Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no
assunto.
Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo
de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a
escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances
e contos.
E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui,
ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve
publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo.
Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para
o jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo,
e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer,
para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas
queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que
não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque
isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque
o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de
leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente
a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal
apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado.
Vou dizer a verdade: não estou contente.
(Clarice Lispector, A descoberta do mundo)
Identifica-se oração subordinada que expressa sentido de tempo em:
ANão sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil…
B… à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais…
COutra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para o jornal…
DNão é que me desagrade mudar, pelo contrário.
EAqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil…
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Identificação de Oração Subordinada Temporal
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que apresenta uma oração subordinada adverbial temporal, conforme o trecho do texto: "Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil…". A locução conjuntiva "antes de" introduz uma ideia de anterioridade, caracterizando uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo.
Alternativa
Trecho analisado
Classificação da oração subordinada
Sentido expresso
A ✅
"antes de começar a escrever"
Adverbial temporal reduzida de infinitivo
Tempo (anterioridade)
B ❌
"à medida que escrevia"
Adverbial proporcional
Proporção
C ❌
"que estou escrevendo"
Substantiva objetiva direta
—
D ❌
"que me desagrade mudar"
Substantiva subjetiva ou objetiva direta
—
E ❌
"que ele fique agradado"
Substantiva objetiva indireta
—
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O trecho "antes de começar a escrever" expressa tempo (anterioridade). É uma oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. O texto comprova: "Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil…".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A expressão "à medida que" introduz uma oração subordinada adverbial proporcional, não temporal. O texto diz: "à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais". A ideia é de proporção (à proporção que), e não de tempo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"que estou escrevendo para o jornal" é uma oração subordinada substantiva (objetiva direta), funcionando como objeto do verbo "saber". Não há valor temporal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"que me desagrade mudar" é uma oração subordinada substantiva (objetiva direta ou subjetiva, dependendo da análise). Não expressa tempo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"que ele fique agradado" é uma oração subordinada substantiva (objetiva indireta, complemento de "agrada-me"). Sem valor temporal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre orações adverbiais temporais e proporcionais. "À medida que" (alternativa B) é proporcional, embora muitas vezes seja erroneamente associada a tempo. Já a alternativa A usa a locução "antes de", claramente temporal.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.