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Questão de Português — Significação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos. — VUNESP 2023

PortuguêsSignificação Contextual de Palavras e Expressões. Sinônimos e Antônimos.
Código
vu080502
Banca
VUNESP
Órgão
DPE-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Leia o texto, para responder à questão.

Pessoas do bem

        Volta e meia deparamos com as seguintes questões: porventura existem pessoas do bem? Podemos dizer que de um lado há os “do bem” e, de outro, os “do mal”?
        Talvez a resposta imediata seja uma negativa. Uma resposta fácil, porque não envolve compromisso nem esforço. Não é possível estabelecer e rotular, seguramente, dessa maneira, muito menos tecer qualquer julgamento. Todos nós temos bons valores, mas muitas vezes agimos de modo a prejudicar o próximo e até a nós mesmos, consciente ou inconscientemente.
         Entretanto, se tomarmos essa negação como absoluta, a confusão se instala. Não poderemos eleger, e esse é um risco, as coisas boas, nem evoluir nesses valores positivos. Em outras palavras, se dissermos que jamais se pode traçar uma linha entre pessoas boas e más, também estamos a dizer que não existem valores construtivos, que nos fazem caminhar para um lugar melhor, pois os valores são inseparáveis das pessoas.
        Nesses termos, temos que arriscar, sim, alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. O que não parece certo é apontar e discriminar, para excluir aqueles que não estão inseridos no grupo do bem. A atividade das pessoas do bem, diga-se, não tende a segregar, mas sim aproximar, incluir.
         Se recorrermos à religião, ao direito, à história, por exemplo, há um vetor quase que comum e permanente. Pessoas do bem são aquelas que, na comunidade, respeitam o outro; sabem ver no outro um espelho. Em suma, as pessoas que praticam o bem reconhecem que não são únicas e, por estarem junto às demais, vivem em sintonia com o todo, com a comunidade.
        E numa comunidade assim, a solidariedade triunfa. Ninguém fica à mercê dos infortúnios da vida. Os que caem são prontamente socorridos. Os que tropeçam aprendem, no tropeço, um passo de dança, pois há sempre um parceiro ao lado com a mão estendida. E as conexões sociais fortes são hoje, reconhecidamente, um dos melhores ingredientes para a felicidade.
        O final dessa história, portanto, leva a um estado de espírito que nos traz prazer e vontade de viver. Nossa aposta, com todas as fichas, é que existe um elo de sequência, quase de causa e efeito, nas boas atitudes. As pessoas do bem, altruístas, solidárias, produzem felicidade. Elas nos deixam felizes.
        E se existe uma regra na vida que jamais pode ser revogada é esta: todos temos direito à felicidade. Dependemos, portanto, das pessoas do bem.         

(Evandro Pelarin, Diário da Região, 18.04.2023. Adaptado)
Na passagem do 4º parágrafo – Nesses termos, temos que arriscar sim alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato. – as expressões destacadas podem ser substituídas, sem prejuízo de sentido ao texto, respectivamente, por:
  1. Aembora … visto que
  2. Baté que … porque
  3. Capesar de … portanto
  4. Denquanto que … assim que
  5. Ejá que … porém
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — embora … visto que

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de 'ainda que' e 'pois' no texto

Gabarito: letra A. A questão pede substituição dos conectivos destacados no 4º parágrafo sem alterar o sentido. O par original é: "ainda que" (concessão = ‘embora’) e "pois" (causa/explicação = ‘visto que’). A única alternativa que preserva exatamente essa relação semântica é a A (embora … visto que).

“…temos que arriscar sim alguns paralelos, ainda que maniqueístas; aparentemente simplistas. Aliás, não há nada de errado nessa visão dual do mundo, pois isso é muito antigo, até inato.”

No trecho, “ainda que” introduz uma concessão (admite que os paralelos são maniqueístas, mas mesmo assim se arriscam). Já “pois” explica por que não há nada de errado (porque a visão dual é antiga e inata).

Alternativa A — ✅ Correta ⟲ GABARITO

  • Embora é conjunção concessiva, equivalente a “ainda que”. Visto que é conjunção causal, equivalente a “pois”. A troca mantém o sentido original: concessão + causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • Até que tem valor temporal (limite de tempo), não concessivo. Porque é causal, mas a primeira substituição já invalida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • Apesar de é concessivo (correto para o primeiro), mas portanto é conclusivo, não causal. O sentido do segundo trecho (explicação) se perde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

  • Enquanto que indica simultaneidade/contraste, não concessão. Assim que é temporal imediato. Nenhum dos dois se encaixa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

  • Já que é causal, não concessivo (inverte a relação). Porém é adversativo, não causal. A ordem e o sentido ficam trocados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca induz a trocar “ainda que” por um conectivo de causa (como “já que”) e “pois” por um de oposição (“porém”), inversão que altera o sentido. É preciso reconhecer a função sintático-semântica de cada um.

PEGA ESSA DICA!

Antes de substituir, identifique a relação que o conectivo expressa no texto: concessão (embora, ainda que, apesar de), causa (porque, visto que, já que), conclusão (portanto, logo), etc. Teste mentalmente a substituição na frase original.

Gabarito: letra A.

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