Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2023
Português›Denotação e Conotação
Código
vu080840
Banca
VUNESP
Órgão
TCM-SP
Ano
2023
Nível
Fundamental
Em passagem do texto, o autor faz ressalvas à ideia de que “todo mundo tem um preço”, expressando-se em linguagem conotativa. Essas passagens são:
A...muitos não são corrompidos porque não vale a pena suborná-los! /... expõem mais as consciências à prova e, em consequência, contabilizam mais violações dos códigos morais.
BA generalização, porém, é abusiva. / Afinal, as condições históricas não propiciam iguais tentações a cada um de nós.
CAfinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. / ... nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo.
D... nem todas as sociedades humanas instigam seus agentes a transgredir os padrões morais com a mesma intensidade... / ... isso coloca em xeque a anedota desesperançada do filósofo Diógenes...
E... as sociedades em que prevalecem relações mercantis abrigam mais seduções do que as sociedades não mercantis. / ... será que ninguém naquela cidade-estado, absolutamente ninguém, merecia crédito?
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GabaritoC — Afinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. / ... nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo.
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Denotação e Conotação — Ressalvas do Autor
Gabarito: Alternativa C.
A questão pede para identificar passagens em que o autor faz ressalvas à ideia de que “todo mundo tem um preço”, expressando-se em linguagem conotativa (figurada). A única alternativa que apresenta DUAS expressões claramente metafóricas é a C.
No texto, o autor contesta a generalização de que todos são corruptíveis. Ele afirma:
“Afinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. / … nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo.”
Ambas as expressões são conotativas:
“Canto das sereias” remete ao mito grego (tentação irresistível);
“Vender a alma ao diabo” é uma metáfora para corromper-se por dinheiro ou vantagem.
Essas frases funcionam como ressalvas porque mostram que nem todos são tentados ou têm “valor de mercado” suficiente para serem corrompidos, relativizando a máxima inicial.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“muitos não são corrompidos porque não vale a pena suborná-los! / … expõem mais as consciências à prova e, em consequência, contabilizam mais violações dos códigos morais.”
Ambas as passagens têm sentido literal (denotativo). “Não vale a pena” é expressão idiomática, mas ainda no sentido próprio; “expõem as consciências à prova” também não é figura de linguagem marcante. Além disso, a segunda parte não é uma ressalva, mas uma constatação objetiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“A generalização, porém, é abusiva. / Afinal, as condições históricas não propiciam iguais tentações a cada um de nós.”
Linguagem denotativa, clara e direta. “Generalização abusiva” está no sentido literal. Não há conotação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Afinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. / … nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo.”
Conforme explicado, ambas são conotativas e funcionam como ressalvas. A banca explora a capacidade de reconhecer linguagem figurada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“… nem todas as sociedades humanas instigam seus agentes a transgredir os padrões morais com a mesma intensidade… / … isso coloca em xeque a anedota desesperançada do filósofo Diógenes…”
“Coloca em xeque” é expressão figurada, mas a primeira oração é denotativa. Como o enunciado exige que ambas as passagens sejam conotativas, a alternativa falha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“… as sociedades em que prevalecem relações mercantis abrigam mais seduções do que as sociedades não mercantis. / … será que ninguém naquela cidade-estado, absolutamente ninguém, merecia crédito?”
“Abrigam mais seduções” é denotativo (abrigar no sentido de conter); a pergunta retórica também é literal, não figurada. Nenhuma das duas apresenta conotação evidente.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar linguagem conotativa, procure metáforas, comparações implícitas ou expressões que não podem ser interpretadas ao pé da letra. “Canto das sereias” e “vender a alma ao diabo” são exemplos clássicos.