todas as relações”: a preposição “a” vem antes de “todas”, que é pronome indefinido seguido de artigo. Como há um termo interposto (todas), não ocorre a fusão “a + as”; o correto é “a todas as relações” (sem crase).

  • “à viver juntos”: crase antes de verbo (viver) é proibida. O correto é “a viver”.

Ambas as ocorrências estão erradas.


Alternativa C — ❌ Incorreta

  • “à condição”: crase correta (preposição “a” + artigo “a” de “condição”).

  • “à uma relação”: crase antes do artigo indefinido “uma” é proibida. O correto é “a uma relação”.

A segunda frase está errada.


Alternativa D — ❌ Incorreta

  • “àquelas”: crase correta diante do demonstrativo “aquelas” (preposição “a” + “aquelas”).

  • “à sério”: “sério” é palavra masculina; a locução “a sério” não admite crase. O correto é “a sério” (sem acento).

A segunda frase está errada.


Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • “à revelia”: locução adverbial feminina fixa (à revelia) que exige crase.

  • “às cláusulas”: preposição “a” (exigida pelo verbo “impor”) + artigo “as” do substantivo feminino plural “cláusulas” → crase obrigatória.

Ambas as ocorrências estão corretas.


Conclusão: Apenas a alternativa E apresenta o sinal indicativo de crase empregado corretamente nas duas frases.

PEGA ESSA DICA!

Cara a cara não tem crase, isto é fácil de guardar; com palavra repetida não se deve 'crasear'

Em expressões com palavra feminina repetida (cara a cara, gota a gota, frente a frente, dia a dia) NÃO se usa crase.

— Crase — palavras repetidas

Gabarito: letra E.

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