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Questão de Português — Advérbios — VUNESP 2023

PortuguêsAdvérbios
Código
vu080499
Banca
VUNESP
Órgão
DPE-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Leia o texto, para responder à questão.

Pessoas do bem

        Volta e meia deparamos com as seguintes questões: porventura existem pessoas do bem? Podemos dizer que de um lado há os “do bem” e, de outro, os “do mal”?
        Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil, porque não envolve compromisso nem esforço. Não é possível estabelecer e rotular, seguramente, dessa maneira, muito menos tecer qualquer julgamento. Todos nós temos bons valores, mas muitas vezes agimos de modo a prejudicar o próximo e até a nós mesmos, consciente ou inconscientemente.
         Entretanto, se tomarmos essa negação como absoluta, a confusão se instala. Não poderemos eleger, e esse é um risco, as coisas boas, nem evoluir nesses valores positivos. Em outras palavras, se dissermos que jamais se pode traçar uma linha entre pessoas boas e más, também estamos a dizer que não existem valores construtivos, que nos fazem caminhar para um lugar melhor, pois os valores são inseparáveis das pessoas.
        Nesses termos, temos que arriscar, sim, alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. O que não parece certo é apontar e discriminar, para excluir aqueles que não estão inseridos no grupo do bem. A atividade das pessoas do bem, diga-se, não tende a segregar, mas sim aproximar, incluir.
         Se recorrermos à religião, ao direito, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho. Em suma, as pessoas que praticam o bem reconhecem que não são únicas e, por estarem junto às demais, vivem em sintonia com o todo, com a comunidade.
        E numa comunidade assim, a solidariedade triunfa. Ninguém fica à mercê dos infortúnios da vida. Os que caem são prontamente socorridos. Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado com a mão estendida. E as conexões sociais fortes são hoje, reconhecidamente, um dos melhores ingredientes para a felicidade.
        O final dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver. Nossa aposta, com todas as fichas, é que existe um elo de sequência, quase de causa e efeito, nas boas atitudes. As pessoas do bem, altruístas, solidárias, produzem felicidade. Elas nos deixam felizes.
        E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é esta: todos temos direito à felicidade. Dependemos, portanto, das pessoas do bem.         

(Evandro Pelarin, Diário da Região, 18.04.2023. Adaptado)
O advérbio destacado que expressa, no contexto, uma declaração categórica é:
  1. A… deparamos com as seguintes questões: porventura existem pessoas do bem?
  2. BTalvez a resposta imediata seja uma negativa.
  3. C… temos que arriscar, sim, alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente, simplistas.
  4. D… existe um elo de sequência, quase de causa e efeito…
  5. EE se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa…
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GabaritoE — E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa…

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Advérbio de declaração categórica no texto

Gabarito: letra E. O advérbio "jamais" (nunca) expressa uma negação absoluta, constituindo uma declaração categórica no trecho: "E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa: todos temos direito à felicidade." A palavra "jamais" elimina qualquer possibilidade de exceção, tornando o enunciado taxativo.


Alternativa A — ❌ Incorreta

"porventura" é advérbio de dúvida ("porventura existem pessoas do bem?"). Indica incerteza, não categoricidade. | Erro: troca_conceito (confunde advérbio de dúvida com afirmação categórica).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Talvez" também é advérbio de dúvida ("Talvez a resposta imediata seja uma negativa."). Expressa possibilidade, não certeza. | Erro: troca_conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"sim" ("temos que arriscar, sim, alguns paralelos") é advérbio de afirmação. Embora reforce a assertiva, o contexto mantém ressalvas ("ainda que maniqueístas"), e não há negação absoluta. A banca considerou "jamais" mais categórico por ser uma negação peremptória. | Erro: incompleta (não atende ao grau máximo de categoricidade exigido).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"quase" ("quase de causa e efeito") é advérbio de intensidade/aproximação. Indica aproximação, não certeza. | Erro: generalizacao (interpreta aproximação como declaração categórica).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"jamais" no trecho "E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa" expressa negação absoluta. O advérbio modaliza o verbo "pode ser revogada" com valor de impossibilidade total, o que caracteriza uma declaração categórica (sem exceções). A passagem comprova:

"E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é essa: todos temos direito à felicidade."

Conclusão: Apenas a alternativa E apresenta um advérbio que expressa uma declaração categórica (negação absoluta). Gabarito: letra E.

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