Tom bem‑humorado na crônica de Moacyr Scliar
Gabarito: letra A. O autor expõe suas ideias com um tom bem‑humorado, fazendo uma análise subjetiva de situações cotidianas – exatamente o que se espera de uma crônica. O texto brinca com a frase “Quando eu tinha a tua idade”, exagera nas antigas virtudes (“Conhecíamos toda a obra de Balzac”) e logo as desmente (“Mas éramos mesmo?”), criando ironia e leveza.
“Dificilmente haverá, nas sempre difíceis relações entre pais e filhos, frase mais perigosa.” “Sim, éramos mais cultos, mais politizados, mais atentos. Conhecíamos toda a obra de Balzac, entoávamos todas as sinfonias de Beethoven. Éramos o máximo. Mas éramos mesmo?”
Esses trechos mostram o humor crítico e a subjetividade (opinião pessoal do autor). O texto comenta o cotidiano (quarto desarrumado, redação escolar) e se dirige ao leitor, confirmando a alternativa A.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tom é bem‑humorado (irônico, exagerado, autodepreciativo), a análise é subjetiva (o autor dá sua opinião sobre a frase “Quando eu tinha a tua idade”) e as situações são cotidianas (relações pais‑filhos, desorganização, tarefas escolares). O texto sustenta cada ponto: a abertura dramática “Ai, Senhor” já sugere humor; a lista de supostas perfeições infantis é ridicularizada; e a conclusão propõe compartilhar sonhos, não lições. Tudo dentro da crônica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Saudosista – o autor critica o saudosismo parental, não o adota. Diz que a frase é “perigosa” e alarga o fosso geracional. O vocabulário não é arcaico (é coloquial atual). Não há cronologia de eventos; a crônica alterna entre reflexão e exemplos, sem ordem rígida. A alternativa troca conceito: o texto é anti‑saudosista, não saudosista.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Cerimonioso – o texto é informal, com expressões como “Ai, Senhor”, “coisa automática”, “sacudimos a cabeça”. A linguagem é acessível, não literária/formal. A conclusão não é ambígua: termina com uma proposta clara e positiva (“Fale a uma criança sobre aquilo que você esperava ser...”). A alternativa troca conceito: confunde crônica com texto formal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
De advertência – o início parece advertir (“não nos deixe cair na tentação”), mas o tom geral é de reflexão bem‑humorada, não de alerta sério. A narração não é imparcial (é subjetiva, com opiniões fortes). Interagir com o interlocutor é verdade, mas insuficiente para definir o tom. A alternativa é incompleta e erra ao reduzir o tom a advertência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
De indignação – o autor não se indigna; ele critica com ironia e leveza. Não defende ideias com “argumentos válidos” no sentido lógico‑formal; são reflexões pessoais. O “acontecimento inusitado” não existe – são situações comuns. A alternativa troca conceito: indignação não combina com o humor do texto.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente o tom e a forma de exposição do autor é a A: bem‑humorado, subjetivo e cotidiano – marcas registradas da crônica de Scliar.
Gabarito: letra A