Jovem, masculino, 30 anos, trabalhador há 2 anos e 3 meses em fábrica de algodão hidrófilo, inicia quadro de dispneia e sibilos com melhora em finais de semana há cerca de 40 dias.Assinale a alternativa que corresponde à possível diagnóstico e exame complementar indicado
AAsma sem latência / raio X de Tórax em duas incidências.
BAsma ocupacional / Medida seriada de Peak Flow.
CBissinose / Espirometria.
DAsma induzida / Espirometria.
EBissinose / Exame de escarro para teste de toxinas produzidas por bactérias que atuam junto ao algodão.
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GabaritoB — Asma ocupacional / Medida seriada de Peak Flow.
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Asma ocupacional: diagnóstico e exame complementar
Gabarito: letra B. O quadro clínico — trabalhador em fábrica de algodão hidrófilo, com dispneia e sibilos que melhoram nos finais de semana — é clássico de asma ocupacional, e o exame complementar indicado para confirmar a relação com o trabalho é a medida seriada do pico de fluxo expiratório (Peak Flow), que documenta a variabilidade do fluxo aéreo ao longo dos dias. A base para essa escolha está na fisiopatologia da asma ocupacional e na utilidade prática do Peak Flow, conforme veremos a seguir.
A asma ocupacional é uma forma de asma induzida por exposições no local de trabalho, em pessoas sem história prévia da doença. No caso, o paciente trabalha há 2 anos e 3 meses em fábrica de algodão hidrófilo — um ambiente com exposição a poeira orgânica e possíveis agentes sensibilizantes. O padrão temporal é a chave: os sintomas melhoram nos finais de semana, quando o trabalhador se afasta do ambiente laboral, e pioram durante a semana de trabalho. Esse é o padrão clássico de asma ocupacional, que se distingue da bissinose (doença pulmonar obstrutiva crônica causada pela poeira de algodão, linho ou cânhamo, que também melhora no início da semana, mas tem características diferentes) e da asma comum (que não tem relação temporal com o trabalho).
O diagnóstico da asma, em geral, exige a documentação de hiper-reatividade brônquica e obstrução reversível das vias aéreas. A espirometria é o exame padrão para avaliar a limitação do fluxo expiratório, com demonstração de reversibilidade (aumento de pelo menos 12% e 200 mL no VEF1 após broncodilatador). No entanto, na asma ocupacional, o exame mais útil para estabelecer a relação com o trabalho é a medida seriada do pico de fluxo expiratório (Peak Flow), realizada pelo próprio paciente em casa e no trabalho, várias vezes ao dia, por um período de 2 a 4 semanas. A variabilidade do Peak Flow — com queda nos dias de trabalho e melhora nos dias de folga — confirma o diagnóstico e correlaciona os sintomas com a exposição ocupacional.
A banca explora a confusão entre asma ocupacional e bissinose. A bissinose é uma doença pulmonar obstrutiva crônica causada pela inalação de poeira de algodão, linho ou cânhamo, que também ocorre em trabalhadores de fábricas têxteis. O quadro clássico é de aperto no peito e dispneia no início da semana de trabalho (sintomas que melhoram ao longo da semana), diferente do padrão da asma ocupacional, que piora durante a semana e melhora nos finais de semana. Além disso, a bissinose é uma doença obstrutiva crônica e nem sempre reversível, enquanto a asma ocupacional é uma doença inflamatória crônica com obstrução reversível. O exame complementar indicado para a bissinose seria a espirometria, mas o diagnóstico diferencial entre as duas condições é feito pela história clínica e pelo padrão temporal dos sintomas.
A pegadinha central desta questão é a troca entre asma ocupacional e bissinose, duas doenças relacionadas ao trabalho com poeira de algodão. O candidato que reconhece a exposição ao algodão pode ser levado a escolher a bissinose, mas o padrão temporal (melhora nos finais de semana) e a presença de sibilos (mais típicos de asma) apontam para a asma ocupacional. Além disso, o exame complementar mais específico para confirmar a relação com o trabalho é a medida seriada do Peak Flow, e não a espirometria isolada, que apenas documenta a obstrução reversível, sem estabelecer a correlação temporal com a exposição.
