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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — VUNESP 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
vu080838
Banca
VUNESP
Órgão
TCM-SP
Ano
2023
Nível
Fundamental

    Dialética erística é a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isso per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos). De fato, é possível ter razão objetivamente no que diz respeito à coisa mesma, e não tê- -la aos olhos dos presentes e inclusive aos próprios olhos. Assim ocorre, por exemplo, quando o adversário refuta minha prova e isso é tomado como uma refutação da tese mesma, em cujo favor se poderiam aduzir outras provas. Neste caso, naturalmente, a situação do adversário é inversa àquela que mencionamos: ele parece ter razão, ainda que objetivamente não a tenha. Por conseguinte, são duas coisas distintas a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos contendores e ouvintes. A esta última é que a dialética se refere.

    Donde provém isso? Da perversidade natural do gênero humano. Se esta não existisse, se no nosso fundo fôssemos honestos, em todo debate tentaríamos fazer a verdade aparecer, sem nos preocupar com que ela estivesse conforme à opinião que sustentávamos no começo ou com a do outro; isso seria indiferente ou, em todo caso, de importância muito secundária. No entanto, é isso o que se torna o principal. Nossa vaidade congênita, especialmente suscetível em tudo o que diz respeito à capacidade intelectual, não quer aceitar que aquilo que num primeiro momento sustentávamos como verdadeiro se mostre falso, e verdadeiro aquilo que o adversário sustentava. Portanto, cada um deveria preocupar-se unicamente em formular juízos verdadeiros. Para isso, deveria pensar primeiro e falar depois. Mas, na maioria das pessoas, à vaidade inata associa-se a verborragia e uma inata deslealdade. Falam antes de ter pensado e, quando, depois, se dão conta de que sua afirmativa era falsa e não tinham razão, pretendem que pareça como se fosse ao contrário. O interesse pela verdade, que na maior parte dos casos deveria ser o único motivo para sustentar o que foi afirmado como verdade, cede por completo o passo ao interesse da vaidade. O verdadeiro tem de parecer falso e o falso, verdadeiro.

(Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão)

De acordo com o texto e com foco na passagem – Por conseguinte, são duas coisas distintas a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos contendores e ouvintes. –, é correto afirmar que verdade e validade referem-se, correta e respectivamente, a
  1. Ameio e modo das afirmações.
  2. Bconteúdo e forma das proposições.
  3. Cintenção e anuência dos contendores.
  4. Daparência e objetividade dos argumentos.
  5. Eopinião e conhecimento dos contendores.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — conteúdo e forma das proposições.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distinção entre Verdade e Validade no Texto de Schopenhauer

Gabarito: letra B. A passagem citada separa claramente dois conceitos: a verdade objetiva (o que a proposição é em si) e a validade na aprovação (como ela é recebida pelos contendores e ouvintes). O autor afirma que são coisas distintas, e a dialética erística ocupa-se da segunda. Assim, verdade refere-se ao conteúdo da proposição (sua correspondência com a realidade), e validade refere-se à forma como é apresentada e aceita (sua aparência).

"Por conseguinte, são duas coisas distintas a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos contendores e ouvintes."

O texto ainda complementa: "A esta última é que a dialética se refere." Portanto, a validade diz respeito ao modo como o argumento é exposto (forma), e não à sua essência (conteúdo).

1Conteúdo da proposição
2Correspondência com a realidade
3Validade na aprovação
Forma de apresentação
Aparência de verdade
Objeto da dialética erística
Verdade objetiva
LEVELsoulevel.com.br
Verdade objetiva: Conteúdo da proposição; Correspondência com a realidade; Validade na aprovação (Forma de apresentação, Aparência de verdade, Objeto da dialética erística)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Meio e modo" não correspondem aos conceitos. O texto não trata de meios ou modos das afirmações, mas da diferença entre o que é verdadeiro e o que parece verdadeiro.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Conteúdo e forma" capturam exatamente a oposição: a verdade objetiva é o conteúdo da proposição; a validade na aprovação é a forma (a roupagem argumentativa) que a torna aceita. No texto, a validade é associada à aparência, ou seja, à forma de apresentação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Intenção e anuência": a verdade objetiva não se confunde com intenção; a validade na aprovação envolve anuência, mas não é isso que se pede para o par. Além disso, o texto não discute intenções dos contendores.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Aparência e objetividade": esta alternativa inverte a ordem. No texto, a verdade é objetiva (objetividade), e a validade é a aparência (como visto pelos outros). A alternativa coloca "aparência" primeiro (que corresponderia a verdade) e "objetividade" depois (que corresponderia a validade), trocando os referentes. Por isso, está errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa um termo correto (aparência/objetividade) mas na ordem inversa, tentando levar o candidato que lê rápido a achar que é a resposta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Opinião e conhecimento": a verdade objetiva não é opinião; a validade na aprovação poderia ser associada a conhecimento compartilhado, mas o texto não emprega esses termos. A alternativa foge da distinção apresentada.

Conclusão: A única alternativa que respeita a relação estabelecida no texto, associando verdade ao conteúdo e validade à forma, é a B.

Gabarito: letra B.

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