Diálogos no interior da crônica: uso do travessão
Gabarito: letra C. A alternativa C está correta porque o trecho “E olhem só que tipo de frase estou escrevendo!” é uma fala do autor dirigida diretamente aos leitores, manifestando surpresa pelo tom poético que acabara de empregar, conforme se lê no último parágrafo.
A questão avalia a compreensão de como o autor usa o travessão para indicar mudança de interlocutor. O comando pede “a respeito da maneira como o autor estabelece diálogos” – ou seja, quem fala para quem. Cada alternativa deve ser confrontada com o texto literal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O travessão no primeiro parágrafo introduz a fala de um amigo, não de um leitor: “A nuvem — Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar!”. Essa fala expressa admiração pelo fato de o autor não reclamar, e não uma reclamação de leitor sobre crônicas que tratam de problemas da cidade. A alternativa inverte o sentido e atribui um conteúdo que o texto não sustenta (contradiz o texto).
Alternativa B — ❌ Incorreta
No segundo parágrafo, a frase “Mas que posso fazer?” não está isolada por travessões no texto fornecido, e, mesmo que estivesse, ela é uma reflexão interna do autor, não uma pergunta dirigida ao amigo. O texto não indica que o autor ficou “contrariado com a crítica”; ele reconhece as razões do amigo (“Meu amigo está [...] grávido de razões”) e pondera. A alternativa extrapola ao acrescentar um sentimento não expresso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No último parágrafo, o autor escreve: “E olhem só que tipo de frase estou escrevendo!”. O uso do imperativo “olhem” (terceira pessoa do plural) dirige-se claramente aos leitores, e a exclamação revela surpresa do próprio autor com o lirismo da frase anterior (“que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo”). A passagem confirma que o autor estabelece um diálogo direto com o público, manifestando espanto metalinguístico. Ancoragem textual: “E olhem só que tipo de frase estou escrevendo!”.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A frase “Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão” é proferida pelo próprio autor em um monólogo interior (ele se chama de “velho Braga”), e não pelo amigo. O texto não apresenta nenhuma marca de que outro personagem fale nesse trecho. A alternativa contradiz o texto ao atribuir a fala a um interlocutor inexistente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pergunta “Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar?” é uma interrogação retórica dirigida ao leitor, e não um diálogo com a jovem mencionada logo a seguir. A jovem é introduzida depois (“há uma jovem gostando de mim?”), e a pergunta sobre as amendoeiras não estabelece interlocução com ela. A alternativa confunde os referentes e inventa uma interação inexistente.
Conclusão: apenas a alternativa C descreve corretamente o diálogo presente no texto.