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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
vu079953
Banca
VUNESP
Órgão
TRF - 3ª REGIÃO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário / Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Clínica Geral)
Homem de 63 anos com histórico de doença do refluxo gastroesofágico realiza uma endoscopia digestiva alta para vigilância para esôfago de Barrett com os seguintes achados: ausência de lesões visíveis; biópsias mostram histologia consistente com esôfago de Barrett e com evidência de displasia de baixo grau em três amostras (achados confirmados por um segundo patologista especialista).Nesse sentido, a conduta correta é:
  1. Aindicar a esofagectomia laparoscópica.
  2. Brepetir a endoscopia em seis meses.
  3. Cindicar a remoção do esôfago de Barret por radiofrequência.
  4. Dindicar a ressecção endoscópica do esôfago de Barrett.
  5. Erepetir a endoscopia em dois anos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — repetir a endoscopia em seis meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esôfago de Barrett com displasia de baixo grau: vigilância endoscópica

Gabarito: letra B. Na vigência de esôfago de Barrett com displasia de baixo grau confirmada por segundo patologista, a conduta recomendada é a repetição da endoscopia digestiva alta em seis meses, para reavaliação histológica e exclusão de progressão para displasia de alto grau ou neoplasia. As demais alternativas propõem condutas agressivas (esofagectomia, ablação por radiofrequência, ressecção endoscópica) ou intervalo inadequado (dois anos), que não se aplicam a este cenário.

A displasia de baixo grau (DBG) no esôfago de Barrett representa um estágio intermediário na carcinogênese, com risco aumentado de progressão para adenocarcinoma. O diagnóstico de DBG é desafiador, com significativa variabilidade interobservador, o que justifica a confirmação por um segundo patologista especialista, como ocorreu no caso. Uma vez confirmada, a conduta não é intervencionista imediata, mas sim de vigilância endoscópica mais frequente, pois a história natural da DBG é variável: muitos pacientes permanecem estáveis ou regridem, enquanto uma minoria progride para displasia de alto grau (DAG) ou câncer.

A recomendação de repetir a endoscopia em seis meses baseia-se na necessidade de reavaliar a mucosa em um intervalo curto, permitindo detectar precocemente qualquer progressão. Esse intervalo é mais curto que o utilizado para Barrett sem displasia (geralmente 3 a 5 anos) e mais longo que o indicado para DAG, em que se considera terapia endoscópica ou cirurgia. A lógica é evitar intervenções desnecessárias em lesões que podem regredir, mas manter vigilância próxima para não perder uma progressão.

Na prática, o paciente com DBG confirmada deve ser submetido a nova EDA com biópsias sistemáticas (protocolo de Seattle) em 6 meses. Se a DBG persistir, a vigilância pode ser anual; se houver progressão para DAG, a terapia endoscópica (ablação por radiofrequência ou ressecção endoscópica) torna-se indicada. A esofagectomia é reservada para casos de neoplasia invasiva ou DAG não tratável endoscopicamente. A ablação por radiofrequência é uma opção para DAG, mas não é a primeira escolha para DBG, embora possa ser considerada em casos selecionados. A ressecção endoscópica é indicada para lesões visíveis (nódulos, ulcerações), ausentes neste caso.

A pegadinha da questão está em associar a displasia de baixo grau a uma conduta agressiva imediata, quando a recomendação atual é vigilância. O candidato deve lembrar que a DBG confirmada tem manejo conservador inicial, com reavaliação em curto prazo. O intervalo de dois anos é inadequado, pois seria o indicado para Barrett sem displasia, não para DBG. Assim, a alternativa B é a única que reflete a conduta baseada em evidências.

  1. 1Confirmar DBG por 2º patologista
  2. 2Repetir EDA em 6 meses
  3. 3DBG persiste → vigilância anual
  4. 4Progressão p/ DAG → terapia endoscópica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A esofagectomia laparoscópica é um procedimento radical, reservado para adenocarcinoma invasivo ou displasia de alto grau com lesão visível não passível de tratamento endoscópico. No caso de DBG sem lesões visíveis, a cirurgia é excessiva e não é indicada, pois a maioria dos casos não progride e a morbimortalidade cirúrgica é significativa. A conduta correta é vigilância, não ressecção cirúrgica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A repetição da endoscopia em seis meses é a conduta recomendada para esôfago de Barrett com displasia de baixo grau confirmada. Esse intervalo permite reavaliar a histologia e detectar precocemente progressão para displasia de alto grau ou neoplasia, sem submeter o paciente a intervenções desnecessárias. A confirmação por segundo patologista reforça a validade do diagnóstico, e a vigilância em 6 meses é o padrão de cuidado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ablação por radiofrequência é uma terapia endoscópica indicada principalmente para displasia de alto grau ou neoplasia superficial, não para displasia de baixo grau como primeira linha. Embora possa ser considerada em casos selecionados de DBG (por exemplo, persistência ou progressão), não é a conduta inicial recomendada. A vigilância é preferível, pois muitos casos de DBG regridem ou permanecem estáveis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ressecção endoscópica (mucosectomia ou dissecção submucosa) é indicada para lesões visíveis, como nódulos ou ulcerações, que possam representar neoplasia superficial. No caso descrito, não há lesões visíveis, apenas DBG em biópsias. Portanto, a ressecção endoscópica não é apropriada, pois não há alvo a ser ressecado. A conduta é vigilância com biópsias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Repetir a endoscopia em dois anos é um intervalo inadequado para DBG. Esse intervalo seria aceitável para Barrett sem displasia, mas, na presença de DBG, a vigilância deve ser mais frequente (6 meses) para não perder uma possível progressão. Um intervalo de dois anos poderia permitir que uma lesão avançasse para estágios mais graves sem detecção precoce.

Gabarito: letra B

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