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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu080571
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Nível
Superior
Leia o texto para responder à questão.

China, Índia e a nova ordem social

        Há séculos a China é o país mais populoso do planeta. Na última década se tornou também o maior produtor industrial, maior exportador, com as maiores reservas internacionais e, em poder de compra, a maior economia. Mas, no dia 15, o governo anunciou o primeiro declínio populacional desde os anos 60. Naquela época foi algo episódico – consequência da fome –, mas agora será contínuo: em 2050, a população deverá ser 8% menor. A ONU projeta que a população da Índia ultrapassará a da China em abril, e crescerá até um pico, em 2064, de 1,7 bilhão, 50% maior que a da China. Isso não significa que a Índia conquistará as outras primazias da China. Mas tentará. E essa competição moldará o século 21.

        A redução demográfica chinesa foi fabricada. Após a fome causada pelo “Grande Salto Adiante” maoísta, o Partido Comunista ativou suas políticas de controle, com a campanha “mais tarde, mais longo, menos” – adiar casamentos, ampliar o intervalo entre os filhos e ter menos filhos. Em 1980, implementou a política “um filho”, envolvendo esterilizações e abortos forçados. O milagre econômico chinês resultou em parte da alteração abrupta na proporção entre adultos em idade de trabalho e crianças. Mas, agora que a população está envelhecendo, o peso dos idosos cobrará seu preço. A força de trabalho encolhe há anos, retesando a economia, e o sistema de seguridade está mal equipado. A mais ambiciosa política populacional da história foi não só um crime, mas está se provando um tiro no pé. O Partido reverteu sua política de natalidade, oferecendo dinheiro por mais filhos, acesso à fertilização in vitro e restringindo o aborto – mas sem sucesso.

        No passado, a Índia também implementou controles draconianos, incluindo esterilizações em massa. Mas seu insucesso lhe dá agora vantagens comparativas. Sua população não só está crescendo, como é significativamente mais jovem que a da China. Metade tem menos de 30 anos. Com esse bônus demográfico – mais trabalhadores do que dependentes –, a Índia é uma das economias que cresceram mais rápido nos últimos anos, ultrapassou a do Reino Unido como a quinta maior, e até 2030 deve se tornar a terceira maior.

(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 24.01.2023. Adaptado)
Em relação à redução demográfica da China, o editorial deixa claro que ela decorre de uma
  1. Acondição natural do país que, desde os anos 60, incentivava a natalidade.
  2. Bcompetição populacional com a Índia, que queria superá-la na economia.
  3. Cpolítica populacional cuja finalidade era o equilíbrio econômico do país.
  4. Dtentativa política de superar economicamente os países do ocidente.
  5. Eexigência da ONU ao país cuja população aumentava sem controle.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — política populacional cuja finalidade era o equilíbrio econômico do país.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Redução demográfica da China: causa apontada pelo editorial

Gabarito: letra C. O editorial afirma explicitamente que a redução demográfica chinesa foi "fabricada" por políticas populacionais do Partido Comunista e relaciona essas políticas ao milagre econômico, indicando que a finalidade era o equilíbrio econômico. A passagem-chave é:

"A redução demográfica chinesa foi fabricada. Após a fome causada pelo 'Grande Salto Adiante' maoísta, o Partido Comunista ativou suas políticas de controle... O milagre econômico chinês resultou em parte da alteração abrupta na proporção entre adultos em idade de trabalho e crianças."

A expressão "resultou em parte da alteração abrupta" mostra que a mudança demográfica visava beneficiar a economia (mais adultos trabalhando, menos dependentes). Mais adiante, o texto confirma o tiro no pé atual, mas a intenção original era econômica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a redução decorre de "condição natural do país que, desde os anos 60, incentivava a natalidade". O texto diz o oposto: a redução foi fabricada por políticas de controle, e nos anos 60 houve fome, não incentivo à natalidade. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que decorre de "competição populacional com a Índia". O editorial menciona que a Índia ultrapassará a China em população e que haverá competição econômica, mas não afirma que a redução chinesa foi causada por essa competição. A redução é anterior e tem causas internas. Erro: extrapolação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Política populacional cuja finalidade era o equilíbrio econômico do país." O texto vincula as políticas de controle ("mais tarde, mais longo, menos" e "um filho") ao milagre econômico, ou seja, ao ajuste na proporção entre trabalhadores e dependentes para impulsionar o crescimento. Essa é a causa apontada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diz que decorre de "tentativa política de superar economicamente os países do ocidente". O texto não menciona Ocidente. Fala de primazias econômicas globais, mas não reduz a motivação a superar o Ocidente. Erro: fuga ao tema / acrescenta informação externa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a redução decorre de "exigência da ONU ao país cuja população aumentava sem controle". O texto cita projeções da ONU, mas não diz que a ONU exigiu a redução. A política foi interna e voluntária. Erro: extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o conhecimento prévio sobre competição China-Índia e sobre pressões internacionais, mas o texto só autoriza a causa interna econômica. A letra C é a única que se ancora diretamente nos argumentos do editorial.

Gabarito: letra C.

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