Análise da crônica "Quando eu tinha a tua idade" – Moacyr Scliar
Gabarito: letra D. A crônica defende que os pais devem substituir a comparação geracional por um diálogo franco e cúmplice, compartilhando sonhos e fantasias, e não fatos de superioridade. A alternativa D sintetiza essa proposta ao mencionar "cumplicidade e franqueza acerca dos sucessos e dos fracassos", ideia que encontra amparo no último parágrafo do texto.
"Fale a uma criança sobre aquilo que você esperava ser; fale de suas fantasias: – Quando eu tinha a tua idade, meu filho, eu era criança como tu. E era bom."
Também: "São estes sonhos que devemos mobilizar como testemunhas de nosso diálogo com os jovens." A franqueza sobre sonhos (que podem não ter se realizado) e a cumplicidade do "era bom" embasam a conclusão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"compartilhar com os filhos os projetos que não conseguiram realizar, de maneira a incentivar os últimos a concretizá-los pelos genitores."
O texto defende compartilhar sonhos, mas não para que os filhos os realizem pelos pais. Essa finalidade é uma extrapolação – acrescenta uma motivação que o autor não menciona. O crônica diz apenas que os sonhos "jazem intactos" e devem ser "mobilizados como testemunhas de nosso diálogo", sem a ideia de delegação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"omitir fatos de sua própria infância e adolescência, pois se comprovou que eles nada acrescentam para a formação das novas gerações."
O texto não defende omissão; pelo contrário, sugere compartilhar sonhos. A afirmação de que "nada acrescentam" contradiz o texto, que valoriza o diálogo. Além disso, a palavra "comprovou" não tem respaldo – é opinião pessoal do examinador.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"mostrar aos filhos que, há algumas décadas, os jovens rapidamente adquiriam autonomia, pois eram mais decididos a transformar fantasias em realidade."
O autor ironiza essa visão com o trecho "Éramos o máximo?", e depois desconstrói mostrando que as circunstâncias eram diferentes: "a cidade era menor", "trabalhávamos – mas havia outra alternativa?". Não defende que os jovens de antes eram "mais decididos". A alternativa extrapola e distorce o tom do texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"construir uma relação com os filhos pautada na cumplicidade e na franqueza acerca dos sucessos e dos fracassos."
O texto conclui que o melhor é falar sobre sonhos (que incluem fracassos, já que a maioria "irrealizados") e sobre a infância como algo bom, criando um laço de igualdade e sinceridade. Passagens que sustentam: "São estes sonhos que devemos mobilizar como testemunhas de nosso diálogo" e "eu era criança como tu. E era bom." A palavra "cumplicidade" está implícita na ideia de compartilhar sonhos e fantasias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"reconhecer o talento dos filhos, porém ainda preferir o autoritarismo ao total permissivismo no processo educativo."
O texto não menciona autoritarismo, permissivismo nem qualquer preferência educativa. O cronista critica a frase "Quando eu tinha a tua idade", mas não propõe extremos de disciplina. A alternativa tangencia o tema central (diálogo) e insere conceitos alheios ao texto.
Conclusão: A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a D, que capta a essência da proposta do cronista: substituir a comparação arrogante por uma conversa franca e igualitária sobre sonhos e experiências.
Gabarito: letra D.