Reescrita com coesão, coerência e norma-padrão
Gabarito: letra E. A alternativa E reescreve o trecho original mantendo a relação causal, usando a conjunção "Como" para antecipar a causa, e emprega estruturas gramaticais corretas: "recomendei-lhes que brincassem" (com pronome oblíquo "lhes" e verbo no subjuntivo) e "não saíssem para a rua" (preposição "para" adequada). O texto original diz: "Deixei as crianças. Recomendei-lhes para brincar no quintal e não sair na rua, porque os pessimos vizinhos que eu tenho não dão socego aos meus filhos." A única alternativa que preserva o sentido, ajusta a norma e mantém a coerência é a E.
Alternativa | Problemas identificados | Correção necessária |
|---|
A | "recomendei a elas para brincar" (regência inadequada); "não sair a rua" (falta crase); "todavia" (conectivo de oposição, quebra a relação causal) | "recomendei-lhes que brincassem"; "não sair à rua"; substituir "todavia" por "porque" |
B | "recomendei-as que brincassem" (objeto direto em vez de indireto; regência inadequada) | "recomendei-lhes que brincassem" |
C | "embora" (concessão, quebra a relação causal); "dão-lhes sossego" (colocação pronominal inadequada após verbo no presente) | Substituir "embora" por "porque"; "não lhes dão sossego" |
D | "deixei elas" (pronome reto como objeto direto); "recomendei-as" (regência inadequada) | "deixei-as"; "recomendei-lhes que brincassem" |
E | Nenhum | — |
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Quando deixei as crianças, recomendei a elas para brincar no quintal e não sair a rua, todavia os péssimos vizinhos..."
Problemas:
Erro gramatical: "recomendei a elas para brincar" — a regência de "recomendar" não admite "para"; o correto é "recomendei a elas que brincassem" ou "recomendei-lhes que brincassem".
"não sair a rua" — falta crase: deveria ser "sair à rua" (ou "sair para a rua").
Quebra da coerência: o conectivo "todavia" expressa oposição, mas a relação original é causal ("porque"). A alternativa sugere que, apesar dos vizinhos ruins, ela recomendou, o que inverte a lógica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Deixei as crianças, e recomendei-as que brincassem no quintal e não saíssem na rua..."
Problemas:
Erro de regência e colocação pronominal: "recomendei-as" trata "as crianças" como objeto direto, mas o verbo "recomendar" exige objeto indireto quando se recomenda algo a alguém. O correto seria "recomendei-lhes" (a elas). Além disso, a ênclise "recomendei-as" é válida, mas o complemento "que brincassem" exige a preposição "a": "recomendei-lhes que..." ou "recomendei a elas que...". A construção "recomendei-as que" é considerada inadequada na norma‑padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Deixei as crianças, embora tenha recomendado-lhes a brincar no quintal e não sair à rua, uma vez que os péssimos vizinhos que eu tenho não dão-lhes sossego."
Problemas:
Quebra da coerência: "embora" introduz concessão, enquanto o original estabelece uma sequência (deixou e recomendou). A relação é de adição/tempo, não de concessão.
Erro de colocação pronominal: com o advérbio negativo "não", o pronome deve ser proclítico: "não lhes dão sossego". A ênclise "dão-lhes" fere a norma‑padrão.
"recomendado-lhes a brincar" — a preposição "a" antes do infinitivo pode ser aceita, mas a construção é menos comum; o maior problema é o "embora".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Os péssimos vizinhos que eu tenho não dão sossego às crianças. Então, quando deixei elas, recomendei‑as que brincassem..."
Problemas:
Pronome pessoal reto como objeto direto: "deixei elas" — na norma‑padrão, o correto é "deixei-as" ou "deixei as crianças". O uso de "elas" sem preposição como objeto direto é coloquial.
Mesmo erro de regência de B: "recomendei-as que brincassem" — inadequado.
O conectivo "Então" não é incorreto, mas a reestruturação da frase, embora coerente, mantém os problemas gramaticais.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Como os péssimos vizinhos que tenho não dão sossego aos meus filhos, quando eu deixei as crianças, recomendei-lhes que brincassem no quintal e não saíssem para a rua."
Acertos:
Causalidade bem expressa: "Como" substitui "porque" e coloca a causa em destaque, sem alterar a relação lógica.
Pronome oblíquo "lhes" corretamente como objeto indireto (recomendei a elas).
Uso do subjuntivo ("brincassem", "saíssem") após "recomendei que".
Preposição "para a rua" — mais formal que "na rua", mantém o sentido.
Colocação pronominal adequada: "recomendei-lhes" (ênclise em verbo no pretérito perfeito) e "não dão sossego" (proclítica com "não") — ambas normas‑padrão.
A frase flui com coesão e coerência, respeitando integralmente o sentido original.
Conclusão: apenas a alternativa E atende simultaneamente aos três requisitos: coesão (conexão lógica entre as ideias), coerência (respeito ao encadeamento causal do texto original) e norma‑padrão (regência, colocação, concordância e ortografia).