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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2023

MedicinaHematologia
Código
vu079962
Banca
VUNESP
Órgão
TRF - 3ª REGIÃO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário / Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Clínica Geral)
Homem de 17 anos com anemia falciforme requer colecistectomia. A hemoglobina atual é de 7,7 g/dL. Ele não foi transfundido ou sofreu de síndrome torácica aguda no último ano.Antes da cirurgia, a conduta correta é:
  1. Aindicar transfusão de troca para atingir um percentual de hemoglobina S abaixo de 70%.
  2. Bindicar transfusão simples para atingir uma hemoglobina de 10 g/dL.
  3. Cnão há indicação de transfusão.
  4. Dindicar transfusão simples para atingir uma hemoglobina de 12 g/dL.
  5. Eindicar transfusão de troca para atingir um percentual de hemoglobina S abaixo de 30%.
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GabaritoE — indicar transfusão de troca para atingir um percentual de hemoglobina S abaixo de 30%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia falciforme e preparo transfusional pré-operatório

Gabarito: letra E. Em paciente com anemia falciforme submetido a cirurgia de grande porte (colecistectomia), a conduta recomendada é a transfusão de troca para reduzir a hemoglobina S a níveis abaixo de 30%, conforme as diretrizes de manejo perioperatório da doença falciforme. A transfusão simples, embora possa ser usada em outras situações, não é a estratégia preferencial para cirurgias de grande porte, pois não reduz de forma eficaz a porcentagem de hemoglobina S e pode aumentar a viscosidade sanguínea.

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária autossômica recessiva, na qual uma mutação no gene da β-globina (substituição de valina por ácido glutâmico na posição 6) leva à produção da hemoglobina S (HbS). Essa hemoglobina anormal, quando desoxigenada, polimeriza e deforma as hemácias, tornando-as rígidas e propensas a causar vaso-oclusão, hemólise crônica e isquemia tecidual. A gravidade da doença está diretamente relacionada à porcentagem de HbS: quanto maior a concentração intracelular de HbS, maior a tendência à falcização. Por isso, em situações de estresse fisiológico — como hipóxia, acidose, desidratação e infecção — o risco de crises vaso-oclusivas e complicações aumenta.

No contexto perioperatório, o objetivo da transfusão não é apenas corrigir a anemia, mas sim reduzir a porcentagem de HbS circulante para diminuir o risco de complicações vaso-oclusivas, como síndrome torácica aguda, acidente vascular cerebral e crises álgicas. A transfusão de troca (eritrocitaférese ou exsanguíneotransfusão parcial) é o método mais eficaz para atingir esse objetivo, pois remove as hemácias falciformes e as substitui por hemácias normais, reduzindo rapidamente a HbS. A transfusão simples, por sua vez, apenas adiciona hemácias normais, diluindo a HbS de forma menos eficiente e podendo aumentar a viscosidade sanguínea, o que pode ser prejudicial.

As diretrizes atuais recomendam que, para cirurgias de grande porte ou que envolvam órgãos vitais, a transfusão de troca seja realizada com o objetivo de manter a hemoglobina S abaixo de 30%. Esse limiar é baseado em estudos que demonstram menor incidência de complicações perioperatórias quando a HbS é mantida em níveis baixos. Em cirurgias de menor porte, pode-se considerar a transfusão simples, mas a troca é a conduta preferencial em procedimentos de maior risco, como a colecistectomia.

A pegadinha desta questão está em confundir os objetivos e os limiares da transfusão simples e da transfusão de troca. A banca oferece alternativas que misturam os dois tipos de transfusão com valores de hemoglobina ou porcentagens de HbS incorretos. O candidato deve lembrar que, em cirurgia de grande porte, o foco é a redução da HbS, não apenas o aumento da hemoglobina total. Além disso, o limiar de HbS abaixo de 30% é o mais rigoroso e o recomendado para procedimentos de alto risco.

  1. 1Cirurgia de grande porte
  2. 2Transfusão de troca
  3. 3HbS abaixo de 30%
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A transfusão de troca é o tipo correto de transfusão, mas o alvo de hemoglobina S abaixo de 70% é insuficiente para cirurgia de grande porte. Esse limiar mais elevado pode ser considerado em situações de menor risco, mas não é o recomendado para colecistectomia, que é um procedimento de grande porte. O objetivo deve ser reduzir a HbS para abaixo de 30%.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A transfusão simples não é a conduta preferencial para cirurgia de grande porte em paciente com anemia falciforme. Embora possa ser usada em algumas situações, como correção de anemia sintomática, ela não reduz de forma eficaz a porcentagem de HbS e pode aumentar a viscosidade sanguínea, aumentando o risco de complicações vaso-oclusivas. Além disso, o alvo de hemoglobina de 10 g/dL não é o objetivo principal nesse contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Há indicação de transfusão neste caso. O paciente será submetido a uma cirurgia de grande porte (colecistectomia) e, mesmo sem história de transfusão recente ou síndrome torácica aguda, o preparo transfusional é recomendado para reduzir o risco de complicações perioperatórias. A conduta de não transfundir seria inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A transfusão simples não é a conduta preferencial para cirurgia de grande porte, e o alvo de hemoglobina de 12 g/dL é excessivo e não é o objetivo principal. O foco deve ser a redução da HbS, não o aumento da hemoglobina total. Além disso, atingir uma hemoglobina de 12 g/dL com transfusão simples pode aumentar a viscosidade sanguínea, o que é prejudicial.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transfusão de troca é a conduta correta para preparo de cirurgia de grande porte em paciente com anemia falciforme. O objetivo é reduzir a porcentagem de hemoglobina S para abaixo de 30%, o que diminui o risco de complicações vaso-oclusivas perioperatórias. Esse é o limiar recomendado pelas diretrizes para procedimentos de alto risco, como a colecistectomia.

Gabarito: letra E

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