Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia - Psicologia
Antônia é uma paciente que apresenta evidentes sinais de alteração da consciência. Mostra-se sonolenta, só reage quando chamada em tom enérgico, mas mantém traços de crítica e procura cobrir as partes íntimas com o lençol.Esses aspectos caracterizam a alteração de consciência denominada
Atorpor.
Bobnubilação.
Cestado crepuscular.
Dsopor.
Enegligência.
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GabaritoA — torpor.
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Alterações do nível de consciência: torpor, obnubilação e estados intermediários
Gabarito: letra A (torpor). O quadro descrito — paciente sonolenta, que só reage quando chamada em tom enérgico, mas mantém traços de crítica e procura cobrir as partes íntimas — caracteriza o torpor, estado de consciência em que o paciente desperta apenas com estímulos vigorosos, porém preserva alguma atividade psíquica superior, como o senso de pudor. Essa definição é clássica na semiologia psiquiátrica e neurológica, e é exatamente o que distingue o torpor da obnubilação e do sopor.
A consciência é a capacidade de reconhecer a si mesmo e ao ambiente, e suas alterações formam um espectro que vai da lucidez plena ao coma profundo. No meio desse espectro, encontramos estados intermediários com nomes específicos, cada um com um grau diferente de rebaixamento e de resposta a estímulos. O torpor (também chamado de estupor) é um desses estados: o paciente está profundamente sonolento, mas pode ser despertado por estímulos enérgicos — como uma chamada em tom alto ou um estímulo doloroso — e, quando desperto, pode apresentar respostas verbais lentas e até comportamentos complexos, como o gesto de se cobrir, que revela preservação de funções corticais superiores (crítica, pudor).
A obnubilação, por sua vez, é um rebaixamento mais leve: o paciente abre os olhos, mas responde de forma lenta e confusa, com dificuldade de compreensão e de foco. Já o sopor é um termo usado em algumas classificações como sinônimo de estupor profundo, mas na prática clínica costuma designar um estado em que o paciente só responde a estímulos dolorosos vigorosos, sem respostas verbais ou com respostas muito rudimentares — não mantém traços de crítica nem comportamentos propositais como se cobrir. O estado crepuscular é uma alteração qualitativa da consciência, não quantitativa: o paciente tem um estreitamento do campo da consciência, com comportamento automático e desorientação, mas sem rebaixamento global do nível de alerta. A negligência (ou heminegligência) é um déficit neurológico focal, geralmente por lesão parietal, em que o paciente ignora um lado do corpo ou do espaço, mas está plenamente consciente.
A banca explora justamente a confusão entre esses termos, que são usados com pouca padronização na literatura. O detalhe decisivo no enunciado é a preservação de traços de crítica e do pudor — isso indica que, apesar do rebaixamento, há atividade psíquica superior, o que afasta o sopor (resposta apenas a estímulos dolorosos, sem conteúdo mental) e aproxima o torpor, que admite respostas complexas quando o paciente é despertado. Guarde essa fronteira: torpor = desperta com estímulo enérgico e mantém alguma atividade psíquica; sopor = só responde a dor, sem conteúdo mental; obnubilação = desperta, mas confuso e lento.
Alteração
Nível de rebaixamento
Resposta a estímulos
Atividade psíquica preservada
Obnubilação
Leve
Desperta, mas confuso e lento
Compreensão e foco prejudicados
Torpor (estupor)
Moderado
Desperta com estímulo enérgico (verbal ou doloroso)
Crítica e pudor (ex.: cobrir-se)
Sopor
Profundo
Só responde a estímulos dolorosos vigorosos
Ausente (sem conteúdo mental)
Coma
Máximo
Não responde a nenhum estímulo
Ausente
1Sonolência/letargia
2Obnubilação
3Torpor/estupor
4Sopor
5Coma
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O torpor (ou estupor) é o estado de rebaixamento da consciência em que o paciente, embora profundamente sonolento, pode ser despertado por estímulos vigorosos — como uma chamada em tom enérgico — e, quando desperto, pode apresentar respostas verbais lentas e até comportamentos que revelam preservação de funções corticais superiores, como o senso de pudor (cobrir as partes íntimas). O enunciado descreve exatamente isso: a paciente reage ao chamado enérgico e mantém traços de crítica, o que é compatível com o torpor. A literatura clássica define o torpor como "resposta apenas a estímulos dolorosos" em algumas passagens, mas a semiologia mais detalhada admite que, no torpor, o paciente possa ser despertado por estímulos verbais enérgicos e apresentar alguma atividade psíquica — é essa a leitura que a banca adota.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A obnubilação é um rebaixamento mais leve da consciência: o paciente abre os olhos, mas responde de forma lenta e confusa, com dificuldade de compreensão e de foco. No enunciado, a paciente só reage quando chamada em tom enérgico — o que indica um rebaixamento mais profundo do que a obnubilação, em que o paciente costuma responder a estímulos verbais normais, ainda que com lentidão e confusão. Além disso, a obnubilação não costuma preservar traços de crítica e pudor de forma tão evidente quanto o torpor. A banca troca o grau de rebaixamento: a obnubilação é um estado intermediário entre a sonolência e o torpor, não o quadro descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O estado crepuscular é uma alteração qualitativa da consciência, não quantitativa. Nele, há um estreitamento do campo da consciência, com o paciente apresentando comportamento automático, desorientação e, por vezes, alucinações, mas sem rebaixamento global do nível de alerta — o paciente não está sonolento nem precisa de estímulo enérgico para despertar. O enunciado descreve uma paciente sonolenta que só reage a estímulo vigoroso, o que é uma alteração quantitativa (rebaixamento do nível), não qualitativa. A banca confunde os dois eixos de alteração da consciência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O sopor é um estado de rebaixamento mais profundo que o torpor: o paciente só responde a estímulos dolorosos vigorosos, com respostas verbais ausentes ou muito rudimentares, e não mantém traços de crítica nem comportamentos propositais como se cobrir. No enunciado, a paciente reage a um estímulo verbal enérgico (não doloroso) e preserva o pudor, o que indica um nível de consciência mais alto que o sopor. A banca troca o torpor pelo sopor, que é um grau mais grave de rebaixamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A negligência (ou heminegligência) é um déficit neurológico focal, geralmente por lesão parietal, em que o paciente ignora um lado do corpo ou do espaço, mas está plenamente consciente e alerta. Não há rebaixamento do nível de consciência, nem sonolência, nem necessidade de estímulo enérgico para despertar. O enunciado descreve uma alteração global do nível de consciência, não um déficit focal de atenção espacial. A banca usa o termo "negligência" como distrator, pois remete a um comportamento de não reagir, mas o contexto é totalmente diferente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os graus de rebaixamento da consciência. Aqui, a armadilha está em confundir torpor com sopor e com obnubilação. Lembre-se: torpor = desperta com estímulo enérgico e mantém alguma atividade psíquica (como o pudor); sopor = só responde a dor, sem conteúdo mental; obnubilação = desperta, mas confuso e lento. O detalhe do "cobrir as partes íntimas" é a chave: ele indica preservação de crítica, o que só cabe no torpor.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma escada do rebaixamento da consciência, do mais leve ao mais grave: sonolência/letargia (desperta com estímulo brando) → obnubilação (desperta, mas confuso) → torpor/estupor (desperta com estímulo enérgico, preserva alguma atividade psíquica) → sopor (só responde a dor) → coma (não responde a nada). Na prova, leia o enunciado procurando o tipo de estímulo necessário para despertar e o que o paciente faz quando desperto — isso decide o grau.