Em relação às possíveis alterações do segmento ST durante o teste de esforço, é correto afirmar que
Aa localização eletrocardiográfica da depressão do segmento ST prediz com precisão o território anatômico da doença coronariana obstrutiva.
Ba depressão do segmento ST deve estar presente durante o exercício e na recuperação para ser interpretada como anormal.
Ca depressão do ponto J durante o exercício é diagnóstica de isquemia cardíaca significativa.
Do ponto J é o ponto de referência isoelétrico apropriado a ser analisado no ECG.
Ea persistência da depressão de ST por 60 a 80 milissegundos após o ponto J é necessária para interpretar a resposta eletrocardiográfica como anormal.
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GabaritoE — a persistência da depressão de ST por 60 a 80 milissegundos após o ponto J é necessária para interpretar a resposta eletrocardiográfica como anormal.
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Alterações do segmento ST no teste de esforço
Gabarito: letra E. A depressão do segmento ST só é considerada anormal quando persiste por 60 a 80 milissegundos após o ponto J, conforme os critérios clássicos de interpretação do teste ergométrico. As demais alternativas contêm erros conceituais: a localização da depressão não prediz o território coronariano, a alteração pode ocorrer apenas durante o exercício ou apenas na recuperação, a depressão do ponto J isolada não é diagnóstica e o ponto J não é a referência isoelétrica adequada.
O teste de esforço (ergométrico) é uma ferramenta não invasiva fundamental na avaliação da doença arterial coronariana (DAC). Durante o exercício, o aumento da demanda miocárdica de oxigênio, em pacientes com estenose coronariana significativa, não é acompanhado por aumento proporcional do fluxo sanguíneo, gerando isquemia. Essa isquemia se manifesta no ECG por alterações do segmento ST, sendo o infradesnivelamento (depressão) o achado mais característico. A interpretação correta dessas alterações é essencial para o diagnóstico e a estratificação de risco.
O ponto J é o ponto de junção entre o fim do complexo QRS e o início do segmento ST. Para que uma depressão seja considerada isquêmica, ela deve ser medida a partir do ponto J e persistir por um intervalo de 60 a 80 ms, com uma profundidade de pelo menos 1 mm (0,1 mV) em relação à linha de base (segmento PR). Essa persistência é o que diferencia a depressão isquêmica da depressão do ponto J isolada, que pode ocorrer em situações fisiológicas, como taquicardia, e não é diagnóstica de isquemia.
A linha de base isoelétrica para medir o deslocamento do ST é o segmento PR, e não o ponto J. O ponto J é apenas o ponto de partida da medição. Além disso, a localização da depressão do ST no ECG não tem correlação precisa com o território coronariano acometido, ao contrário do supradesnivelamento, que tem localização mais específica. A depressão pode aparecer apenas durante o exercício ou apenas na recuperação, e ambas as situações podem ser anormais, não sendo obrigatória a presença nas duas fases.
A banca explora a confusão entre o ponto J e a linha de base, e entre a depressão do ponto J e a depressão isquêmica do segmento ST. O candidato deve lembrar que o critério de anormalidade é a persistência da depressão por 60-80 ms após o ponto J, e não a simples presença de depressão do ponto J. Essa é a chave para resolver a questão.
Depressão do ST no teste de esforço
1Critério de anormalidade
Persistência de 60–80 ms após o ponto J
Profundidade ≥ 1 mm
Referência isoelétrica: segmento PR
2Depressão do ponto J isolada
Não é diagnóstica de isquemia
Pode ser fisiológica (taquicardia)
3Localização
Não prediz território coronariano
Marcador de isquemia subendocárdica difusa
4Fases do teste
Pode ocorrer só no exercício
Pode ocorrer só na recuperação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A localização da depressão do segmento ST não prediz com precisão o território anatômico da doença coronariana obstrutiva. Diferentemente do supradesnivelamento, que tem correlação topográfica, a depressão é um marcador de isquemia subendocárdica difusa e não indica qual artéria está comprometida. A banca tenta confundir com a lógica do supra de ST, mas a depressão não segue essa regra.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A depressão do segmento ST não precisa estar presente durante o exercício e na recuperação para ser interpretada como anormal. Ela pode ocorrer apenas durante o exercício ou apenas na recuperação, e ambas as situações podem ser consideradas anormais. A persistência na recuperação é um sinal de maior gravidade, mas não é um requisito para a anormalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A depressão do ponto J durante o exercício não é diagnóstica de isquemia cardíaca significativa. A depressão do ponto J isolada pode ser um achado fisiológico, especialmente em taquicardia, e não é suficiente para o diagnóstico de isquemia. Para ser considerada isquêmica, a depressão deve persistir por 60-80 ms após o ponto J, com profundidade ≥ 1 mm.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ponto J não é o ponto de referência isoelétrico apropriado a ser analisado no ECG. A referência isoelétrica correta é o segmento PR (ou a linha de base entre o fim da onda P e o início do QRS). O ponto J é apenas o ponto de partida para a medição do deslocamento do ST, não a linha de base.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A persistência da depressão de ST por 60 a 80 milissegundos após o ponto J é necessária para interpretar a resposta eletrocardiográfica como anormal. Esse é o critério clássico que diferencia a depressão isquêmica do segmento ST da depressão do ponto J isolada, que não é diagnóstica. A medição deve ser feita a partir do ponto J, e a depressão deve ser ≥ 1 mm (0,1 mV) em relação ao segmento PR.