Questão de Raciocínio Lógico — Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos — VUNESP 2023
Raciocínio Lógico›Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos
Código
vu080852
Banca
VUNESP
Órgão
TCM-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Considere falsa a afirmação I e verdadeira a afirmação II:I. Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais e Jorge é auditor de controle externo em Ciências Jurídicas.II. Se Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais, então Jorge é auditor de controle externo em Ciências Jurídicas.Nessas condições, é necessariamente
Averdade que Jorge é auditor de controle externo em Ciências Jurídicas.
Bfalsidade que Jorge é auditor de controle externo em Ciências Jurídicas.
Cverdade que Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais.
Dfalsidade que Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais.
Everdade que Camila e Jorge não são auditores de controle externo.
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GabaritoD — falsidade que Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais.
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Lógica proposicional: condicional e a falácia da negação do antecedente
Gabarito: letra D. Como a afirmação I (uma conjunção) é falsa e a afirmação II (uma condicional) é verdadeira, a única conclusão necessária é que Camila não é auditora de controle externo em Ciências Atuariais. Isso decorre da tabela-verdade do condicional: se o antecedente fosse verdadeiro, o consequente teria de ser verdadeiro para a condicional ser verdadeira, o que tornaria a conjunção I verdadeira — contradição. Portanto, o antecedente é falso.
Vamos formalizar. Sejam:
: "Camila é auditora de controle externo em Ciências Atuariais";
: "Jorge é auditor de controle externo em Ciências Jurídicas".
A afirmação I é a conjunção ; a afirmação II é a condicional . O enunciado impõe:
é falsa;
é verdadeira.
A condicional só é falsa quando é verdadeiro e é falso. Como ela é verdadeira, essa combinação está excluída. As combinações possíveis para a condicional verdadeira são:
V
V
V
V
V
F
F
F
F
V
V
F
F
F
V
F
Agora aplicamos a condição de que a conjunção é falsa. Isso elimina a primeira linha (V, V), pois nela a conjunção seria verdadeira. Restam as linhas (V, F), (F, V) e (F, F). Mas a linha (V, F) tornaria a condicional falsa, o que contraria o enunciado. Logo, restam apenas:
falso, verdadeiro;
falso, falso.
Em ambos os casos, é necessariamente falso. Já pode ser verdadeiro ou falso — não há como determinar. Por isso, a única conclusão necessária é a falsidade de , ou seja, que Camila não é auditora de controle externo em Ciências Atuariais.
A pegadinha clássica aqui é tentar aplicar o Modus Tollens de forma invertida. O Modus Tollens válido é: de e , conclui-se . Mas o enunciado não afirma ; ele afirma que a conjunção é falsa, o que significa que pelo menos um dos dois é falso — não necessariamente . Quem assume que é falso comete a falácia da negação do antecedente (ou confunde a negação da conjunção com a negação de um dos termos).
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que é necessariamente verdade que Jorge é auditor em Ciências Jurídicas ( verdadeiro). Isso não é necessário: a combinação falso e falso também satisfaz as condições do enunciado (conjunção falsa e condicional verdadeira). Logo, pode ser falso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que é necessariamente falso que Jorge é auditor em Ciências Jurídicas ( falso). Também não é necessário: a combinação falso e verdadeiro satisfaz as condições (conjunção falsa, condicional verdadeira). Logo, pode ser verdadeiro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que é necessariamente verdade que Camila é auditora em Ciências Atuariais ( verdadeiro). Isso é impossível: se fosse verdadeiro, para a condicional ser verdadeira teria de ser verdadeiro, o que tornaria a conjunção verdadeira — contrariando o enunciado. Portanto, não pode ser verdadeiro.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que é necessariamente falso que Camila é auditora em Ciências Atuariais ( falso). Como demonstrado, as únicas combinações possíveis têm falso. Logo, essa é a conclusão necessária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que é verdade que Camila e Jorge não são auditores de controle externo. Isso exigiria , ou seja, falso e falso. Mas pode ser verdadeiro (combinação falso, verdadeiro). Logo, não é uma conclusão necessária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a negação da conjunção e a negação de cada termo. Saber que é falsa não permite concluir que é falso — apenas que pelo menos um dos dois é falso. O candidato que assume e aplica Modus Tollens cai na alternativa B. O caminho seguro é montar a tabela-verdade e ver quais linhas satisfazem ambas as condições.
PEGA ESSA DICA!
Em questões que dão o valor lógico de proposições compostas, monte a tabela-verdade das proposições simples envolvidas e elimine as linhas que contradizem as condições. Aqui, a condicional verdadeira elimina a linha (V, F); a conjunção falsa elimina (V, V); sobram apenas linhas com falso. Esse método evita cair em falácias e resolve com segurança.