Mulher de 65 anos com cirrose relacionada ao álcool é atendida com o marido na unidade de saúde. Ela parou de beber há dois anos. O marido está preocupado por ela não ser como sempre, com episódios de confusão. No momento, ela parece orientada para tempo e lugar.Em relação ao quadro descrito, é correto afirmar que
Ao teste Stroop pode ser usado para ajudar no diagnóstico de EH mínima.
Bo exame de imagem é essencial para o diagnóstico de EH.
Celetroencefalografia só tem utilidade na encefalopatia hepática (EH) grau IV.
Delevação de amônia no sangue é diagnóstica de EH.
Enão há indicação para rastreamento de EH mínima.
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GabaritoA — o teste Stroop pode ser usado para ajudar no diagnóstico de EH mínima.
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Encefalopatia hepática: diagnóstico e o papel do teste de Stroop
Gabarito: letra A. O teste de Stroop, especialmente na versão digital (EncephalApp®), é um instrumento validado para auxiliar no diagnóstico da encefalopatia hepática mínima (EH mínima), condição em que não há sinais clínicos evidentes, mas há alterações em testes psicométricos. As demais alternativas apresentam erros conceituais: imagem não é essencial, EEG não se restringe ao grau IV, amônia não é diagnóstica e há indicação de rastreamento.
A encefalopatia hepática (EH) é uma síndrome neuropsiquiátrica que ocorre em pacientes com disfunção hepática ou shunts portossistêmicos, caracterizada por um espectro de alterações que vão desde déficits cognitivos sutis até coma. A forma mais leve, a EH mínima (ou oculta), é particularmente desafiadora: o paciente parece clinicamente normal, mas apresenta prejuízos em atenção, memória e funções executivas, que impactam a qualidade de vida e a segurança (como dirigir). O diagnóstico dessa forma sutil não se baseia no exame físico, mas sim em testes psicométricos específicos.
O teste de Stroop avalia a atenção seletiva e a flexibilidade cognitiva, sendo capaz de detectar disfunções sutis. No contexto da EH, foi desenvolvido o EncephalApp®, um aplicativo para smartphone que incorpora o teste de Stroop e foi validado para a detecção da EH oculta/mínima. A recomendação é que, para a determinação da EH mínima, sejam realizados pelo menos dois testes psicométricos, descartando-se fatores de confusão como distúrbios neuropsiquiátricos, uso de medicamentos psicoativos ou álcool.
É fundamental entender que a EH é um diagnóstico clínico. Não existe um exame laboratorial ou de imagem que, isoladamente, estabeleça o diagnóstico. A amônia, embora seja o marcador mais estudado, não é sensível nem específica: muitos pacientes com níveis elevados não têm EH, e a queda dos níveis não se correlaciona com a melhora clínica. O eletroencefalograma (EEG) pode mostrar alterações inespecíficas (como ondas trifásicas), mas não é patognomônico e pode ser influenciado por outras condições, como hiponatremia. Os exames de imagem (TC, RM) são úteis para afastar diagnósticos diferenciais, como hemorragia intracraniana, mas não confirmam a EH.
A banca explora exatamente essa confusão entre "exame que auxilia" e "exame que diagnostica". A pegadinha está em tratar a amônia ou o EEG como critérios diagnósticos definitivos, quando na verdade são apenas ferramentas complementares. O teste de Stroop, por sua vez, é um dos poucos instrumentos que, de fato, auxilia no diagnóstico da forma mínima, que é justamente o quadro da paciente: ela está orientada, mas o marido percebe episódios de confusão, sugerindo disfunção cognitiva sutil.
Guarde a distinção central: EH mínima = diagnóstico por testes psicométricos (como o Stroop); EH franca = diagnóstico clínico, com exames complementares apenas para afastar outras causas e identificar fatores precipitantes. É essa fronteira que separa a alternativa correta das incorretas.
Encefalopatia hepática (EH): EH mínima/oculta (Sem sinais clínicos evidentes, Testes psicométricos (ex.: Stroop/EncephalApp), Rastreamento indicado); EH franca (Diagnóstico clínico, Exames complementares só p/ excluir outras causas); Exames complementares (Amônia: não é diagnóstica, EEG: alterações inespecíficas (qualquer grau), Imagem: afasta diagnósticos diferenciais)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste de Stroop, especialmente na versão digital (EncephalApp®), é um instrumento validado para auxiliar no diagnóstico da EH mínima. A paciente do caso, com episódios de confusão percebidos pelo marido, mas orientada no momento, é exatamente o perfil em que esse teste é útil: ela pode ter EH mínima, que não é detectada pelo exame clínico convencional, mas sim por testes psicométricos que avaliam atenção, concentração e funções executivas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O exame de imagem (TC, RM) não é essencial para o diagnóstico de EH. Ele é útil para afastar diagnósticos diferenciais, como hemorragia intracraniana, tumor ou outras lesões estruturais, especialmente em casos de rebaixamento do nível de consciência sem melhora ou com sinais localizatórios. A EH é uma síndrome clínica, e o diagnóstico se baseia na história, no exame físico e na exclusão de outras causas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A eletroencefalografia (EEG) não tem utilidade apenas no grau IV. O EEG pode mostrar alterações em qualquer grau de EH, como diminuição da frequência e aumento da amplitude das ondas, com aparecimento de ondas trifásicas. No entanto, essas alterações são inespecíficas e podem ocorrer em outras condições metabólicas. O EEG é um exame complementar que pode auxiliar em casos de dúvida diagnóstica, mas não é restrito ao grau IV.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A elevação da amônia no sangue não é diagnóstica de EH. Embora a hiperamonemia esteja presente em mais de 90% dos pacientes com EH, os níveis de amônia não são sensíveis nem específicos: muitos pacientes com níveis elevados não têm EH, e a queda dos níveis não se correlaciona com a melhora clínica. A ausência de aumento da amônia torna o diagnóstico de EH questionável, mas a presença de níveis elevados não o confirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Há indicação de rastreamento para EH mínima. A EH mínima ocorre em 20 a 80% dos pacientes com cirrose e está associada a prejuízos na qualidade de vida, aumento do risco de acidentes de trânsito e progressão para EH franca. O rastreamento com testes psicométricos, como o teste de Stroop, é recomendado para identificar esses pacientes e instituir medidas preventivas e terapêuticas.