Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2023
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu080561
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Nível
Superior
Leia o texto para responder à questão.
Ser cronista
Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no
assunto.
Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo
de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a
escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances
e contos.
E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui,
ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve
publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo.
Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para
o jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo,
e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer,
para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas
queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que
não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque
isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque
o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de
leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente
a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal
apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado.
Vou dizer a verdade: não estou contente.
(Clarice Lispector, A descoberta do mundo)
No texto, a autora deixa evidente que escrever crônicas é
Amelancólico, porque a manifestação dos sentimentos pessoais reforça seus medos e suas angústias.
Balentador, porque consegue capturar a essência do público leitor e falar com ele sem medo de se mostrar.
Cparadoxal, porque estabelece uma relação profunda com o leitor e, ao mesmo tempo, a leitura é breve.
Dincômodo, porque a relação com o público leitor é superficial e, além disso, a escrita pessoal desagrada.
Einspirador, porque a intimidade com o leitor é muito maior do que com os leitores de romances e contos.
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GabaritoD — incômodo, porque a relação com o público leitor é superficial e, além disso, a escrita pessoal desagrada.
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Interpretação de Texto — Sentimento da Autora sobre Escrever Crônicas
Gabarito: letra D. A autora deixa evidente que escrever crônicas é incômodo, pois a relação com o leitor é superficial e a escrita pessoal a desagrada. A passagem "Aqui no jornal apenas falo com o leitor" (contraposta à comunicação profunda dos livros) e a confissão final "não estou contente" sustentam diretamente essa interpretação.
PEGA ESSA DICA!
O comando "deixa evidente" pede compreensão (informação explícita). A resposta está nas declarações da autora, especialmente no último parágrafo.
Análise das Alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Melancólico e a ideia de que "reforça medos e angústias" são extrapolações. O texto menciona o risco de se tornar pessoal demais, mas não associa isso a medos ou angústias. Erro: extrapolação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Contradiz o texto. A autora diz que no jornal "apenas falo com o leitor", sem profundidade, e afirma não estar contente. Não há nada de alentador no trecho. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não estabelece uma relação profunda com o leitor na crônica; a profundidade é reservada aos livros. A leitura breve é mencionada, mas não como paradoxo. Erro: troca de conceito (confunde superficial com profundo).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A autora explicita: "Aqui no jornal apenas falo com o leitor" (superficialidade) e "não estou contente" (incômodo). Além disso, lamenta tornar-se pessoal demais: "correndo o risco de em breve publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo". Esses elementos comprovam o incômodo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inverte o sentido. A autora afirma que nos livros busca comunicação profunda; na crônica, a comunicação é apenas superficial ("apenas falo com o leitor"). Não há intimidade maior. Erro: contradiz o texto.
Conclusão: A única alternativa inteiramente ancorada no texto é a D, que capta o descontentamento e a superficialidade apontados pela autora.