Qual afirmação sobre transtornos de humor é verdadeira?
AExiste uma correlação entre a hiposecreção de cortisol e a depressão.
BO status socioeconômico mais elevado leva ao aumento da depressão.
CO transtorno bipolar tem prevalência igual para homens e mulheres.
DCerca de 95% das pessoas com transtorno depressivo maior recebem tratamento adequado.
EA depressão maior é mais comum em homens do que em mulheres.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — O transtorno bipolar tem prevalência igual para homens e mulheres.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transtornos de humor: epidemiologia e diferenças entre os sexos
Gabarito: letra C. O transtorno bipolar (TB) apresenta prevalência semelhante entre homens e mulheres, diferentemente do transtorno depressivo maior (TDM), que é cerca de 1,5 a 3 vezes mais comum no sexo feminino — é exatamente essa distinção epidemiológica que a alternativa correta espelha.
Os transtornos de humor, também chamados de transtornos afetivos, são caracterizados por alterações patológicas do humor, que podem se manifestar como episódios depressivos, maníacos ou hipomaníacos. Os dois grandes grupos são o transtorno depressivo maior (TDM), em que há apenas episódios depressivos, e o transtorno bipolar (TB), em que episódios depressivos se alternam com episódios de mania (TB tipo I) ou hipomania (TB tipo II). A distinção entre eles é fundamental, pois o tratamento difere: o uso de antidepressivos isolados no TB pode precipitar virada maníaca.
A epidemiologia desses transtornos apresenta diferenças marcantes entre os sexos. No TDM, a prevalência é significativamente maior em mulheres, com índices de 1,5 a 3 vezes mais altos do que em homens. Essa diferença é atribuída a fatores biológicos (flutuações hormonais), psicossociais e à maior disposição das mulheres em buscar ajuda e relatar sintomas. Já no transtorno bipolar, a prevalência é praticamente igual entre os sexos, embora haja diferenças no padrão de apresentação: as mulheres tendem a ter mais episódios depressivos e ciclagem rápida, enquanto os homens têm mais episódios maníacos e maior comorbidade com abuso de substâncias.
Outro ponto importante é a relação entre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e a depressão. Na depressão maior, há hiperatividade desse eixo, resultando em hipersecreção de cortisol, e não hiposecreção. Essa hipercortisolemia está associada a alterações no humor, sono e cognição, e é um dos achados neuroendócrinos mais consistentes no TDM.
O status socioeconômico também influencia a prevalência de depressão, mas no sentido inverso ao proposto na alternativa B: indivíduos de menor status socioeconômico apresentam maior risco de desenvolver depressão, devido a estressores crônicos, menor acesso a recursos e maior exposição a adversidades.
Por fim, apesar de a depressão ser uma das principais causas de incapacidade no mundo, a maioria das pessoas com TDM não recebe tratamento adequado. Estima-se que uma parcela significativa dos pacientes não seja diagnosticada ou tratada, especialmente em países de baixa e média renda, o que contraria a alternativa D.
Guarde a fronteira entre TDM e TB quanto à prevalência por sexo: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Transtornos de humor
1TDM (depressivo maior)
Mais comum em mulheres (1,5–3x)
Hipersecreção de cortisol (eixo HHA)
Menor status socioeconômico = maior risco
Maioria não recebe tratamento adequado
2TB (bipolar)
Prevalência igual entre sexos
Mulheres: mais depressão e ciclagem rápida
Homens: mais mania e abuso de substâncias
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há correlação entre hiposecreção de cortisol e depressão. O erro está na inversão do sentido: na depressão maior, ocorre hipersecreção de cortisol, decorrente da hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. A hipersecreção de cortisol é um dos achados neuroendócrinos mais consistentes no TDM, associada a alterações de humor, sono e cognição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que status socioeconômico mais elevado leva ao aumento da depressão. Na realidade, ocorre o oposto: menor status socioeconômico está associado a maior prevalência de depressão, devido a estressores crônicos, menor acesso a recursos de saúde e maior exposição a adversidades psicossociais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O transtorno bipolar tem prevalência igual entre homens e mulheres. Essa é uma característica epidemiológica que distingue o TB do TDM, que é mais comum em mulheres. Embora haja diferenças no padrão de apresentação clínica entre os sexos (mulheres com mais episódios depressivos e ciclagem rápida; homens com mais episódios maníacos e comorbidade com abuso de substâncias), a prevalência global é semelhante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que cerca de 95% das pessoas com TDM recebem tratamento adequado. Esse número é completamente irreal. Na prática, a maioria das pessoas com depressão maior não recebe tratamento adequado, seja por falta de diagnóstico, estigma, falta de acesso a serviços de saúde mental ou subtratamento. Estima-se que uma parcela significativa dos pacientes permaneça sem tratamento ou com tratamento insuficiente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a depressão maior é mais comum em homens do que em mulheres. O correto é o inverso: a depressão maior é 1,5 a 3 vezes mais comum em mulheres do que em homens. Essa diferença é consistente em diversos estudos epidemiológicos e é atribuída a fatores biológicos, psicossociais e comportamentais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a epidemiologia do TDM e do TB. No TDM, a prevalência é maior em mulheres; no TB, é igual entre os sexos. Além disso, inverte o eixo HHA na depressão (hipersecreção, não hiposecreção de cortisol) e o sentido da relação com status socioeconômico (menor status, maior risco). Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de epidemiologia psiquiátrica, memorize os pares: TDM → mais comum em mulheres; TB → igual entre sexos; depressão → hipercortisolemia; status socioeconômico baixo → maior risco de depressão. Esses são os pontos mais cobrados e os mais frequentemente invertidos pelas bancas.