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Questão de Português — Parênteses — VUNESP 2023

PortuguêsParênteses
Código
vu080397
Banca
VUNESP
Órgão
UFABC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista de Tecnologia da Informação
Férias da família


     Assim que as crianças entram no carro, ele sente-se em férias. Corre para a frente da televisão, tira os sapatos, embola as meias e atira no meio do tapete. Não há maior sensação de liberdade para um homem do que espalhar roupas pela casa sem o risco de ouvir reclamações. Comer e deixar os pratos empilhados é outra delícia. Todas as conquistas femininas dos últimos anos, que levaram o sexo masculino a dividir as tarefas da casa, vão por água abaixo. A invenção mais perfeita para um senhor em férias é o micro-ondas. Em poucos minutos, qualquer gororoba já começa a soltar fumaça.
     Nesse instante, ele pensa: Como é boa a vida de solteiro! E é invadido por uma nostalgia imensa do tempo em que não era casado, não tinha filhos e tantas responsabilidades. O dinheiro era, principalmente, para se divertir.
     Pressente que, de descanso, a esposa não tem nada. Na praia, passa os dias às voltas com as crianças, tratando das refeições, das roupas, das queimaduras e dos momentos em que os filhos estão entediados e querem arrancar um a orelha do outro.
     Mesmo assim, ele se acha um tanto injustiçado e resolve que tem o direito de aproveitar. Pede à empregada que faça bife à milanesa com arroz e batatas fritas para o jantar. É seu grito de liberdade. A esposa nunca faz nada à milanesa. Vive de regime e as frituras estão interditadas. Ele adora.
     À noite, lembra-se do bife à milanesa. Bota no micro. Retira uma sola de sapato com batatas molengas. Vai para a cama com o estômago reclamando.
     Dali a dois dias, vai fazer café, e o pó acabou. Não há uma camisa de colarinho sequer. No caminho do trabalho, deixa todas na lavanderia. Chega atrasado. Ao voltar, o apartamento está com cheiro de úmido por causa das chuvas. As meias sujas brotam do tapete como cogumelos. Faz uma maleta às pressas e, no dia seguinte, sai mais cedo do expediente para se refugiar na praia.
     De noite, ambos caem exaustos na cama. Ouve de longe o barulhinho das crianças cochichando no quarto. Respira fundo e descobre: mal passou uma semana e já está morrendo de saudade da boa vida de casado!

(Walcyr Carrasco. Veja SP, 30.01.2002. Adaptado) 
Na pontuação de um texto, os parênteses podem ser empregados para indicar informação de caráter acessório, isto é, cuja ausência não compromete o sentido do enunciado. É o que ocorre na frase da alternativa:
  1. AEspalhar roupas pela casa (sem o risco de ouvir reclamações) é a maior sensação de liberdade para o personagem.
  2. BNa hora de preparar o jantar, (qualquer gororoba) já começa a soltar fumaça depois de alguns minutos no micro-ondas.
  3. CNa praia, a esposa passa os dias atrás das crianças, (tratando das refeições e apartando) brigas entre os filhos.
  4. DVai para a cama com o estômago reclamando, já que o bife virou (uma sola de sapato) com batatas molengas.
  5. EDeitados na cama e exaustos, ele e a esposa escutam (o barulhinho das crianças) que cochicham no quarto.
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GabaritoA — Espalhar roupas pela casa (sem o risco de ouvir reclamações) é a maior sensação de liberdade para o personagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parênteses como marca de informação acessória

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única em que o trecho entre parênteses pode ser retirado sem comprometer a estrutura gramatical e o sentido fundamental da frase. No texto original, a oração “sem o risco de ouvir reclamações” aparece sem parênteses, mas a questão testa se essa informação é acessória. Ao suprimir o parêntese em A, obtém-se “Espalhar roupas pela casa é a maior sensação de liberdade para o personagem”, frase completa e coerente com o texto – a ideia central (a liberdade de espalhar roupas) permanece, e o detalhe suprimido apenas a qualifica.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No texto original: “Não há maior sensação de liberdade para um homem do que espalhar roupas pela casa sem o risco de ouvir reclamações.” A alternativa coloca “sem o risco de ouvir reclamações” entre parênteses. Se esse trecho for removido, a frase resultante ainda é gramatical e semanticamente autônoma, mantendo a tese de que espalhar roupas é a maior liberdade. Portanto, trata-se de informação acessória, conforme o comando.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase original: “Em poucos minutos, qualquer gororoba já começa a soltar fumaça.” O termo “qualquer gororoba” é o sujeito da oração. Se retirado, a frase “Na hora de preparar o jantar, já começa a soltar fumaça depois de alguns minutos no micro-ondas” perde o sujeito, tornando-se gramaticalmente incompleta e sem sentido. Logo, a informação é essencial, não acessória. Erro: confunde acessório com essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No texto: “passa os dias às voltas com as crianças, tratando das refeições, das roupas, das queimaduras e dos momentos em que os filhos estão entediados (...)” A alternativa C insere “tratando das refeições e apartando” entre parênteses. A retirada resulta em “Na praia, a esposa passa os dias atrás das crianças, brigas entre os filhos.” A estrutura fica quebrada: falta a ligação entre “crianças” e “brigas”. Portanto, o trecho é estruturalmente indispensável. Erro: confunde acessório com essencial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Original: “Retira uma sola de sapato com batatas molengas.” A alternativa coloca “uma sola de sapato” entre parênteses. Sem esse objeto, a frase fica “Vai para a cama com o estômago reclamando, já que o bife virou com batatas molengas.” O verbo “virou” exige complemento direto; a ausência torna a oração agramatical e sem sentido claro. Erro: confunde acessório com essencial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

No texto: “Ouve de longe o barulhinho das crianças cochichando no quarto.” A alternativa põe “o barulhinho das crianças” entre parênteses. A eliminação gera “Deitados na cama e exaustos, ele e a esposa escutam que cochicham no quarto.” O verbo “escutam” pede um objeto direto; “que cochicham” é uma oração subordinada sem antecedente, resultando em incoerência. Erro: confunde acessório com essencial.

Conclusão

Apenas a alternativa A apresenta parênteses envolvendo um trecho que, se retirado, não afeta a correção gramatical nem o sentido central da frase. As demais alternativas contêm elementos sintática e semanticamente indispensáveis, portanto não se enquadram no uso acessório dos parênteses.

Gabarito: letra A

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