Guarde a fronteira entre asma ocupacional e bissinose: a primeira é uma doença inflamatória com obstrução reversível, que piora durante a semana e melhora nos finais de semana, e o exame de escolha para confirmar a relação com o trabalho é o Peak Flow seriado; a segunda é uma doença obstrutiva crônica, com sintomas que melhoram ao longo da semana, e o exame de escolha é a espirometria. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Doenças respiratórias ocupacionais (poeira de algodão)
1Asma ocupacional
Inflamatória, obstrução reversível
Piora na semana, melhora no fim de semana
Exame: Peak Flow seriado
2Bissinose
Obstrutiva crônica, nem sempre reversível
Piora no início da semana, melhora ao longo dela
Exame: espirometria
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma "Asma sem latência / raio X de Tórax em duas incidências". O termo "asma sem latência" não é uma classificação reconhecida; a asma ocupacional pode ter um período de latência (sensibilização) ou ser de início imediato, mas a expressão "sem latência" não é a terminologia correta. Além disso, o raio X de tórax não é o exame complementar indicado para confirmar a relação com o trabalho; ele pode mostrar hiperinsuflação em casos graves, mas não é específico para asma ocupacional. O exame correto é a medida seriada do Peak Flow.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa "Asma ocupacional / Medida seriada de Peak Flow" está correta. O quadro clínico — trabalhador em fábrica de algodão hidrófilo, com dispneia e sibilos que melhoram nos finais de semana — é clássico de asma ocupacional. O exame complementar indicado para confirmar a relação com o trabalho é a medida seriada do pico de fluxo expiratório (Peak Flow), que documenta a variabilidade do fluxo aéreo ao longo dos dias, com queda nos dias de trabalho e melhora nos dias de folga. Esse exame é útil para estabelecer evidências de variabilidade no fluxo expiratório e correlacionar os sintomas com a exposição ocupacional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa "Bissinose / Espirometria" está incorreta. Embora a exposição ao algodão possa causar bissinose, o padrão temporal do paciente — melhora nos finais de semana — é mais típico de asma ocupacional do que de bissinose. Na bissinose, os sintomas (aperto no peito, dispneia) costumam aparecer no início da semana de trabalho e melhorar ao longo da semana, o oposto do quadro apresentado. Além disso, a espirometria é o exame para documentar obstrução reversível, mas não é o exame de escolha para confirmar a relação com o trabalho; a medida seriada do Peak Flow é mais adequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa "Asma induzida / Espirometria" está incorreta. O termo "asma induzida" é vago e não é a classificação mais precisa; o correto é "asma ocupacional", que especifica a causa relacionada ao trabalho. Além disso, embora a espirometria seja um exame importante para o diagnóstico de asma, ela não é o exame complementar mais indicado para confirmar a relação com o trabalho. A medida seriada do Peak Flow é o exame de escolha para documentar a variabilidade do fluxo aéreo e correlacionar os sintomas com a exposição ocupacional.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa "Bissinose / Exame de escarro para teste de toxinas produzidas por bactérias que atuam junto ao algodão" está incorreta. O diagnóstico de bissinose não é confirmado por exame de escarro para toxinas bacterianas; a bissinose é causada pela inalação de poeira de algodão, linho ou cânhamo, e o diagnóstico é clínico, com base na história ocupacional e nos sintomas. Além disso, o padrão temporal do paciente (melhora nos finais de semana) é mais típico de asma ocupacional do que de bissinose. O exame de escarro para toxinas bacterianas não é um exame padrão para o diagnóstico de doenças respiratórias ocupacionais.
Gabarito: letra B — Asma ocupacional / Medida seriada de Peak Flow.